“Tu que crês num mundo maior e melhor
Grita bem alto que o céu está aqui
Tu que vês irmão, só irmãos em redor
Crê que esse mundo começa por ti
Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio
Nem é preciso que saiba cantar”
(Excerto de “Cantiga para quem sonha” – Leonel Neves/João Gomes)
Partiu o Luiz Goes. Deixou-nos a memória das suas cantigas coimbrãs e da sua emocionante e emocionada voz clara.
Na última vez em que cantámos juntos, numa homenagem ao José Niza, em Santarém (com o José Niza presente), apesar dos setenta e tantos anos, ainda terminava a sua “Cantiga para quem sonha” com um final corajoso e irrepreensível, uma oitava acima do normal, para “inveja” dos colegas.
Conheceu-me junto ao Zeca, ainda nos meus vinte anos e não sei o que captou da relação dele comigo, que o fez continuar sempre a tratar-me como se eu fosse eternamente aquele miúdo que precisava de ser acarinhado, provavelmente, por ousar cantar “aquelas coisas deles”.
Cantava que “É preciso acreditar que a canção de quem trabalha é um bem pra se guardar”. Pelo menos alguns de nós acreditámos... e acreditamos!
Até sempre, Luiz!
“Cantiga para quem sonha” – Luiz Goes
(Leonel Neves/João Gomes)
(Leonel Neves/Luiz Goes)






