segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Assunção Cristas – É cá uma fezada...




Se vier a verificar-se que a ministra da Agricultura se prepara para, recorrendo não se sabe bem a que expedientes, tirar terras a pequenos agricultores e silvicultores, para as colocar nas mãos da indústria do papel, ou outras... tem muita razão o presidente da CNA. A ministra estará a comprar uma guerra dura.
Afinal, parece que Assunção Cristas anda mesmo a “pedir chuva”... só que não será exactamente a que esperava...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Cyril Mokaiesh - Não é lá muito “chic”... mas sou comunista



“Não é lá muito “chic”... mas sou comunista
Nada de muito heróico... mas ainda assim...”

É, salvo melhor e mais aturada tradução, o que diz este jovem artista francês, de seu nome, Cyril Mokaiesh. Depois vai por aí fora, desfiando uma letra poderosa que vale a pena ler.
Decididamente... não é lá muito normal nos dias que correm. Dizem-nos experiências bem recentes que aquilo que mais se vê é os “xutos” e as “deolindas” deste mundo, ousarem umas cantigas ao sabor da corrente contestatária... e logo a seguir, provavelmente aterrorizados com as resmas de contratos que viriam a perder de norte a sul (muito mais a norte!), darem praticamente o dito por não dito, pedirem calma a toda a gente, que aquilo não é bem “canção de intervenção”, que “não senhor, nós não fazemos canções políticas”, “deixem-nos lá ir à nossa vidinha”... sendo que no caso dos tais “xutos”, não demorou muito até um deles estar na mesa dos apoiantes do mesmíssimo “sr. engenheiro” a quem tinha dedicado a tão aclamada cantiga. Já da cantiga dos outros... praticamente nunca mais se ouviu falar.
Portanto, como ia dizendo, não é lá muito normal aparecer assim do nada um rapagão como este Cyril Mokaiesh, cantando (muito) alto e bom som que é comunista, indo explicar a coisa a tudo o que é lugar, pronunciar-se nas colunas do jornal “L’Humanité” e ir cantar à famosa Festa do dito... tudo quase de um fôlego e perante o espanto generalizado.
O nome deste jovem foi-me soprado por um comentador aqui mesmo, na semana passada. Em boa hora!
Lá na terra dele, já dizem que ele mistura elementos de Brel com Léo Ferré, que as suas canções são assim e assado... confesso que me falta ouvir mais para saber se é assim. Por agora, sei que gosto de o ouvir dizer que é comunista. Assim tão alto. Assim tão bem. Assim tão contra a corrente.
E vocês... o que acham?
Bom domingo!
“Communiste” – Cyril Mokaiesh
(Cyril Mokaiesh)



sábado, 25 de fevereiro de 2012

Pai e mãe é quem cria, educa e dá amor!


Nunca tive a ambição, ou sequer interesse, em exercer as funções de deputado.
Ontem, no entanto, tive pena de não ter podido estar no Parlamento, para votar com o Partido Ecologista os Verdes (e com o BE).
Porque me sentiria de bem comigo próprio... e porque acredito que se todos os avanços civilizacionais tivessem que esperar até estarem “amplamente discutidos e sedimentados na sociedade”, dificilmente se avançaria um passo que fosse.
Que venha então rapidamente essa discussão!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Álvaro Santos Pereira – E se fosse gerir a carreira da...




Imagina-se que para um ultraliberal acreditar que uma sociedade pode mesmo funcionar na exclusiva base do lucro, numa lógica em que tudo é um negócio, mesmo as necessidades mais básicas dos cidadãos... algo tem que estar gravemente avariado no seu cérebro.
De facto, não se vê como é que alguém, na posse de todas as suas faculdades, possa achar normal entregar aos privados todos os cuidados de saúde, educação, transportes, assistência social, gestão de reformas e pensões, etc., colocando a vida de milhões de seres humanos nas mãos de gente motivada apenas pela quantidade de dinheiro que possa acumular à custa das necessidades e fragilidades alheias. E acreditar que isso vai dar certo.
Só que há ultraliberais que vão mais longe. Conseguem afirmar todos os princípios que atrás enunciei... mas com frases e rótulos típicos de verdadeiros débeis mentais. É o caso do nosso genial ministro da Economia, para os mais chegados, “o Álvaro”.
Conseguiu, sem se rir com aquela cara de parvalhão com que a Natureza o castigou, afirmar que os desempregados (lembremos que já são mais do que um milhão) passarão a ter nos Centros de Emprego, não funcionários públicos motivados e empenhados em fazer os possíveis por ajudar a encaminhar os seus casos desesperados, mas sim... «Gestores de Carreira».
Isto é, ou não é, gozar com a cara das pessoas? Isto mereceria, ou não, uma resposta, curta, grossa e adequada?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Olá, Zeca!




 Na passagem destes vinte e cinco anos, quero dizer-te (entre tantas coisas que não é preciso dizer) que sempre conseguiste deixar-me arrepiado com a interpretação desta tua música que hoje aqui lembro. A demolidora garra e concentração com que te empenhaste em transformar a tua interpretação deste poema de Jorge de Sena... numa espada. Brilhante. Necessária. Com o som que produzem só algumas (muito raras) espadas.
É uma interpretação inultrapassável, servida genialmente pela desconcertante simplicidade do acompanhamento da viola do Bóris. Canto-a muitas vezes ao vivo, acompanhando-me à viola, sozinho. Porque é importante que se ouça... e também para provar exactamente o que acabo de dizer sobre a tua "versão".
Fazes-me falta, amigo! Para tudo... e para renovar o repertório de apresentações em frases curtas, entre cantigas... que fazias tão bem. Até o humor meio surreal com que temperavas esses intervalos me dá ainda combustível para o caminho.
Vemo-nos um destes dias... mas dá-me mais vinte e cinco anos, para além destes que já passaram, pois tu é que partiste cedo demais, meu sacana!

"Epígrafe para a arte de furtar" - José Afonso
(Jorge de Sena/José Afonso)



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Por’ca’fé é que nos salva...


«Devo dizer que sou uma pessoa de fé, esperarei sempre que chova e esperarei sempre que a chuva nos minimize alguns destes danos. Como é evidente, quanto mais depressa vier, mais minimiza, quanto mais tarde, menos minimiza. Se não vier de todo, não perderei a minha fé mas teremos obviamente de atuar em conformidade».
Já qu’a’fé é que nos salva, aqui temos uma ministra da agricultura tentando resolver o problema da seca… com fé.
Já tínhamos políticos que, misturando convicções religiosas com assuntos de Estado, não se coíbem de dizer “se Deus quiser” a toda a hora. Vemos agora Assunção Cristas rezando para que chova… e não faltará muito para ouvirmos o ministro das Finanças exclamando “valha-me nossa senhora!” sempre que falar das contas públicas, ou Passos Coelho rogando “pai, afasta de mim esse cálice” de cada vez que for vaiado nas ruas.
Se estão à espera de que eu, parafraseando também o próprio Cristo, lhes retribua as referências religiosas com um “perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, podem ir esperando sentados.
Primeiro, porque não estou muito dado ao perdão.
Segundo, porque eles sabem muito bem o que fazem!

João Proença – O buraco é mais em baixo...


Enquanto PSD e CDS-PP insistem na triste figura de vassalos que querem “ir mais longe” do que lhes é exigido.
Enquanto o PS faz de tudo para parecer que se opõe à troika e ao pacto de agressão aos trabalhadores, que ainda há poucos meses assinou, com o qual (afirma Seguro) tem «pontos de vista bem divergentes».
Enquanto PCP e BE dizem – e muito bem! – que este programa de austeridade não resulta.
Enquanto a própria troika declara que não tem a menor intenção de renegociar seja o que for...
...enquanto tudo isso, há um português que vê a luz! João Proença, declara, solene, ter «sentido muita compreensão» por parte da troika para com os problemas portugueses.
Não há dúvida! Sempre que se pensa que este homem já bateu no fundo... ele encontra sempre maneira de descer mais uns degraus da sua longa escadaria rumo à irrelevância, ao ridículo, à abjecção, à rendição total.