sábado, 16 de novembro de 2013

Rumo a Paris...


Álvaro Cunhal teve uma breve, mas intensa relação com Paris. Ou melhor, com alguns seres humanos que, nessa altura habitavam Paris, uma cidade em que se respirava a liberdade que em Portugal ainda não passava de um projecto dolorosamente trabalhado e incansavelmente sonhado... liberdade da qual, convenhamos, mesmo estando em Paris não podia desfrutar abertamente, já que os olhos e ouvidos da PIDE se encarregavam de vigiar de perto aqueles que tinham emigrado, fosse por razões políticas, fosse apenas para matar a fome.
Dessa “vida de Paris” de Cunhal, vida tão menos dourada do que a de outros conhecidos exilados, não posso falar, por assumida “incompetência” para o fazer. Outros amigos, nomeadamente os companheiros do outro blog onde estas letras serão também publicadas, têm certamente um mundo de estórias e História para partilhar sobre o tema.
Pela parte que me toca, folgo em saber que foi ali criado “Le Cercle Álvaro Cunhal” que, entre outras iniciativas, promove um encontro de dois dias, a começar hoje mesmo e a acabar amanhã, Domingo 17, encontro/convívio onde se lembrará o exilado, o lutador anti-fascista, o político, o artista... o amigo comum.
Como podem ver no programa "afixado" aqui em cima, amanhã, Domingo, haverá um “déjeuner convivial (gastronomie portugaise). Mesmo atendendo a que o “Palais des Congrès de Nanterre” fica um pouquinho fora de mão... como resistir a um almoço assim?
Lá estarei, se tudo correr de forma tecnicamente escorreita! Parece que a seguir também haverá umas canções…

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Fim da crise – Não fumo desse tabaco...


E como que num passe de mágica... “op-lá!”... acabou a crise e estamos a crescer!
E dirá algum dos leitores: então Samuel... também é pelo “quanto pior melhor”? Não festejas os números positivos?!
- Não... e também não!
Não, não defendo o quanto “pior melhor”! Nunca festejei. Ponto! Não, não festejo os “números positivos”. E porquê? Porque acho que “quanto pior, pior”... e enquanto tiver discernimento para perceber que uma qualquer melhoria - a dar-se - nos números da economia e do défice e do diabo a sete, foi conseguida com o sangue, suor e lágrimas dos mais indefesos, com o esmagamento de pensionistas e funcionários públicos, com a morte prematura de idosos sem acesso aos medicamentos e tratamentos, com o escorraçar de jovens para fora do país, com um aumento gigantesco do número de desempregados, sendo que metade nem subsídio de emprego já tem... tudo isto enquanto os ricos vão ficando mais ricos, a banca goza de protecção estatal e as grandes empresas fazem acordos milionários para sugar todo o dinheiro que é roubado a quem trabalha… ainda que reconheça os números, não, senhoras e senhores, não festejo porra nenhuma!!!
Mais... estou convencido de que este crescimento mágico é mais um número de vaudeville “martelado”, que serve de tempero para melhor se engolirmos a argamassa nojenta da nova e mais pesada austeridade que vem aí. Anunciada já como definitiva, quando todos tinham jurado que seria provisória.
É já história muito antiga. Todas os nossos males são anunciados como “provisórios”, mas, no fundo, todos sabemos que tudo é feito para que se tornem “definitivos”. É o “fado” português!

Pelo menos... enquanto o português for “suave”!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

DCIAP - Ai esta minha ingenuidade!!!...


Fantástico! Sou muito ingénuo! Perigosamente ingénuo, diria mesmo…
Então não é que estava firmemente convencido de que as investigações judiciais e os processos que daí resultam, quer acabem em condenações, quer acabem em arquivamento, tinham como único fim fazer justiça... e não “ajudar a desanuviar” isto ou aquilo?

Vítimas da imbecilidade




Leio que o "CM-Jornal" vai cometer uma série documental dedicada ao fenómeno da violência doméstica, a que resolveu dar o nome de “Vítimas do amor”.
E eu que pensava que alguém que esfaqueia a mulher, ou a espanca regularmente, ou agride verbal e psicologicamente... está a anos luz de qualquer coisa que tenha que ver com amor, antes sendo um criminoso, um sádico, um canalha, um cobarde, um filho da puta que, no limite, não passa de um doente mental... mas, felizmente, quase sempre imputável!
Quase sempre... não estivessem a sociedade, a polícia e até os juízes, nos poucos casos que chegam a tribunal, ainda infectados pela imbecilidade do ditado reaccionário “entre marido e mulher não metas a colher”... o que tantas vezes "justifica" a benevolência com que são tratados os agressores. Isto quando não se chega mesmo a insinuar que a vítima “estava mesmo a pedi-las!”
Quando vemos que ainda há responsáveis por órgãos de comunicação social que acham normal baptizar uma série sobre o tema em questão com um título que remete para o “amor”... vemos quão longe estamos de uma solução para este flagelo social, ou, sequer, de uma discussão decente e consequente sobre o tema!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Pires de Lima – Fascismo económico




Estamos a atingir um nível de abjecção política e humana a que só posso dar um nome: fascismo económico. A bota cardada da finança que mantém aberta, à força, a porta por onde há-de passar, a seguir (se nada for feito urgentemente) o fascismo político puro e duro.
Vem este desabafo a propósito da nova “ideia” do homem dos sumos e das cervejas, hoje de serviço no governo de Passos e Portas. Diz Pires de Lima que quer o “empreendedorismo” como disciplina de ensino obrigatório nas escolas. Quer que os estudantes vão estudar... para “empresários”.
Fantástico! No mundo ideal deste fanático do CDS, inscrevem-se os herdeiros num qualquer colégio finaço, pago com o dinheiro de verbas roubadas à Escola Pública e, para além de umas pinceladas de umas línguas, noções de etiqueta à mesa e aulas de condução de automóveis particularmente potentes, ensina-se-lhes, de uma forma científica, a melhor forma de fundar e gerir as empresas onde hão-de, estudos terminados, explorar os milhares e milhares de seres humanos que não tiveram o privilégio de nascer no seio de famílias ricas ou “nobres”, ou quase “nobres” de tão ricas... e que se ficaram pelas escolas dos pobres.
Ah... não sei se já tinha dito... mas acho mesmo que isto é uma forma de fascismo disfarçado de…

Fascismo económico!

Cónego Melo – Preito de gratidão


Contra uma proposta da CDU que pretendia colocar um ponto final naquela vergonha, o PS de Braga reiterou o seu apoio à permanência, numa rotunda da cidade, da estátua de homenagem ao assassino e mandante de assassinos que dava pelo nome de “Cónego Melo”.
A fazer fé na doutrina religiosa que, entre crimes, o cónego bolçava... deve estar instalado, com honras... no inferno. Ainda assim, deve gostar de constatar a dedicação que, tantos anos volvidos, alguns “socialistas” não lhe negam.
De facto, desde os idos de 1975 que ficou estabelecida a grande dívida do PS àquela figura incontornável do trauliteirismo fascista, com quem Soares (ele próprio o admite nas memórias) fez uma aliança trilateral (na outra ponta do triângulo estavam Carlucci, a CIA e milhões de marcos da Alemanha Federal e coroas da Suécia). De facto, a ajuda do cónego naquela época, dando ordens à “sua” rede de igrejas e capelas para a diabolização dos comunistas por toda a parte em que as populações estivessem sob a pata da Igreja Católica – o que naquele tempo queria dizer quase todo o país – e, na falta de melhores argumentos, organizando e chefiando as quadrilhas de bombistas e incendiários que se encarregaram da perseguição, agressão, assaltos a sedes... e mortes, se “necessário”, foi decisiva para os planos do PS.
A gratidão, quando tão documentadamente justificada, ainda que dirigida a um canalha... é sempre uma coisa muito “bonita”!
Adenda: Claro que poderia tratar-se de uma gratidão apenas local e meramente venal... e isso, sendo muito menos grave, seria ainda mais pateticamente triste.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Ainda o BES – Aleluia!!!


Salgado e Ricciardi entendem-se sobre sucessão no BES – diz a notícia. Aleluia! – digo eu.
Ou seja… os elementos da quadrilha composta pela "famiglia" do BES ergueram os pensamento para o alto, onde habita o seu "deus", deus que se manifesta entre nós, simples pelintras, na forma de notas de 500 (viste-las!), 200 (raríssimas!), 100 (de vez em quando!), 20 e 5 euros… e acharam por bem amainar um pouco as ganas com que andavam de se comerem uns aos outros.

Na verdade, abrindo um parêntesis… alguns elementos e “elementas” já o fazem há muito… que aquilo é gente para quem não há missas que cheguem para lhes arrancar o hábito e a promiscuidade dos vícios privados… enquanto vão exibindo mentirosas públicas virtudes. Fechar parêntesis.
Voltando ao tema... os primos e primas da poderosa “famiglia” Espírito Santo chegaram à conclusão de que a sua “peixeirada”, longe de ter a profundidade filosófica e tradição cultural das peixeiradas levadas à cena num qualquer mercado perto de si pelas verdadeiras e insubstituíveis peixeiras e varinas... era apenas uma parvoíce que, no limite, só lhes faria perder dinheiro.
Perder dinheiro?!!! Sacrilégio!!! E depois como é que a prima (ou lá o que ela é) vai para a Comporta «brincar aos pobrezinhos»?!
Seja como for, passada (oficialmente) a borrasca, quem ficou feliz foram os vários cavalos das várias cavalariças da “famiglia”, que já não se tinham das pernas, tal o pânico.
Pelo menos os cavalos que tiveram a grande infelicidade de ver esta cena macabra do filme “O Padrinho”... e que, compreensivelmente, já andavam de “cabeça perdida”.