segunda-feira, 12 de março de 2012

Pina Moura – Rumo á vit... bom... qualquer coisa, desde que paguem bem


«Goste-se ou não, este governo tem um rumo»... diz Pina Moura. Pelos vistos... ele gosta!
Pouco me interessam os gostos deste ex-inscrito no PCP (não, não lhe chamo ex-comunista...), como tampouco me interessa o seu meteórico percurso pessoal, desde os tempos em que alguns diziam ser o “delfim” de Cunhal (não faço ideia do que é que ele pensava vir a sacar com isso), passando depois a ministro do PS, função que lhe abriu as portas ao lugar de criado dos espanhóis na presidência da Iberdrola, percurso que lhe possibilitou um prodigioso salto de um ganho anual de pouco mais que 20.000€ em 1994, para os 697.000€ em 2006 e aos sabe-se lá quantos em 2011 ... até chegar a este momento de “epifania” sobre o alegado “rumo” de Passos Coelho.
Não sei se este polifacetado político/economista acabará a vociferar contra os emigrantes num qualquer partideco de extrema direita, mas, pegando na sua própria ideia que abriu este texto, 
goste-se ou não, este Pina Moura tem um rumo!

domingo, 11 de março de 2012

Maria Gadú e Marco Rodrigues – “A valsa”


O Brasil nunca se cansa de mostrar a sua inesgotável capacidade de produzir artistas fantásticos. Portugal também... embora com menos “colorido” e em muito menor número (uma questão de temperamento e escala).
Hoje juntam-se aqui, Brasil e Portugal, numa cantiga viciante que já anda por aí a tocar nas rádios e que até eu ouço muito... logo eu, que nem telefonia tenho em casa. Trata-se de “A valsa”, da autoria da cantora brasileira Maria Gadú, com a participação do fadista português Marco Rodrigues.
Ela e ele, do melhor que a nova geração está a produzir lá e cá. Ela e ele, desafiadoramente “diferentes”, o que é muito bom, já que amálgamas cinzentas de pensamento único e gosto uniformizado... já temos de sobra.
Estou certo de que vocês já ouviram falar dela, dele e desta misteriosamente bela canção, uma valsinha brasileira irremediavelmente contaminada pelo fado... só que ainda não a tínhamos ouvido todos juntos, vocês e eu. É hoje.
Bom domingo!
“A valsa” – Maria Gadú e Marco Rodrigues
(Maria Gadú)



sábado, 10 de março de 2012

Cavaco Silva – O leal


As recentes declarações do cidadão Aníbal Cavaco Silva sobre a “histórica” falta de lealdade de José Sócrates, mostram um Cavaco Silva que já se conhecia: com uma falta, também ela histórica... de coragem e coluna vertebral. Cavaco Silva engrossa o contingente dos cobardolas que atacam selvaticamente um adversário caído... e mesmo assim, só quando é garantido que dali não virá retaliação que se veja.
Pode ser que se engane... pois esta estirpe de invertebrados normalmente é também bastante estúpida. E o povo (pelo menos algum) não gosta destes assomos de “coragem” dirigida contra os derrotados.
Sendo certo que poderia ficar aqui eternamente a adjetivar este acto rasteirinho de Cavaco Silva... já que, estou seguro, ninguém me confundiria com um apoiante de José Sócrates, admito que o “faz-de-presidente” escolheu, para atacar o estudante parisiense, a (falta de) qualidade em que ele está, realmente, muito acima do ex-primeiro-ministro: a lealdade.
Cavaco Silva é um mero oportunista que não perde um segundo a pensar no país ou no seu povo. Pensa apenas em si, na sua imagem, nos seus interesses, na gestão da sua carreira pessoal. Até quando entrou para a política partidária activa, segundo reza a lenda pequenina e mesquinha que ele ajuda a alimentar, o seu interesse estava apenas virado para a "rodagem" do carrinho novo... mas preza muito a lealdade.
Na verdade, não existe lealdade como a de Cavaco Silva. Lealdade antiga, ativa, quase incondicional. Só essa enorme lealdade “cavacal” explica que muitos dos seus amigos e ex-ajudantes (como lhes chamava) não tenham ainda malhado com os ossos numa prisão.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Beja – Romagem de "saudade"...


No dia em que os eleitores do PSD colocaram o candidato do PS, Jorge Pulido Valente, na presidência da Câmara de Beja, o autarca socialista declarou, pateticamente, “O 25 de Abril chegou finalmente a Beja!”
Afinal não é bem assim. Aquilo a que Pulido Valente decidiu chamar “25 de Abril”, vai chegando a Beja, mais um poucochinho, todos os dias... pé ante pé.
Como a notícia desta espécie de romagem de saudade ao passado, na forma de homenagem a antigos presidentes da Câmara, nomeados diretamente pelo regime fascista, bem demonstra.

Nicolas Sarkozy – Os homens "pequenos"...


“Imagem de pessoa extremamente estúpida, com suástica” 

Podia ser a legenda para esta fotografia de um jovem negro, ostensivamente estúpido, “envergando” a tatuagem de uma cruz gamada e saudação nazi. Claro que a imagem poderia sempre ser mais estúpida... poderia ter como protagonista um cigano, um comunista ou um judeu... isto se pensarmos nas escolhas de vítimas por parte do regime nazi.
Há quem, discretamente, traga estas suásticas tatuadas em locais bem mais escondidos. No limite, no cérebro. E assim chegamos ao personagem de hoje, Nicolas Sarkozy, o ridículo contrapeso europeu francês da “panzer” Angela Merkel.
Sabendo que, à esquerda, o candidato Jean-Luc Melenchon, surpreende pela capacidade de romper nas sondagens e que, ao centro (e pra aqui e acolá), o candidato do PS, François Hollande, mantem uma posição “ameaçadora” nas intenções de voto; sabendo que ainda há outras candidaturas que enchem a boca com discursos “pela França”, “pelo ambiente” e pelo que calhar... resta a Sarkozy tentar surripiar  a Marine Le Pen, a cria fascista do fascista seu pai, alguns votos da escumalha que a apoia eleitoralmente. Assim, cá o temos, novamente, apostando nos temas “facturantes” da extrema direita, declarando que «há demasiados estrangeiros em França». Um clássico!
A manobra canalha tanto pode dar-lhe alguns votos da tropa fascista e de rebanhos de ignorantes, como pode tirar-lhe milhares de votos de gente moderada que não se revê nestes discursos de ódio aos estrangeiros.
A parte (quase) cómica desta questão, como bem notou alguém num blog a que não posso fazer a justiça de citar, por ter deixado “escapar” o nome... é que este grito, este “estado de alma” contra o excesso de estrangeiros em território gaulês, vem de um homem de nome Sarkozy, filho de emigrante húngaro e de mãe de orígem grega/judaica, que já foi casado com uma mulher de origem espanhola e, presentemente, com a manequim e cantora Carla Bruni, uma italiana.
Citando José Mário Branco,
“Os homens pequenos
quando são demais
não fazem por menos
tornam-se fatais
Vão por mim, que o vivi”
(“Eram mais de cem”, in “Resistir é vencer” – 2004)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Lusoponte e PSD – Trafulhas no poder


O vasto (em talento, claro!) ministro das obras públicas do PSD e de Cavaco Silva, Joaquim Ferreira do Amaral, criou – ainda que tenha sido para si – o negócio de sonho.
Ao fim de uma certamente muito renhida maratona negocial consigo próprio, uma reunião em que só os "deuses" sabem quantas vezes terá mudado de lado da secretária, para contrapor propostas e argumentos... criou a superempresa que viria a gerir as pontes da capital do país (construídas e a construir) e, na passada, garantiu o seu lugar na presidência da poderosa empresa.
O modelo de negócio é simples. As pontes são privadas, pois o Estado não tem nada que ter pontes (desde que deem dinheiro, obviamente!). A Lusoponte cobra por cada veículo que atravesse as pontes. Se por qualquer razão o número de veículos não for o desejado pela Lusoponte... o estado indemniza a empresa, como se os veículos tivessem passado.
Desta vez, embora parecesse impossível, alambazaram-se ainda um pouco mais, ou seja: como em Agosto era costume não se pagar na ponte 25 de Abril, pagava o Estado. Como o Estado permitiu à Lusoponte cobrar as portagens de Agosto... decidiu pagar na mesma, como se os utentes não tivessem já pago. Diz que é porque está assim escrito no contrato e tal...
E um pano encharcado nas trombas?!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Para a próxima, seria bom levantar o rabo da cadeira, em Lisboa... e ir ver e perguntar!



(Auto da Criação do Mundo - CENDREV - Centro Dramático de Évora.   Foto: Paulo Nuno Silva)

Numa gala promovida pela Sociedade Portuguesa de Autores, recentemente transmitida pela RTP, entre muitos e certamente merecidos prémios, foi entregue o Prémio para a Melhor Programação Cultural Autárquica.
Ideia fantástica! As autarquias e os seus vereadores da Cultura, bem necessitam de um incentivo extra, para continuarem a sua luta por, cada vez com meios mais escassos, continuarem a ser, muitas vezes, os únicos produtores e contratadores de produtos culturais de qualidade em vastas zonas do país.
Depois vieram os nomes dos premiados. Duas Câmaras, ex aequo. Coimbra e Évora.
Sobre Coimbra não sei nada. Sobre Évora...
Bem, sobre Évora, se por acaso forem dados a rir-se de coisas tristes, a esta hora ainda os presidentes de Câmara mais os vereadores e vereadoras da Cultura de toda a região, não largaram a barriga e não pararam de rebolar-se no chão. Eu sei que ri muito...
Quem viver à volta de Évora e ouvir diariamente os eborenses, jovens e menos jovens, desta e daquela cor política, lamentando “não haver nada” na sua bela cidade, muitas vezes, quando confrontados com as programações culturais de municípios vizinhos muito mais pequenos... “nada, nem uma salita de cinema”... “e o que se faz localmente é à custa de carolice ou de muita teimosia”... também deve estar a pensar que aquela coisa na televisão foi um lapso.
Já não um lapso, mas sim falta de vergonha, foi o facto de no filmezinho exemplificativo da grande programação cultural autárquica de Évora (que deve ter sido “produzido” pela Câmara), terem incluído imagens e nomes de realidades culturais que não passaram de promessas, ou de produtos e projetos que existindo, lutam pela sobrevivência, esmagados exactamente pela falta dos apoios devidos pela autarquia agora tão vistosamente premiada.
Mas pronto... a cerimónia foi bonita e o vestido da apresentadora foi, certamente, muito apreciado.