sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Repor a “verdade”...


As más línguas são uma raça malina! Então não é que já andavam para aí a dizer que o destaque que Eduardo Catroga teve na cerimónia da venda em saldo de parte da EDP era “um mistério”? Então não é que agora, confirmado o genial reformado – qualquer reformado que consegue ter uma reforma de 10.000 euros e ainda manter não sei quantos empregos pagos principescamente... deve ser um génio! – confirmado então Catroga, como ia dizendo, no lugar de novo chairman da não sei o quê da EDP... andam a insinuar que isso tem que ver com Passos Coelho, pagamento de favores, o diabo a sete?
Mentes porcas!
Felizmente, estou em condições de repor a “verdade dos factos”, já que um amigo chinês me confidenciou o segredo da coisa: há vários anos que o governo da China segue a fulgurante carreira de Eduardo Catroga... e estavam apenas à espera de um pretexto para o contratarem. Foi mesmo só por isso que compraram a participação na EDP. Digo eu...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Domestica lá esta, ó Lima!



«Uma informação não domesticada
constitui uma ameaça com a qual
nem sempre se sabe lidar.»
(António Ferro… perdão, Fernando Lima)

Ora digam lá se o meu “engano” no nome do autor desta frase não se justifica plenamente! Confessem lá que a frase ficava muito bem na boca de António Ferro, o homem da propaganda de Salazar!

Só que não é dele. Na verdade, como já tive ocasião de emendar aqui em cima, a singela frase é da autoria de Fernando Lima, ex-jornalista e ex-várias coisas do “nosso” Cavaco Silva, sendo que presentemente é não sei o quê do Presidente. Consultor de qualquer coisa... parece.

Acrescenta, no texto em que produziu esta pérola, mais umas ideias fantásticas sobre o primado da “imagem” dos políticos, sobre os conteúdos e ideias, acrescidas de conceitos para «combater os desvios da mídia (?)» com aquilo a que chama de «manipulação pela inundação», aproveitando ainda para realçar a utilidade das «fugas de informação para produzir um efeito de acordo com o objectivo que se pretende alcançar», mais uns vivas à perfeita gestão da imagem de Ronald Reagan... e mais uns “trocos”.

Podia surpreender pela assumida “filhadeputice” moral e ideológica... mas não surpreende. Todos estamos lembrados de que foi ele o autor da “plantação” na opinião pública (com a ajuda do pasquim de Belmiro de Azevedo), da ideia de que o governo fazia escutas ao Palácio de Belém, uma inventona que manteve os jornais e televisões numa atividade frenética, durante uns bons tempos.

Assim como também já não surpreende a inaudita pontaria que Aníbal Cavaco Silva tem, no que toca a escolher os seus principais funcionários, consultores, conselheiros, ministros, secretários de estado...

Cavaco poderá não ter muitas qualidades, mas há que reconhecer que se movimenta com grande à-vontade no meio da lama e entre estes bicharocos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Grã



Pese embora o ar de virgens no meio do bordel com que, tanto Alexandre Soares dos Santos (patrão da Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce), como outros patrões de outras grandes empresas (esta pulhice é generalizada) juram em coro estarem apenas as mais puras intenções por detrás das suas fugas de capitais e de sedes de empresas para “paraísos fiscais”, mentindo... perdão, afirmando com quantos dentes têm na boca, não se tratar de uma fuga generalizada aos impostos, mas sim blábláblá... a realidade vai-nos dizendo, imperturbável, que até hoje ainda não se encontrou praticamente mais nenhuma razão para estas deslocalizações selvagens, a não ser, claro, os baixos salários, o que não é o caso da Holanda, o país em causa nesta notícia, sendo que, normalmente, estas novas “empresas” criadas nestes paraísos mafiosos, quase nem funcionários têm.

Portanto, sendo um dado adquirido as vagas de fuga de capitais e sonegação fiscal conseguidas por este meio (nem a pública Caixa Geral de Depósitos escapou à tentação!), a única coisa que espanta é a empáfia com que o calhordas do tal Alexandre Soares dos Santos do do Pingo Doce, tem passado a vida nas televisões e jornais, dando lições de moral a governantes, trabalhadores e empresários... a bem da nação e da sua imagem de “grande, impoluto e sábio empreendedor português”.

Dizem os registos que em 2000 este indivíduo foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, “pela prestação de serviços relevantes a Portugal”, sendo que logo depois, em 2006, foi mais uma vez agraciado, desta feita, e em “reconhecimento dos seus atos em favor da colectividade”, com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito.

Enquanto não for possível aprovar leis que impeçam esta pouca vergonha, não será possível, por agora, “agraciá-lo” com um balde de qualquer coisa... desde que seja também num formato bastante “Grã”?


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Só para lembrar...


Não pretendo dar lições de História (nem quaisquer outras “lições”) a quem quer que seja. Quero apenas contribuir, singelamente, para engrossar o número daqueles que não esquecem... já que a “amnésia” parece atingir até alguns que dizem dedicar-se à tarefa de “não deixar apagar a memória”.
São cinquenta e dois anos passados sobre um dia muito especial na vida de Álvaro Cunhal, Francisco Miguel, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra... um dia especial na História da resistência ao fascismo. São cinquenta e dois anos passados sobre uma história de coragem física, verticalidade, coerência, sacrifício.


O voo dos abutres


Começa a entrar em vigor, à vez ou em catadupa, a avalancha de crimes (roubo, extorsão, trabalhos forçados, etc.) a que este governo chama eufemisticamente... “medidas”. Nada escapa. Seria uma enormidade ficar aqui a enumerar os cortes e/ou aumentos com que vamos ser agredidos nos próximos tempos. Primeiro, porque são conhecidos; segundo, porque este post resultaria interminável.
Como quase única exceção, teremos o verdadeiramente fantástico aumento das pensões mínimas de cerca de um milhão de portugueses (sim, há todos estes portugueses a tentar sobreviver com estas pensões mínimas!) que sobem cerca de sete euros mensais, o que, como é bem comentado aqui, proporciona aos nossos pensionistas um excêntrico aumento de poder de compra de... 23 cêntimos diários! Mais coisa, menos coisa... dependendo do número de dias do mês.
Tudo isto para explicar a vontade  que tive (uma espécie de terapia de controlo da ira) de “mexer” na capa e no nome do DVD do Jack Nicholson e do seu clássico “Voando sobre um ninho de cucos”... imaginando qual a extensão dos cacos que resultará da passagem pelo poder desta quadrilha que, mentindo despudoradamente ao seu eleitorado, se plantou no governo, bando de que este ministro das finanças é uma das caras mais notórias.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cavaco Silva – Xis...


Já não há muito mais a dizer (a não ser por especialistas, evidentemente) sobre as “conversas” que o cidadão Aníbal Cavaco Silva resolve, amiúde, ter com os portugueses, como foi o caso desta mensagem de ano novo.
Na minha qualidade de não especialista... gostei de algumas passagens. Sobretudo aquelas que, pela sua profundidade e luminosidade, me fizeram lembrar tempos que já lá vão. Tempos em que a fotografia aqui de cima era atual. Tempos em que se (por exemplo) perguntássemos ao Presidente da República de então o que achava do Almada Negreiros... ele responderia:
- Tudo depende da sorte do jogo... mas cá pra mim... vai ser um empate.
Um Cavaco Silva não servirá para grande coisa... mas sempre serve para mostrar que, infelizmente, esses “tempos que já lá vão” não foram assim há tanto tempo... e estão sempre à espreita de uma oportunidade para voltarem.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Rimsky-Korsakov e Yuja Wang, voando...


Era Nikolai Rimsky-Korsakov um compositor sério? Claro que sim. Ainda por cima, como militar do Czar da velha Rússia tinha uma certa imagem a defender.
É Yuja Wang uma pianista séria? Evidentemente! Centenas de concertos, nas mais seríssimas salas, deixam isso bem claro. Mesmo aqui, já a tivemos espalhando charme e virtuosismo, tocando Chopin como só os anjos tocariam... se fossem dados a tocar piano em vez de harpas e liras.
Fica então esclarecido que os compositores e músicos da chamada música erudita são sérios. Alguns, não tão poucos como isso, são mesmo chatos como pratos de sobremesa. Só que...
Para felicidade de muitas e muitas gerações de ouvintes, alguns destes compositores e executantes deixam-se por vezes possuir pelo espírito da ramboia e do bom humor, com resultados verdadeiramente extraordinários.
Felizmente, existem muitos milhões de seres humanos que se divertem com esta música, seja mais “séria” ou mais a brincar, enquanto outros milhões (infelizmente, mais) se divertem (muito legitimamente, diga-se) com os subentendidos brejeiros dos muitos “Quins Barreiros” que há por esse mundo, ou com o sabe-se lá o quê das performances dos “Tonys Carreiras” desta vida.
E assim chegamos à música de hoje, o célebre “Voo do moscardo”, um divertimento para músicos virtuosos, escrito por Rimsky-Korsakov, peça que já todos ouvimos muitas vezes e tocada das mais variadas formas. Como se o “Voo do moscardo” não fosse já um exercício quase impossível para grande parte dos músicos, a doce Yuja Wang resolveu tocá-lo com este rearranjo para piano... que, o mínimo que se pode dizer, é que toca as raias da loucura... o que, como já sabemos, é uma qualidade por aqui muito apreciada.
Entremos então assim, “voando”, em 2012... e bom domingo!
The flight of the bumblebee” – Yuja Wang
(Nikolai Rimsky-Korsakov)