quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Cónego Melo – Preito de gratidão


Contra uma proposta da CDU que pretendia colocar um ponto final naquela vergonha, o PS de Braga reiterou o seu apoio à permanência, numa rotunda da cidade, da estátua de homenagem ao assassino e mandante de assassinos que dava pelo nome de “Cónego Melo”.
A fazer fé na doutrina religiosa que, entre crimes, o cónego bolçava... deve estar instalado, com honras... no inferno. Ainda assim, deve gostar de constatar a dedicação que, tantos anos volvidos, alguns “socialistas” não lhe negam.
De facto, desde os idos de 1975 que ficou estabelecida a grande dívida do PS àquela figura incontornável do trauliteirismo fascista, com quem Soares (ele próprio o admite nas memórias) fez uma aliança trilateral (na outra ponta do triângulo estavam Carlucci, a CIA e milhões de marcos da Alemanha Federal e coroas da Suécia). De facto, a ajuda do cónego naquela época, dando ordens à “sua” rede de igrejas e capelas para a diabolização dos comunistas por toda a parte em que as populações estivessem sob a pata da Igreja Católica – o que naquele tempo queria dizer quase todo o país – e, na falta de melhores argumentos, organizando e chefiando as quadrilhas de bombistas e incendiários que se encarregaram da perseguição, agressão, assaltos a sedes... e mortes, se “necessário”, foi decisiva para os planos do PS.
A gratidão, quando tão documentadamente justificada, ainda que dirigida a um canalha... é sempre uma coisa muito “bonita”!
Adenda: Claro que poderia tratar-se de uma gratidão apenas local e meramente venal... e isso, sendo muito menos grave, seria ainda mais pateticamente triste.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Ainda o BES – Aleluia!!!


Salgado e Ricciardi entendem-se sobre sucessão no BES – diz a notícia. Aleluia! – digo eu.
Ou seja… os elementos da quadrilha composta pela "famiglia" do BES ergueram os pensamento para o alto, onde habita o seu "deus", deus que se manifesta entre nós, simples pelintras, na forma de notas de 500 (viste-las!), 200 (raríssimas!), 100 (de vez em quando!), 20 e 5 euros… e acharam por bem amainar um pouco as ganas com que andavam de se comerem uns aos outros.

Na verdade, abrindo um parêntesis… alguns elementos e “elementas” já o fazem há muito… que aquilo é gente para quem não há missas que cheguem para lhes arrancar o hábito e a promiscuidade dos vícios privados… enquanto vão exibindo mentirosas públicas virtudes. Fechar parêntesis.
Voltando ao tema... os primos e primas da poderosa “famiglia” Espírito Santo chegaram à conclusão de que a sua “peixeirada”, longe de ter a profundidade filosófica e tradição cultural das peixeiradas levadas à cena num qualquer mercado perto de si pelas verdadeiras e insubstituíveis peixeiras e varinas... era apenas uma parvoíce que, no limite, só lhes faria perder dinheiro.
Perder dinheiro?!!! Sacrilégio!!! E depois como é que a prima (ou lá o que ela é) vai para a Comporta «brincar aos pobrezinhos»?!
Seja como for, passada (oficialmente) a borrasca, quem ficou feliz foram os vários cavalos das várias cavalariças da “famiglia”, que já não se tinham das pernas, tal o pânico.
Pelo menos os cavalos que tiveram a grande infelicidade de ver esta cena macabra do filme “O Padrinho”... e que, compreensivelmente, já andavam de “cabeça perdida”.

Rui Machete - As emendas


Diz-me a notícia que o desastroso Rui Machete emenda as declarações sobre o novo “resgate” a Portugal.
Num espaço de tempo curtíssimo, Machete já emendou as suas declarações sobre a sua relação com o BPN, depois de recorrer à esperteza saloia a que Cavaco também recorreu, de tentar convencer os “papalvos” de que ser accionista da SLN, dona do BPN... não era a mesma coisa que ter relações com o BPN. Já emendou as suas declarações sobre o indigente pedido de desculpas aos presumidos corruptos angolanos que estavam a ser investigados, pelo facto... de estarem a ser investigados. Agora, emenda as suas declarações sobre o novo “resgate”.
Num espaço de tempo curtíssimo, são três valentes tiros nos pés! Numa contagem rápida de tiros e pés... já só lhe resta mais um pé em condições!!!
Em vez de continuar, ao pé coxinho, a fazer figuras ridículas, não estará na altura de o senhor Machete considerar (ou alguém por ele) que já são emendas a mais? Que é já pior a emenda que o soneto? Ou pior a ementa que o cianeto... ou pior a amêndoa que ... ... …


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Por dentro da vida...



O “Campo Pequeno”, em Lisboa... mais tijolo menos tijolo, mais betão menos betão, mais anel menos anel, mais cobertura menos cobertura, mais reforço estrutural... tem praticamente o mesmo aspecto desde 1892. Já o interior, é outra conversa!
Na verdade, o aspecto interior daquela grande e histórica sala de espectáculos depende dos dias, depende das gentes e dos acontecimentos que acolhe.
Ontem pela tarde, numa grande festa de aniversário que (como é hábito nas boas festas de aniversário) estava cheia de música, de sorrisos, de encontros, de beijos, abraços e uma ou outra lágrima feliz... o aspecto era este:
Oito mil árvores a respirar vida, independentemente da idade. A bombear seiva por cada veio, por cada ramo, por cada folha. Ligadas por um manto vermelho... para o qual que muitos não conseguem encontrar explicação.
Um vermelho vivo que nasce e se alimenta directamente nas raízes... mas que num ciclo de vida extraordinário e sempre renovado, também as alimenta e aprofunda e faz crescer.

BES – Sabor a sangue...


Há já uns dias que sigo com algum divertimento, confesso, a novela da guerra intestina (pelo menos se considerarmos o cheiro fétido que exala) no BES, o banco que, exceptuando um curto intervalo depois de Abril de 1974, participa activamente nas decisões governativas de Portugal, desde os tempos em que pelo menos um dos seus donos andava de casa e pucarinho com Hitler e Salazar... fazendo de conta que estava também com os aliados.
Prova dessa continuidade é o facto de o actual Espírito Santo de serviço entrar nas reuniões do Conselho de Ministros com o à-vontade de quem vai reunir com acionistas, ou simples gerentes de dependência do próprio banco.
As notícias que vão chegando são uma espécie de documentário da “National Geographic” ao vivo... e confirmam uma característica verdadeiramente “encantadora” dos tubarões:
Nasceram e vivem para chacinar milhões de peixes miúdos... mas quando o cheiro e o sabor a sangue invadem a água à sua volta... perdem a compostura e abocanham-se uns aos outros!

domingo, 10 de novembro de 2013

"Ranking" de escolas - Receita para uma fraude


Tomem-se quatro escolas.
1. Um colégio privado de luxo, caríssimo, frequentado exclusivamente pelos filhos da alta e altíssima burguesia, recheado de betinhos e betinhas com as vidas já apontadas para os cursos superiores que têm já o pai, a mãe, os irmãos mais velhos, todos estes com capacidade para enquadrarem e apoiarem os jovem estudantes, servidos em casa por empregada que lhes confecciona os lanches a horas (ou tira os caroços das cerejas, como fazia a empregada da “infeliz” mandatária para a juventude de José Sócrates), que têm nos seus quartos individuais computares topo de gama, etc, etc, etc, etc... ad nausea.
2. Um colégio privado daqueles que vivem do roubo que alguns oportunistas organizaram, no sentido de desviar do ensino público as verbas que permitem a alunos que, embora com menor “poder de compra” ainda têm um ambiente familiar propício ao seu desempenho escolar e actividades lúdicas e transportes confortáveis para a escola, proporcionados pelos tais fundos roubados aos alunos mais necessitados do país.
3. Uma escola pública situada, digamos, numa pequena cidade ou vila do interior, onde tudo fica perto, onde a escola fica à distância de apenas uma ruas, permitindo o gozo de tempos livres entre amigos e família, em segurança e com qualidade de vida. Uma escola onde os mais pobres têm lugar, apoio público, em alguns casos, transportes fornecidos pela autarquia... e onde a meia dúzia de casos “complicados” vindos de famílias desfuncionais e outras realidades semelhantes, estão devidamente identificados e acompanhados.
4. Uma escola pública do subúrbio de uma grande cidade do litoral, com a sua mistura feita de muitas centenas (quando não são milhares) de alunos provenientes de famílias de trabalhadores do estado, de trabalhadores do privado com poucas posses, pescadores, operários, alunos vindos de todo o lado, desde bairros pacatos, aos chamados “problemáticos”, representando várias etnias, várias culturas, várias “línguas-mãe” e um empenhamento na aprendizagem que pode ir do razoável até ao zero.
Em todas estas escolas há excepções. Em todas há estudantes estúpidos como portas. Em todas há miúdos geniais... independente da ajuda ou do travão constituído pelo seu meio ambiente social e familiar.
Posto isto... digo eu, que pouco entendo de pedagogia, que não há forma de comparar estas escolas! Não há uma forma de juntar todas estas realidades diversas, a que se pode juntar a motivação, ou ausência de motivação de um corpo de docentes sujeitos diariamente a este habitat, que pode ir do prazeroso ao terror, da realização pessoal e profissional à humilhação das agressões sofridas dentro da sala de aula... e estabelecer uma classificação (ou ranking, que é mais fino) minimamente credível. A única forma de fazer uma hierarquização minimamente séria de escolas, nestas condições, seria levando a cabo estudos de uma tal complexidade que, a chegarem a algum lado, não seriam “legíveis” por pessoas fora do sistema.
Resultado: atiram-se os dados todos para dentro de um computador, mistura-se tudo, divide-se pelo número que tiver que se dividir... e dá um “ranking”. Ainda por cima, no caso deste “ranking” com que agora não se calam, recorreram apenas às médias das notas nuns exames... o que nunca servirá para definir uma escola, em toda a sua complexidade, mas apenas os alunos que fizeram esses exames específicos.

Desculpem estar a (tentar) ocupar um espaço tão grande do vosso domingo com esta divagação pela qual, provavelmente, pouco interesse terão, embora isso não me faça sentir sozinho, porque felizmente não estou... mas tudo isto vem a propósito de uma cena vista num canal de televisão, durante um noticiário.
Um senhor (de quem não fixei o nome) com ar moderado, sereno, dando mostras de dominar os temas de que estava a falar, explicava por palavras de uma simples e clara erudição, tudo isto que eu acabei de vos dizer desta minha forma atabalhoada, tentando demonstrar que um “ranking” de escolas, a ter alguma vez alguma utilidade (isto já sou eu que digo), teria que ser feito honestamente, separando o que não é miscível... não comparando o que é incomparável.
O pivot da televisão, sem o deixar sequer acabar o raciocínio, atira-lhe, cortante, e num tom de pouquíssimo velada censura:
- Quer dizer que o senhor está a desvalorizar estes números?!!!
E o “senhor”, realmente como um senhor, disse que não… e repetiu praticamente tudo o que tinha dito antes... mas numa linguagem própria para ser usada num infantário.
Atendendo ao facto de que o negócio do ensino privado envolve muitos milhões e que, não poucas vezes, roça a falcatrua, a fraude, a corrupção (é sempre bom ver, ou rever este trabalho jornalístico sobre o tema!), é evidente que esta teimosia em repetir que no “ranking” das escolas, as primeiras não sei quantas da lista são escolas privadas, constitui um gigantesco anúncio publicitário, a valer muito... e que alguém paga.
Resta saber quantos jornalistas e comentadores o fazem de forma corrupta, ou quantos apenas não se importam, para agradar aos patrões... de se fazerem passar por estúpidos.

sábado, 9 de novembro de 2013

Bruno Nogueira – Nunca é demais...






Voltando à “vaca fria” (insisto que isto é uma frase-feita que quer dizer blá blá blá...) e para arrumar, por esta vez, o assunto da autora de resmas de papel encadernadas como livros... queria dizer que, embora o vídeo (ou áudio, conforme os casos) já tenha – e ainda bem! – invadido tudo o que é rede social, não quero deixar, também eu, de assinalar o feito do humorista Bruno Nogueira.
Na verdade, os muitos humoristas que exercem a sua arte em terras de Portugal... nem sempre acertam (para dizer o mínimo). Entre os que acertam, há os que têm alguma graça, os que têm muita... e os que têm momentos geniais.
Foi este o caso do Bruno Nogueira, que fez tudo bem nesta sua “interacção” com a declaração de Margarida Rebelo Pinto, que aqui partilhei antes. Vale a pena ouvir até ao fim!

Parabéns!!!