sábado, 28 de janeiro de 2012

CGTP – A “iminente tragédia” da Intersindical...


A propósito do Congresso da CGTP e da anunciada passagem de testemunho de Carvalho da Silva a Arménio Carlos... tenho ouvido de tudo. Há muitas pessoas, públicas e privadas, que fazem questão de elogiar a coerência, a personalidade e trabalho feito, tanto pelo primeiro como pelo segundo, deixando um grande abraço ao Secretário Geral de há já 25 anos... e outro grande abraço àquele que se prepara para dar a cara, de forma ainda mais pública e intensa, pelas causas dos trabalhadores portugueses.
Seja como for, nada do que estes muitos camaradas, amigos, ou simples admiradores das pessoas em causa possam dizer, consegue competir, seja em volume, seja em divulgação, ou mesmo em alarido, com verdadeira barragem de fogo, insultos e calúnias, que se abate sobre a CGTP e os seus dirigentes, vinda de quase todos os lados.
Tudo ouvido e fosse eu dado a engolir os "anzóis" dos media dominantes... seria levado a uma certeza: «Se a CGTP não mudar de rumo, drasticamente e depressa, não faltará muito para que definhe irremediavelmente e morra».
Não vou perder tempo a discutir esta “ideia”, presente nos comentários de tantos politólogos, comentadores e analistas de serviço. Primeiro, porque não me apetece. Segundo, porque estou ocupadíssimo a tentar lembrar-me de quantas vezes terei ouvido já esta “sentença” nos últimos quase quarenta anos. Centenas? Milhares?
Ironias à parte, fica aqui um abraço à nova equipa da grande central sindical e votos de que continue e amplie o seu indispensável trabalho!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Feriados - Arriba España e viva o rei!!!


E viva a “implantação” de mais dois dias de trabalho não pago, como bem lhes chama o Arménio Carlos... que se lixe a Restauração e a implantação da República!
Também... sejamos honestos! A independência do país já viu melhores dias e uma “Família Real”, até na sepultura tem muito mais charme do que a “Família Mariani”. Só falta aparecer um estudo muito “jeitoso” feito por um grupo de cientistas da Universidade Católica, onde se fique a saber que os portugueses preferem ter um Rei... e serem espanhóis.
Por mim, depois de aturada seleção, já estou indeciso apenas entre o “rei das farturas”, o “rei dos frangos” e o “rei da sucata”.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Estela Barbot – Multiplicam-se as epifanias...


De forma recorrente e a propósito dos mais variados assuntos, lembro-me da velha anedota em que um general era tão estúpido... que até os outros generais deram por isso.
E pronto. Foi disto que me lembrei, mais uma vez, quando ouvi Estela Barbot, conselheira do FMI, tão “condoída” com os sacrifícios que estão a ser impostos aos portugueses.
Finalmente, gente “muito importante” questiona a aplicação e utilidade prática da austeridade (não o capitalismo que a impõe). Já há quem fale abertamente de novas ajudas e resgates financeiros. Há mesmo quem, entre esses “importantes”, ouse falar na renegociação da dívida... uma coisa que ainda há bem pouco tempo era um crime de lesa-majestade. Uma ideia pecaminosa, verdadeira blasfémia contra o deus-dinheiro, dessas que povoavam apenas os cérebros e as bocas dos do costume... aqueles comun... esses!!!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Miguel Sousa Tavares, Cavaco... e o tiro


Aqueles de entre vós que estejam em dia mais pachorrento... ou, pelo contrário, atacados de um forte desejo de autoflagelação, podem ver e ouvir, neste link, o sempre profundo Miguel Sousa Tavares dizendo coisas. Desta vez é em dose familiar. Fala da Madeira, disserta sobre a Justiça, dá uns bitaites sobre o papel dos sindicatos na chamada “concertação social”... não resistindo a tentar enxovalhar a CGTP com as provocações costumeiras...
Não conseguiu prender-me a atenção por aí além... até ter dito, com profundidade (acho que já disse que ele é profundo), que Cavaco Silva «deu um tiro no pé».
Pois... se calhar... mas atendendo às famosas declarações cavacais sobre a “pensão de miséria” e à tão inútil, quanto esfarrapada “explicação” que veio dar dias depois, tudo isto somado ao seu já longo historial de vida coerentemente “anibalesco” e, sobretudo (como muito bem exorta o Sérgio), para a sua vasta e demolidora "obra política"... já que o Miguel Sousa Tavares decidiu falar sobre o tiro no pé, bem podia ter dito em qual dos quatro!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Não podemos...


Não podemos apertar o cinto e baixar as calças ao mesmo tempo!
Não faço ideia de onde é que o Sílvio Rodriguez (sim, o das cantigas) foi desencantar esta fotografia de um cartaz que alguém empunhou algures... mas a mensagem não podia ser mais certeira e actual.
Já que surripiei a imagem ao Sílvio, um dos grandes da Nova Trova de Cuba, fica-me bem dizer que a encontrei aqui, no seu blog, “Segunda cita”.
É um blog pessoal, que retrata bem a popularidade de que goza o cantautor cubano, quanto mais não seja, pelo volume de comentários que cada um dos seus textos suscita, quase sempre na ordem das centenas.
É um blog que, tal como o seu autor, está com a Revolução, tendo deixado bem claro que ali não se dá guarida a propaganda contra essa mesma Revolução.
Isso não impede que, muitas vezes, tanto nos próprios textos escritos ou selecionados pelo dono do blog, como nos comentários que ali chegam de toda a América Latina, Espanha, etc., se encontrem opiniões que dão lugar a debates em que se questiona este ou aquele aspecto da política, sobretudo da prática política, levada a cabo em Cuba, seja no campo cultural, seja onde for.
O que quer dizer, para quem quiser ver, que para ter, em Cuba, livremente, um blog que coloque dúvidas, questione políticas concretas, apresente soluções alternativas, dê ideias... não é preciso ser-se financiado pela CIA, ou pelos narcotraficantes cubanos de Miami, como a famosa bloguer e feroz anti-revolucionária Yoani Sanchez.
Adenda: Não vale a pena vir comentar que eu estou do lado de tudo o que venha de Cuba, de Fidel e companhia. É uma perda de tempo e não é verdade. Não “simpatizo” com algumas das realidades da vida cubana... independentemente da discussão sobre a quem cabe a responsabilidade da sua existência.
Só que os reparos que eu possa ter, não me impedem (para utilizar a imagem usada pelo embaixador de Cuba em Portugal, quando lhe perguntaram se há indignados em Cuba) de também pertencer aos “indignados” cubanos, que são aos milhões. Como eles, estou indignado com décadas de criminoso bloqueio dos EUA, indignado com as tremendas dificuldades e privações de toda a ordem impostas àquele povo magnífico, indignado com a prisão injusta dos “Cinco de Cuba”, indignado com a insultuosa presença do crime continuado na base de Guantánamo...
Como não ficar indignado?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Guimarães 2012


Se a cultura se fechar a si própria dentro de um gueto, acaba fatalmente (e com apenas raras e felizes excepções) por deixar de ser cultura, para se tornar apenas numa idiossincrasia. Uma mania. Um tique nacionalista, patrioteiro, ou apenas bairrista. A cultura precisa da seiva do contacto e da abertura aos outros, para melhor manter vivas e saudáveis as suas raízes e identidade.
Dada esta singela opinião, acho não só muito bem, como fundamental, que a programação cultural de Guimarães Capital Europeia da Cultura (ou qualquer outra programação cultural), seja fortemente povoada por aquilo que de melhor a Europa e o mundo tiverem para dar, caminhando ombro a ombro com as nossas próprias propostas culturais. Seja em agigantados (talvez demais) projetos como este “Guimarães 2012”, ou na vereação da cultura de uma pequena autarquia local.
Dada esta segunda singela opinião, tenho, ainda assim, as maiores dúvidas de que uma programação de Paris, Londres, ou Madrid, ou Frankfurt, ou Veneza capitais da cultura... abrisse com um espetáculo estrangeiro.
Seja como for, não era da programação de espetáculos que ia falar, mas sim da cerimónia de abertura.
Na verdade, estava combinado que fosse eu a fazer o discurso de encerramento, dissertando sobre mecânica quântica, o que me foi impossível por incontornáveis motivos de agenda pessoal. Como, ao que parece, o distinto público presente estava firmemente decidido a divertir-se por um bom pedaço, ouvindo alguém falar longamente sobre um assunto de que não entendesse nem a ponta de um chavelho... substituíram-me por Cavaco Silva a falar de cultura. Foi exaltante!
(Ao que me dizem, houve na rua quem não gostasse...)

domingo, 22 de janeiro de 2012

António Zambujo - Contaminação


O som não se propaga no vácuo. Precisa de ar. Sem ar não há sons, não há música, não há vida.
A boa música ganhou o gosto das grandes viagens, para melhor respirar, para melhor se propagar. Quando é transportada por gente inteligente, regressa dessas viagens contaminada com o que viu, com o que ouviu, com o que viveu. E torna-se melhor. Traz mais vida e mais ar. Transforma-se numa coisa única. Extraordinária.
Assim fez esta “Chamateia”, já de si uma mistura de Chamarrita com Sapateia, feita por dois autores a “brincar” com os nomes da música tradicional dos seus Açores... e transportada para a Bulgária, terra das vozes “misteriosas”, pelo António Zambujo. Em boa hora!
Bom domingo!
“Chamateia” – António Zambujo e Vozes Búlgaras “Angelite”
(António Melo de Sousa/Luis Bettencourt)