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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Marcelo em pré-campanha


As cada vez mais frequentes e recorrentes caneladas e farpas que Marcelo Rebelo de Sousa endereça carinhosamente a Durão Barroso nas suas homilias televisivas... não deixam lugar a dúvidas. A (looooonga) pré-campanha eleitoral para as Presidenciais, está lançada. Vai dar-se início à época do “diplomático e fraterno bofetão nas trombas” entre os dois figurões do PSD.
As farpas “marcelistas” vão quase sempre no sentido de descredibilizar, ou mesmo ridicularizar posições tomadas por Barroso em relação à Europa e, sobretudo, a Portugal. Nada que ele não mereça inteiramente, diga-se!
Por outro lado, se pensarmos numa “Presidência à Marcelo”, somos tentados a achar que a coisa descerá ao nível da taróloga Maya... mas tanto Barroso como Marcelo estão cheios de sorte. A fasquia está muito baixa... diria mesmo que está rente ao solo!
Se virmos bem, a seguir a dois mandatos do cidadão Aníbal e da sua "cavacal" prestação enquanto Presidente da República, não há em todo o país quem não tenha condições de fazer melhor, muito melhor, no Palácio de Belém!
Claro que existem excepções. Todos sabemos que há cidadãos que estarão impedidos de concorrer... por estarem internados. Fechados (à cautela), uns em manicómios, outros em penitenciárias. E mesmo de entre esses, procurando bem... olha que não sei não!...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

E pronto! Vamos lá em frente... que a nossa vida não é isto!


E pronto! Deixemos para lá as idiossincrasias da “democracy” norte-americana, com o seu esmagamento dos pequenos partidos, o feroz bipartidarismo que fecha quaisquer portas ao debate alargado, aos números quase sempre miseráveis de votos expressos, à arrogância que lhes permite, mesmo perante todos estes factos (e tantos outros iguais ou piores!), ter o descaramento de pretender dar lições de moral e democracia ao mundo.
E pronto! Aplausos, aplausos, parabéns, parabéns!!!... e voltemos a tratar daquilo que, realmente, interessa (não que o tipo de regime em vigor nos EUA não interesse), façamos regressar os ranchos de jornalistas que foram esturrar dinheiro para a campanha norte-americana, e tentemos motivar os nossos jornais, telejornais e jornalistas em geral, para darem aos problemas portugueses, reais, o mesmo tipo de atenção que deram a esta reeleição de Obama... se puder ser, com o mesmo entusiasmo.
E pronto! Quanto às eleições nos EUA, teremos mais do mesmo... o que (não se pense que não valorizo!), dadas as sombrias e medievais características da alternativa que se apresentava, não é, com efeito, o pior que podia ter acontecido.
E, claro, há sempre a hipótese de Obama, agora em segundo e último mandato, liberto da pressão de uma futura reeleição, passar a praticar alguns dos princípios apregoados, tão apreciados pelo mundo ocidental... e que lhe ficam tão bem nos “arejados” discursos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Expresso do “oriente-se”!


Diz-me o “Expresso” que os dois candidatos presidenciais norte-americanos andam verdadeiramente desvairados, em campanha nos Estados que ora votam “republicano”, ora votam “democrata”... dependendo do vento.
Chama-lhes o “Expresso” «eleitorado pragmático».
Triste sociedade, esta nossa, em que para fazer deslocar milhões de votos de "A" para "B" e logo depois o seu contrário, basta aos candidatos acrescentar umas tantas mentiras novas, ou mesmo apenas recicladas, ao seu discurso, para convencerem o eleitorado de que são diferentes daquilo que eram quando estavam no Governo antes.
E assim assistimos, também por cá e quase incrédulos, à dança de votos entre PSD e PS... com largos milhares de portugueses a acreditar que agora é que eles estão diferentes!... este “novo” PS é que vai ser!... agora é que o PSD mudou!...
Triste sociedade, esta nossa, em que as ideias e convicções pouco valem... e em que a ignorância, ou a liminar estupidez, ou o puro interesse e oportunismo, já conseguem ter o estatuto de “pragmatismo”.

sábado, 3 de novembro de 2012

Mitt Romney – “O solidário”


Mitt Romney, o ultra-reaccionário e multimilionário candidato à “Casa Branca”, pelo Partido Republicano dos EUA, descobriu, dolorosamente, que um discurso populista que defende despudoradamente o egoísmo mais abjecto, o individualismo radical e violento, a falta de solidariedade e a ganância pessoal... não “calha” muito bem numa altura de tragédia humana como a que por estes dias viveu e vive uma parte muito importante do seu possível eleitorado.
Como resultado, fechou a matraca, no que diz respeito aos ataques às políticas “socialistas” de Obama, como os “republicanos” lhes chamam, e está borrado de medo com a reviravolta que um certo ar de competência e empatia com as pessoas, por parte do actual Presidente, está a produzir nas sondagens, com algumas figuras gradas republicanas a declarar o seu apoio ao candidato dos “democratas”.
Mitt Romney, para além de reaccionário e multimilionário é também uma figura destacada da Igreja Mormon, que entre muitas interdições e regras para todos os gostos, proíbe o consumo de café aos seus fieis.
Sobre as causas para a proibição da ingestão de café, o meu grau de desconhecimento é vasto e profundo. Seja como for, é uma pena que o candidato “republicano” não possa contar com a ajuda duma bica ou duas por dia, para o ajudar a manter o cérebro num estado de alerta que o impedisse de dizer baboseiras (quando não é muito pior), quase sempre que abre a boca.
Na tentativa de se mostrar, agora, uma pessoa solidária, transformou aquilo que seria um comício de campanha, num show de propaganda caritativa, pedindo a contribuição dos seus apoiantes para a ajuda às vítimas, show em que produziu esta pérola:
Não sei se é à maneira americana… mas tem todo o ar de ser à maneira de um oportunista rasca, que nem sabe muito bem onde estão as pessoas que vai “ajudar”, nem aquilo que lhes vai enviar, nem como, e que, à excepção da oportunidade para uma fotografia vistosa à frente das latas de sopa, está-se positivamente a borrifar para aqueles com quem finge estar solidário!
É o encanto do bipartidarismo “à americana”, o imutável jogo de “alterne” que também nos querem impingir por cá: na melhor das hipóteses, ter o povo que se “conformar” com o menos mau!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Nicolas Sarkozy – Os homens "pequenos"...


“Imagem de pessoa extremamente estúpida, com suástica” 

Podia ser a legenda para esta fotografia de um jovem negro, ostensivamente estúpido, “envergando” a tatuagem de uma cruz gamada e saudação nazi. Claro que a imagem poderia sempre ser mais estúpida... poderia ter como protagonista um cigano, um comunista ou um judeu... isto se pensarmos nas escolhas de vítimas por parte do regime nazi.
Há quem, discretamente, traga estas suásticas tatuadas em locais bem mais escondidos. No limite, no cérebro. E assim chegamos ao personagem de hoje, Nicolas Sarkozy, o ridículo contrapeso europeu francês da “panzer” Angela Merkel.
Sabendo que, à esquerda, o candidato Jean-Luc Melenchon, surpreende pela capacidade de romper nas sondagens e que, ao centro (e pra aqui e acolá), o candidato do PS, François Hollande, mantem uma posição “ameaçadora” nas intenções de voto; sabendo que ainda há outras candidaturas que enchem a boca com discursos “pela França”, “pelo ambiente” e pelo que calhar... resta a Sarkozy tentar surripiar  a Marine Le Pen, a cria fascista do fascista seu pai, alguns votos da escumalha que a apoia eleitoralmente. Assim, cá o temos, novamente, apostando nos temas facturantes da extrema direita, declarando que «há demasiados estrangeiros em França». Um clássico!
A manobra canalha tanto pode dar-lhe alguns votos da tropa fascista e de rebanhos de ignorantes, como pode tirar-lhe milhares de votos de gente moderada que não se revê nestes discursos de ódio aos estrangeiros.
A parte (quase) cómica desta questão, como bem notou alguém num blog a que não posso fazer a justiça de citar, por ter deixado “escapar” o nome... é que este grito, este “estado de alma” contra o excesso de estrangeiros em território gaulês, vem de um homem de nome Sarkozy, filho de emigrante húngaro e de mãe de orígem grega/judaica, que já foi casado com uma mulher de origem espanhola e, presentemente, com a manequim e cantora Carla Bruni, uma italiana.
Citando José Mário Branco,
“Os homens pequenos
quando são demais
não fazem por menos
tornam-se fatais
Vão por mim, que o vivi”
(“Eram mais de cem”, in “Resistir é vencer” – 2004)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cavaco Silva – Cego, surdo... e medo


À falta de melhores argumentos, Cavaco Silva optou por voltar a tentar assustar os eleitores. Segundo o candidato, se os portugueses não o elegerem já, na primeira volta, os juros da dívida vão aumentar, o deficit vai disparar, a nossa vida vai piorar, o leite das vacas vai azedar ainda dentro das tetas, ou, como disse Brecht, o trigo vai crescer para baixo.
É como se não tivesse tido ecos da onda de indignação que esse “argumento” rasteiro, antidemocrático, passadista, bafiento e batoteiro, provocou no seio das restantes candidaturas e, de uma forma geral, nas mentes esclarecidas.
Poder-se-ia pensar que é por ser extensamente estúpido; não deixa de o ser... mas essa não é a principal razão. Mesmo sendo verdade que a inteligência não é o seu forte, esta manobra deve-se fundamentalmente ao facto evidente de o cavacal candidato ser, bem à imagem dos seus "argumentos", rasteiro, antidemocrático, passadista, bafiento e batoteiro. Há muitos anos.

Manuel Alegre... e a flor frágil


Talvez para compensar a traiçãozeca barata de Correia de Campos, que apoia publicamente a cavacal estabilidade” – vê-se que o ressabiado ex-ministro nunca perdoou a Alegre os reparos à sua ofensiva contra o Serviço Nacional de Saúde – parece que, finalmente e mesmo na recta final, a candidatura do poeta de Águeda tem o impulso que lhe estava a faltar. Chegou sob a forma do fantástico e avassalador apoio do PCTP-MRPP... um apoio entusiástico... daqueles militantes e simpatizantes que ainda não arranjaram “colocação” em altos cargos no PPD-PSD ou no PS... obviamente!
Com este novo impulso, Alegre encontrou inspiração para produzir e declamar mais uma daquelas frases que vale a pena recordar: 

«A Democracia é uma flor frágil!»...  ágil...  ágil...  ágil...  (as frases de Alegre têm sempre muito eco).
Pois é, caro Manuel Alegre. Isso é bem verdade... e pouca ajuda têm dado os destratos cometidos pelas várias levas de políticos e, sobretudo, as suas políticas, que tens apoiado e com as quais tens privado bem de perto ao longo das últimas décadas.
Tens razão, poeta. A Democracia é, o mais das vezes, uma flor frágil, pontapeada por gente que não é flor que se cheire!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011 – A semente está lançada


Havia confiança. Pressentia-se que o comício-festa do Teatro Garcia de Resende iria ser bom. E foi! Foi a derradeira grande iniciativa, em Évora, desta campanha que levou Francisco Lopes a todo o país.
A semente foi lançada à terra, como já antes tinha sido e como continuará a ser. Algum dia será a hora certa para colher os frutos, frutos de que este país bem precisa.
Sem “carga nas pilhas” para muito mais post... deixo aqui as palavras que entendi acertadas para apresentar o “meu” candidato perante as centenas de pessoas que encheram a sala. Para discurso num comício... é curto (como todos os que fiz). Para um post... será, muito provavelmente, longo...

Amigas e amigos
Enquanto mandatário da candidatura de Francisco Lopes, nesta derradeira grande ação de campanha aqui em Évora, quero dirigir algumas palavras de apreço pelo empenhamento e entusiasmo de todos aqueles fizeram este caminho.
Quero agradecer ao Francisco Lopes a verticalidade, a clareza, a força, o brilho com que animou esta campanha. Não porque não fosse exatamente isso o que dele se esperava... mas por nós. Porque todos chegamos ao fim desta etapa da luta, publicamente honrados e prestigiados pelo seu trabalho.
Quero igualmente dirigir algumas palavras aos restantes candidatos, principalmente para lhes dizer que já vão tarde. Apenas a dois dias do fim da campanha para a primeira volta destas eleições, já vão tarde para mudar alguns dos aspectos distintivos das suas campanhas.
José Manuel Coelho já vai tarde para conseguir achincalhar ainda mais com os seus números de circo, um acto que devia ser encarado por todos como um momento de dignidade e exercício democrático esclarecido.
Fernando Nobre já vai muito tarde para fingir alguma espécie de competência para o cargo iminentemente político a que concorre, com um discurso antipolítica, antipolíticos e contra os partidos, um discurso que vai mal com a sua figura. Um discurso que vai bem melhor na boca de candidatos populistas de direita, desejosos de ditar os seus moralismos e interesses... e deles fazer lei.
Manuel Alegre já vai tarde para ainda conseguir desfazer o imbróglio da insanável contradição entre a sua retórica e a sua prática de anos, entre a sua ambição pessoal e o calculismo político daqueles que o apoiaram... ou fizeram de conta que apoiaram.
Defensor Moura já vai tarde para conseguir fixar os votos de alguns dos seus companheiros do PS, descontentes com Alegre, pois esses há muito estão decididos a votar na direita, ou estão mesmo nas Comissões de Honra de Cavaco Silva... tal como muitos dos supostos apoiantes de Alegre.
Cavaco Silva, esse já vai tarde para conseguir evitar, cada vez mais, parecer aquilo que realmente é. Já vai tarde para nos convencer de que está com a verdadeira democracia e com Abril... nem que agora, ao fim de 37 anos, ponha finalmente um cravo na lapela.
Companheiras e companheiros,
Vamos votar Francisco Lopes porque é o único candidato que, como já disse noutra ocasião, se apresenta nesta campanha presidencial, de consciência e mãos limpas. É o único candidato que nunca vimos pactuar com a política de direita que nos tem desgovernado durante décadas. É o único candidato que pode (e quer) contribuir com a urgente ruptura com estas políticas e com a mudança de rumo necessária.
Estamos com o projeto político de onde nasce esta candidatura. Vamos votar Francisco Lopes, porque gostamos dele, porque gostamos de nós, porque gostamos do nosso país!
Vamos votar Francisco Lopes, porque é preciso que os poderosos saibam que nós sabemos, que esta vida não é uma fatalidade, que queremos outro futuro para os nossos filhos, que esse futuro é possível, que não nos calamos, não ficamos em casa e que, mais cedo do que tarde, poderemos virar a mesa e mudar a História.
Quase todos os analistas, politólogos e comentadores tentaram questionar a figura do nosso candidato, o seu perfil, a sua preparação política. Todos questionaram a oportunidade e o acerto da decisão do PCP ao escolhê-lo para esta tarefa... tarefa que é um passo mais na luta que vai continuar no dia 24, 25, 26...
Também esses já vão tarde para emendar a mão, tal é a evidência de quanto se enganaram, tal é a dimensão desta campanha e a indiscutível legitimidade da candidatura de Francisco Lopes, assim como dos votos que lhe há de dar o nosso povo.
Não quero pôr palavras na boca do meu candidato, mas vão muito bem com ele as palavras do nosso poeta de Abril, Ary dos Santos, quando disse:
          “Aqui ninguém me põe a pata em cima
          porque é de baixo que me vem acima
          a força do lugar que for o meu!”

Viva a candidatura de Francisco Lopes!
Viva Portugal!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011 – O seguro morreu de velho


Segundo leio, o julgamento de Oliveira e Costa & Cia, já iniciado, mas apenas com pouco mais do que as identificações dos acusados, deveria continuar esta quarta-feira... mas foi adiado para o próximo dia 24 de Janeiro.
Convém destacar dois pormenores:
1. Oliveira e Costa, manda chuva do BPN, está, com os restantes arguidos, a responder pelo roubo e “desencaminhamento” de vários milhares de milhões de Euros... que vamos, entretanto, começar a pagar do nosso bolso.
2. Cavaco Silva apressou-se a viabilizar a “nacionalização” do roubo, deixando de fora todos os ativos da SLN, dona do BPN, ativos que bastariam para cobrir e pagar os crimes dos seus gestores.
3. Muito embora a notícia do adiamento venha recheada de justificações, não posso deixar de reparar na feliz coincidência de o julgamento ter sido adiado exatamente para o dia 24 de Janeiro... imediatamente o dia seguinte à eleição para Presidente da República.
Depois de não ter resistido a copiar a famosa técnica expositiva do inefável Ângelo Correia, anunciando dois pormenores e depois enunciando três, não posso deixar de estar de acordo com o adiamento da próxima sessão do julgamento para o dia 24. Absolutamente de acordo!
Já imaginaram o possível incómodo de, fazendo a coisa amanhã, haver algum procurador, ou advogado, que começasse a interrogar o Dr. Oliveira e Costa sobre isto e aquilo... ações do BPN não cotadas em Bolsa, mas que rendem em apenas um ano, mais de 140 por cento? A fazer perguntas sobre financiamentos da "cavacal" Campanha Presidencial de 2006? A querer deslindar a real dimensão do notável sacrifício pessoal suportado por Dias Loureiro, sempre dividido entre a apresentação da biografia e elogio público de Sócrates, "O menino de ouro do PS", a participação activa nos negócios escuríssimos do BPN e as reuniões do Conselho de Estado? A tirar nabos da púcara, sei lá... sobre as vizinhanças e várias questões mais nebulosas que pairam sobre uma certa Aldeia da Coelha?
E se Oliveira e Costa, num súbito momento de grande parvoíce, desatasse a responder? Já imaginaram?
Ora isso, para além de “campanha suja”, “vil baixeza”, “campanha de calúnias”, etc., etc., etc... seria uma grande chatice!!!


Adenda: 
A pergunta feita pelo primeiro comentador, não podia ser mais pertinente. "E se houver segunda volta?"
Simples! A gata do juiz tem um enfarte do "mio"cárdio, o José Mourinho diz qualquer coisa, aparece alguém suicidado num hotel (mas desta vez, em Paris), sei lá... mas adia-se. Adia-se!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Cavaco Silva – Sem um pingo de vergonha


Num regresso a casa, entre a meia noite e as (quase) cinco da manhã, como se não bastasse o constante nevoeiro cerrado, ainda fui agredido pela “comovente e cavacal preocupação” do candidato Aníbal, dizendo admitir que «possa ter havido alguma injustiça nos cortes salariais na função pública», avançando logo de seguida e sem um pingo de vergonha na cara, para a comparação com os poderosos que não foram afetados.
Embora admirando a rapidez dos assessores de Alegre na resposta a Cavaco Silva, não precisei de ouvir essa resposta para imediatamente me recordar do tempo em que o primeiro ministro Cavaco dizia que a única solução para o problema do “excesso” de funcionários públicos... era esperar que eles morressem!
Também fiquei bastante enternecido com a notícia do seu desejo (súbito) de que se crie um “ministério do mar”. Andou bem Francisco Lopes, lembrando que “ministérios do mar há muitos”... que o que é importante é saber para que são usados, aludindo ao facto histórico da responsabilidade de Cavaco Silva na destruição da nossa frota pesqueira.
Enquanto o meu candidato lembra que “ministérios do mar há muitos”... eu, que não sou uma pessoa tão atinada como ele, não resisto a ficar a pensar em Vasco Santana... em chapéus...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Viseu – Tanto caminho andado!


À hora a que o “blogger” se encarrega de fazer a pré programada publicação deste post, estou em viagem para a belíssima cidade de Viseu. Vou servir-me do pretexto das canções para fazer um intervalo de algumas horas na campanha de Évora, onde sou mandatário, fazendo companhia ao companheiro de muitas músicas, Sérgio Ribeiro, também ele mandatário, mas em Santarém.
Vamos falar e cantar sobre coisas que os amigos de Viseu estão interessados em debater e conversar. Vamos fazê-lo numa terra que, juntamente com outras, foi ganhando o estatuto de território impenetrável à mensagem que transportamos... o que não é verdade. A luta diária e corajosa dos muitos amigos que ali nos vão receber, prova que é apenas terreno mais agreste... que, como se sabe, por vezes produz os melhores frutos
Já morei em Viseu por duas vezes. Da primeira vez “andava” ainda ao colo... da segunda já era um rapaz "crescido", para aí com quatro ou cinco anos. Ficaram-me impressas na memória muitas “fotografias” de mim próprio e de pormenores fantásticos da cidade, como esta Porta dos Cavaleiros, do Parque do Fontelo, da Cava do Viriato, dos cisnes brancos do, então, novíssimo Parque da Cidade, da minha velha casa com uma parede feita em "escamas" de lousa, de outra, apalaçada, que tinha muitas carantonhas de pedra, da fantástica Rua Direita com as suas milhentas lojinhas e enormes lages de granito... pormenores que fui tentando revisitar, sempre sem grande tempo para o fazer, nas poucas vezes em que passei pela cidade ao longo de todo este tempo que me separa da infância.
Fica sempre a curiosidade... quem terá mudado mais?

Visão... ou estrabismo?


Afinal não saiu! Mas o melhor é começar pelo princípio...
Esperei até ontem, quinta-feira, para ir buscar o exemplar da revista “Visão” e poder, finalmente, escrever sobre o número da semana anterior. Nesse número, com uma bonita capa alusiva aos alimentos “tal e coisa”, ao abrir-se a revista caía-nos ao colo, ou aos pés, um “encarte” de 24 páginas, ou seja, um caderno extra inteiramente dedicado à AMI, às obras, às causas e às missões da AMI por esse mundo fora, com apelos de apoio e amizade para com a AMI, muitos depoimentos, recrutamento de voluntários... e, logo a abrir, um vasto artigo escrito pelo Dr. Fernando de La Vieter Ribeiro Nobre, fundador e presidente da AMI, mais conhecido como Dr. Fernando Nobre e agora, candidato ao cargo de Presidente da República.
Ora aqui está uma coincidência linda! – disse eu para os meus botões. Agora seria igualmente uma coincidência deslumbrante, se a “Visão” resolvesse, para a semana - continuei eu a chagar os pobres dos botões – publicar um encarte com a história do PCP, do movimento operário e das lutas camponesas, ainda do tempo da resistência ao fascismo, falando do seu papel na Revolução de Abril, das fantásticas conquistas que se obtiveram, sempre lado a lado com os seus dirigentes e militantes, da “mais bela conquista da Revolução”, a Reforma Agrária, etc., etc... da firmeza sem desvios com que tem sabido resistir à violenta contra revolução iniciada por Soares, que no caso da Reforma Agrária, chegou mesmo a implicar o assassínio de trabalhadores, da firmeza com que tem lutado na Assembleia da República, propondo, trabalhando e batendo-se, palmo a palmo, até pela Constituição, numa luta de décadas que desemboca, naturalmente, na candidatura patriótica e de esquerda de Francisco Lopes.
Afinal não saiu! Não saiu... e fica a dúvida sobre se o que saiu na semana passada foi uma coincidência, se foi oferecido, se foi pago, se foi um acidente...
Já sobre um trabalho que sai na revista desta semana e que leva por título "A aldeia do cavaquistão"... estou certo de que, depois de uma leitura atenta, ainda viremos a falar.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Defensor Moura – Humor é fogo que arde...


Durante o jantar, entre vários assuntos noticiosos uniformemente irrelevantes, ouvimos subitamente o sentido lamento do candidato Defensor Moura aos jornalistas. Comentando o facto de, nesta campanha, se sentir um homem só, justificou-o pela evidência de não ter aparelho.
É verdadeiramente lamentável... com tanto dentista que anda por aí, não haver pelo menos um que acuda ao candidato!
Observações:
2. Prometo que dentro de segundos continuarei a pensar na campanha presidencial com a seriedade que me é exigível.
3. Juro que só havia duas pessoas à mesa... e não fui eu que me saí com esta do "aparelho".

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Manuel Alegre – Diligente...


Enquanto uma grande parte dos portugueses já sente na pele o essencial das medidas “à FMI” impostas pelo governo de Sócrates, tanto este como o indigente que lhe quer tirar o emprego, vão convocando o nome dessa “temível” instituição, para melhor fazer o povo engolir os sacrifícios que tem de suportar.
A uns e a outros dará muito jeito ter à mão essa «sigla para desculpabilização» - como muito bem lhe chama o meu candidato, Francisco Lopes - quando chegar a altura de apresentarem facturas ainda mais pesadas para os trabalhadores pagarem.
Nesta dança de palavras e jogos de poder de entra FMI, não entra FMI, pede-se ajuda externa, não se pede ajuda externa... o candidato Manuel Alegre sai-se com uma tirada digna do melhor teatro amador de colectividade de bairro:
Já que entrámos num registo de filme de cowboys, enquanto os dois decidem se fazem ou não fazem as “diligências”... eu fico do lado dos “índios”. Cá por coisas...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

José Mourinho, Jerónimo de Sousa... e eu...


Ufff! Já está! Aos primeiros segundos deste dia, quando o post vai para o ar, posso finalmente ir dormir descansado. José Mourinho é o “máior” do mundo! Copiando um grande do futebol, “do mundo e, possivelmente, até da Europa”...
Agora o que não sei é se tanto eu, como o próprio Jerónimo de Sousa, conseguiremos arranjar alguma coisa mais atual, mais ligada aos problemas reais, mais importante, vá... para servir de assunto às conversas que vamos ter com as várias centenas de pessoas com quem iremos conviver e trocar opiniões, ao longo de todo o dia, nas nossas sete iniciativas de campanha programadas entre as dez da manhã e o jantar com apoiantes de Francisco Lopes.
Sim, leram bem! Sete iniciativas! Começamos em Évora, falando e, sobretudo, ouvindo falar de cultura, no Polo de Artes da Universidade, acabando no Alandroal, num jantar/convívio. Pelo meio, sem paragens, há encontros com trabalhadores, em vários dos seus locais de trabalho, um almoço com as maiores e mais injustiçadas vítimas deste governo, os reformados, e contactos com a população em alguns diferentes locais do distrito, como Arraiolos, Igrejinha, Redondo...
Será um grande dia" (e, pelo menos, Jerónimo e eu poderemos ficar a conhecer-nos bem melhor!)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011 – Francisco Lopes – Grande trabalheira aí vem!



"Francisco dá esperança à ruptura e à mudança"

Parabéns a quem produziu mais esta palavra de ordem! Certamente conscientes de que a ruptura e a mudança não se vão operar no próximo dia 23 ou 24, seja qual for o Presidente eleito, sendo mesmo que, para além do nosso candidato, apenas há quem “garanta” a continuidade e a deterioração da presente situação, esta é uma palavra de ordem para fixar e colocar em prática nas lutas que se seguirão à eleição, eleição e respectiva campanha que representam apenas uma página mais na luta que temos que travar por um país melhor. Para já, a batalha é esta: levar Francisco Lopes a uma votação que, contra ventos e marés, possa refletir alguma coisa do que é o empenhamento do candidato, dos seus apoiantes e, sobretudo, da justeza das suas propostas para Portugal. Uma votação que honre todos os que não se revêem nesta política de desastre.

Passada a fase em que Francisco Lopes foi dado como “desconhecido, apagado, sem perfil, incapaz de enfrentar os adversários”, passamos agora à segunda fase, tal foi a abada com que o nosso candidato os presenteou nos debates e entrevistas. Essa segunda fase resulta de um treino já com muitos anos, por parte da comunicação social, sempre que se trata de divulgar as nossas iniciativas: esconder, ignorar, deturpar e, no limite, mentir descaradamente e enganar os leitores e telespectadores.

Se é certo que nos próximos quinze dias será grande e duro o trabalho dos apoiantes de Francisco Lopes, não posso deixar de “admirar” a gigantesca trabalheira que vão ter esses órgãos de comunicação para esconder tudo o que vamos fazer e dizer, de norte a sul do país. Não se pouparão a esforços, apenas mostrando o que for inevitável ou incontornável, tão inevitável e incontornável quanto pode ser um comício como este do Palácio de Cristal no Porto, com cinco mil pessoas, o que é uma "coisa" sempre difícil de esconder. Tudo o resto será, ou ignorado, ou terá direito a umas linhas, de preferência sem fotografia, ou se tiver que ter fotografia, uma de ângulo bem apertado... mostrando quatro ou cinco idosos.

Teremos pois trabalho em triplicado! Estarmos disponíveis para dar o melhor nas nossas iniciativas de campanha, atentos para denunciar os boicotes e deturpações e ainda, pelo menos alguns de nós, como eu, para lamentar a posição de tantos e tantos trabalhadores de jornais e televisões, que um dia decidiram fazer a sua vida como verdadeiros jornalistas, mas que entretanto, por qualquer razão... “desistiram”.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011 - Francisco Lopes - Começa a campanha




Fazendo o possível por passar ao lado do “embaraço” de participar em tarefas de distribuição de materiais de campanha, do tamanho de jornais, onde a minha cara vem estampada de lés a lés, ainda que (felizmente para toda a gente!) na última página, quero assinalar o início da campanha apenas com a meia dúzia de palavras que alinhei para o documento que podem aqui ver e ler em tamanho ainda maior se “clicarem” em cima da imagem.

Hoje é domingo, dia de música. Convidei os grande “Inti-Illimani” e a sua fantástica “Canción del poder popular”, composta para a campanha presidencial de Salvador Allende, que depois de eleito pelo povo chileno, viria a ser assassinado em 1973, pelos EUA, que recorreram ao seu lacaio e traidor de Allende, Augusto Pinochet.

Exatamente por isso, sempre que a cantei nas nossas festas de liberdade, depois de Abril – e tantas vezes a cantei! – era inevitável o embargo na voz e o marejar dos olhos... até hoje.

Eu sei, eu sei que vivemos noutra época, noutra latitude, no seio da União Europeia... onde todos nos “garantem” que nada do que aconteceu no Chile de Allende nos poderá acontecer.

Ah... mas se eles pudessem, meus amigos! Se eles pudessem...

Que melhor forma de participar nesta campanha, senão com uma canção na garganta?


          "Porque esta vez no se trata 
          de cambiar un Presidente,
          será el publo quien construya 
          un Chile bien diferente."

Bom domingo!

“Canción del poder popular” – Inti-Illimani
(Inti-Illimani)



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Se eu podia viver sem esta novela das ações do Cavaco? Podia...




A esta altura do campeonato já os “spin doctors” que rodeiam o cavacal candidato vigiam todos os seus ais e uis... não vá ele cometer o grande descuido de responder mesmo a alguma das perguntas que lhe fazem. A partir de agora não lhe veremos mais do que aquela cara de vítima, rouquejando uns “não respondo a campanhas sujas” ou “ai mas que vil e baixa política”. Seja lá o que for que tem para esconder (e deve ter!), Cavaco já decidiu capitalizá-lo a seu favor, interpretando o papel de virgem ofendida.
Entretanto, é verdade que toda aquela corja de delinquentes que roubou milhões e desbaratou outros tantos, no BPN, saiu dos seus ministérios e secretarias de estado.
Entretanto, é verdade que o Loureiro a que só falta ser Valentim, tinha o rabo sentado no Conselho de Estado, ao mesmo tempo que chafurdava no lamaçal dos negócios do BPN/SLN.
Entretanto, é verdade que, quer queira quer não, a cavacal figura foi colocar parte do seu dinheiro a render naquela pocilga, em ações que (diz quem sabe) não estavam no mercado bolsista e que, assim que a coisa aqueceu, saíram das mãos do cidadão Aníbal a toda a velocidade e, numa altura em que na bolsa e fora da bolsa, as empresas e os investidores, andavam a perder dinheiro, mesmo assim conseguiu ver as suas ações-maravilha valorizadas em quase 150 por cento.
Entretanto, é por demais evidente que a maneira correcta de colocar a questão das responsabilidades políticas de Cavaco no caso BPN foi a usada pelo candidato do PCP, Francisco Lopes, aliás, o primeiro a trazer este assunto para a campanha, tendo-se seguido todos os outros... até se acabar nesta gigantesca manobra de diversão, entre Alegre e Cavaco, como muito bem lhe chama o próprio Francisco Lopes.

Foi patético ver ontem ao fim da tarde o antigo “ajudante” de Cavaco, Eduardo Catroga, que pelo meio da azáfama de estar envolvido em administrações e direções de múltiplas empresas, ganhando com isso muitos milhares de euros por mês, maquia a que ainda se vê obrigado a fazer o sacrifício de somar mais alguns milhares da sua pensão de reformado... conseguiu mesmo assim ter tempo para ir negociar com o Governo, em representação direta de Cavaco Silva, o orçamento da recessão e do roubo dos salários e pensões dos trabalhadores, foi patético, dizia, ver esta figura na televisão, na posição de comentador, justificando a posição de Cavaco e dos seus negócios, como perfeitamente naturais e, à repetida questão de quem raio comprou as famosas ações do Presidente, responder que é perfeitamente natural que não se saiba. «Eu próprio - disse – tenho dinheiro aplicado nos bancos, em vários produtos financeiros... e não sei a quem eles os compram, nem a quem os vendem!»
É precisamente este o aspecto central desta questão. A face abjecta deste jogo financeiro de casino. O coração podre deste capitalismo sem pátria, sem cara, sem honra, em que o investidor apenas quer “o seu”, pouco lhe importando aonde é que “os mercados” o vão buscar... seja ao negócio de armas que matam por todo o mundo, seja ao tráfico de droga que mata até os seus filhos, os seus netos e os seus colegas de escola, seja à lavagem de dinheiro proveniente dos negócios mais nojentos.
Se questionarmos o “investidor” sobre as origens do seu dinheiro, dirá exatamente: “Não sei a quem compro, nem a quem vendo!”, ou então dirá que não responde a “campanhas sujas”... nem a mais nada. Compreende-se!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Manuel Alegre – Como uma corrente... alterna *


Durante os próximos dias e até ao dia das eleições, dificilmente terei vagar para perder tempo com o que se passa nas outras campanhas... a menos que alguém se lembre de produzir algum facto extraordinário... ou que me apeteça. Estas notícias sobre a campanha de Manuel Alegre, não sendo extraordinárias, são, no limite, cómicas.
Ficamos a saber que nas dezenas de iniciativas de campanha do candidato do PS e do BE, haverá participação de dirigentes dos dois partidos, incluindo José Sócrates e Francisco Louçã... só que estes nunca se encontrarão numa mesma iniciativa, numa espécie de coreografia... alterna. Quanto aos restantes dirigentes dos dois partidos que usarem da palavra antes do candidato, ninguém sabe muito bem por que ordem o farão, como nos diz um responsável da campanha de Alegre, refugiando-se no humor (e com graça, diga-se!), quando diz que, no limite, será uma questão de «moeda ao ar».

Chamo novamente a atenção para a notícia do primeiro link, sobre os "desencontros" de Louçã e Sócrates, onde alguém, na redacção da "Bola", diz que «a novidade é a ausência de Mário Soares, o líder histórico dos socialistas, que não vai, assim, marcar presença na campanha de Alegre»... o que me leva a pensar que: 1. O jornalista estava com os copos. 2. O jornalista tem vivido muito longe, nos últimos anos... e sem internet. 3. O jornalista tem um sentido de humor assaz tortuoso. 
Viva pois a campanha do meu candidato, Francisco Lopes, em que, quando podemos aparecer todos juntos, amigas, amigos, PCP, PEV e independentes... isso é uma alegria e nunca, mas mesmo nunca um embaraço!
* Corrente alterna é uma corrente eléctrica cujo sentido varia no tempo… mas, dizem-me, pelo menos na electricidade parece que isso é uma coisa boa...