terça-feira, 22 de julho de 2008

Colombo



Para quem não conheça de todo Lisboa, informo que a aberração da imagem acima é o famoso Centro Comercial Colombo, uma criação (mais uma) do génio criador da "sonae". O CCC é tal como outras invenções destas gerações de medíocres que nos têm governado, o que eu costumo comparar a um belíssimo bolo, com uma cobertura bonita, colorida e doce, mas que por dentro é de esferovite.
Por mais que as pessoas viciadas no consumismo se encantem com as (cada vez maiores) "grandes superfícies" e com a comodidade e a maravilha que é poder ir a um sítio e ter à disposição quase tudo o que existe à face da Terra, como se alguém alguma vez saísse de casa para ir comprar tudo o que existe à face da Terra, não consigo deixar de pensar nas consequências do aparecimento de cada um destes "paraísos", a saber, a destruição de muitas centenas de lojas de pequeno comércio de proximidade, em que se devia ter investido para que oferecessem serviços de qualidade, na destruição da vida de bairro e animação das ruas que esse pequeno comércio garantia (entre muitas outras coisas) e na destruição da qualidade de vida dos milhares de pessoas que trabalham diariamente dentro destas gigantescas catedrais do dinheiro.
Têm muitas coisas em comum. São jovens, são explorados, não têm esperança alguma no "futuro" daqueles empregos, que não os deixam morrer de fome mas que também não lhes permitem partir para voos mais altos, como pagar e acabar melhores estudos, etc, etc... e muito importante, têm como ordenados quantias fantásticas que vão do ordenado mínimo nacional até aos... 500 euros!...
Têm ainda, neste país cor-de-rosa de Sócrates, mais uma coisa extraordinária em comum: o medo! Todos os que falaram para este trabalho do DN, "preferiram" manter o anonimato.
Dá que pensar... ou não dá?

19 comentários:

Maria disse...

É claro que dá para pensar, Samuel.
E este problema alastra por tantos locais de trabalho qye são muitos milhares que quando falam (o que fazem raramente) preferem sempre o anonimato... porque o medo já está instalado...

Abreijos ainda daqui

Anónimo disse...

Pacóvio que é pacóvio tem que o conhecer e eu sou um deles...

Andei 3 décadas a falar por eles (não os do Colombo) e a incutir-lhes coragem. Após essas 3 décadas sinto que não consegui. Outros estarão certamente a tentar. Um dia havemos de conseguir!

São disse...

Esta do anonimato faz-me recordar um poema que não consigo neste momento dizer se de O´Neill ou Mourão Ferreira...
De qualquer modo, continua a ser dramático este medo que nos inunda até aos ossos!
Feliz semana, também para a Maria dos Açores.

Susete Evaristo disse...

E segundo consta agora há mais uma grande superficie Comercial onde já havia uma enorme. Estou a falar do Centro Comercial Alegro em Alfragide. Dizem-me que foi feito por cima do Jumbo. Estou a "vender ao preço que comprei".
Conheço é que vai para lé passear, outra disrtracção que não percebo, passear num CC?!

éme. disse...

Dá!
Sim, dá que pensar e como...
Mas anda muita gente distraída, caramba.
Demasiada gente e gente a mais a fingir que se vive bem ficando calada.
...
Aqui por Coimbra a coisa está do género. E com tendência a piorar.
mas isto é panorama de país... pois é.

alex campos disse...

Não é só nos centros comerciais, é em todo o lado. Um dos grandes investimentos do governo do PS é o trablho precário.

Anónimo disse...

e é já tanta gente que passa o seu tempo livre encerrada nestas centrais de lixo!..

Orlando Gonçalves disse...

Sem duvida que os Centros Comerciais gigantes vieram acabar com o pequeno comercio, mas trouxeram outra coisa, a ilusão de que tudo se pode comprar. Com a facilidade que os bancos e outras companhias de crédito dão, os comsumidos têm ( ou tiveram) a ilusão de que tudo podem comprar. É uma máquina infernal que é montada para fazer gastar dinheiro a quem o têm mas principalmente para quem não o têm. E assim as familias portuguesas estão endividadas até ao tutano.

Anónimo disse...

Se dá que pensar!
Esta eveolução lojas (ou vendas)--mini-cercados--super-mercados--hiper-mercados--grandes superfícies--centros comerciais-- mega-espaços, e por aí fora (até onde?), frutos da financeirização absurda, assusta!
É a via da desumanização pela avassala(rização)dora padronização do consumismo (gostei desta...).
Um dia, ao passar junto do Colombo em construção, José Saramago quase deu um berro... tinha encontrado o tema do novo livro... saíu A Caverna, um dos seus livros um tanto esquecidos.
E ficava p'ráqui a "contar estórias" a partir deste excelente post.
Grande abraço, Samuel

Licínia Quitério disse...

A minha aversão por estes "espaços" tem sido um sentimento que nunca consegui (ou quis) ultrapassar. Quase como um "pressentimento" de que ali se está a rodar um filme de que receio adivinhar o fim. Quando li A Caverna, exultei. Estava lá tudo o que eu sentia, mas não sabia dizer. Infelizmente, a tragédia (que é de tragédia que se trata) adensa-se, com todos os seus contornos da decadência moral e material a que nos coube em sorte presenciar.

Abraço.

Licínia Quitério disse...

Há ali um "a" a mais. E a Caverna que cito é a do Saramago. O Zambujal já tinha explicado. ;)

Justine disse...

Tens absoluta razão no que escreves, o teu post é acerado e certeiro.
Só queria deixar um apontamento: alguns desses jovens funcionários, apesar e tudo o que apontas, ainda conseguem ser simpáticos, prestáveis, bem-humorados. Instinto de sobrevivência?Adaptação ao meio-ambiente adverso?

Fernando Samuel disse...

Se dá!...
E quanto ao medo: somos cada vez mais um país de anónimos...

(aquela história da Caverna... se não estou em erro, o Saramago ia a passar por ali com... alguém, quando lhe surgiu a ideia...)

Anónimo disse...

-Gente iogurte-
Gente com medo de perder o que perde todos os dias. A quem o capitalismo pôs data de validade, quando é que ganham consciência da sua situação.
a.ferreira

jrd disse...

Por um lado,um atentado do ponto de vista arquitectónico e uma agressão, mais uma, feita num local absolutamente carente de espaços verdes que,segundo consta, era ideia inicial.
Por outro, um novo mercado de escravos, onde estes não são os vendidos,mas enriquecem um dos maiores esclavagistas deste país.

Antunes Ferreira disse...

LISBOA - PORTUGAL

Olá!

Cheguei a este blogue através de outros que costumo visitar e neles postar comentários. Cheguei, vi e… gostei. Está bem feito, está comunicativo, está agradável, está bonito – e está bem escrito. Esta é uma deformação profissional de um jornalista e dizem que escritor a caminho dos 67…, mas que continua bem-disposto, alegre, piadista, gozão, e – vivo.

Só uma anotaçãozinha: Durante 16 anos trabalhei no Diário de Notícias, o mais importante de Portugal, onde cheguei a Chefe da Redacção – sem motivo justificativo… E acabo de publicar – vejam lá para o que me deu a «provecta» idade… - o me(a)u primeiro livro de ficção «Morte na Picada», contos da guerra colonial em Angola (1966/68) em que bem contra vontade, infelizmente participei como oficial miliciano (obrigatório, porque vindo da Universidade).

Muito prazer me darás se quiseres visitar o meu blogue e nele deixar comentários. E enviar-me colaboração. Basta um imeile / imilio (criações minhas e preciosas…) e já está. E se o quiseres divulgar a Amiga(o)s, ainda melhor. Tanto o blogue, como o imeile, tá? Muito obrigado

www.travessadoferreira.blogspot.com
ferreihenrique@gmail.com

E venho pedir-te o teu telemóvel (celular) para poder contactar-te mais facilmente, a fim de implementar e desenvolver o projecto que tenho para o meu www.travessadoferreira.blogspot.com e que, como já sabem, é conferir ao meu/vosso/NOSSO blogue a característica de PONTO DE ENCONTRO entre os nossos dois Países fraternalmente ligados. No que estou, pela minha parte, a desenvolver todas as diligências que, naturalmente, me forem possíveis.
E, naturalmente também, para poder enviar-te «coisas» que ache interessantes. Se, porém, não as quiseres, diz-me eu paro logo. Sou muito bem-mandado (a minha mulher que o diga…) e muito obediente (cf. parênteses anterior).
Já solicitei a colaboração da Embaixada de Portugal em Brasília, que tem à frente dela um diplomata fora de série, o meu querido Amigo, Dr. Francisco Seixas da Costa e na qual se integram mis dois bons Amigos de longos nos: o Adriano Jordão e o Carlos Fino. Seixas da Costa criou um blogue magnífico Embaixada de Portugal no Brasil, www.embaixada-portugal-brasil.blogspot.com, que vos recomendo vivamente visitar. Tem tudo sobre as relações entre as duas Nações. Espero fazer o mesmo com a do Brasil em Lisboa.
Este é um desejo que já ultrapassa a simples intenção. Ambiciosamente, neste momento possui muitos comparticipantes – como desejo que seja o teu caso. Mas, com o empenhamento, a ajuda, o entusiasmo e a alegria que tenho encontrado – iremos longe. A internet (apesar dos aspectos negativos que ainda apresenta) tem uma força incomensurável e desenvolvimento tecnológico que se actualiza dia a dia.
Abrações e queijinhos, convenientemente repartidos e distribuídos

PS 1 – Quando navegarmos em velocidade de cruzeiro, quero alargar o Travessa aos outros PALOP. Que achas?
PS 2 – Desculpa por este comentário ser tão comprido e chato. Como a espada do D. Afonso Henriques…

Anónimo disse...

A propósito da Educação em Cuba,o Fidel numa reflexão escreve(...)Os EUA e outros países ricos[Nós..hummm]não podem sequer equiparar-se com o nosso.Têm,isso sim,(...)gastam mais gasolina,consomem mais drogas,compram mais quinquilharias e beneficiam com o saque dos nossos povos,como fizeram durante séculos(...).Desde que Colombo descobriu a América acrescento eu!

josé ricardo disse...

o ordenado médio dos tralhadores dos shoppings na zona do Porto é de 490 euros mensais. Para além disso, 26% dos trabalhadores laboram seis dias por semana (descansando, portanto, somente um dia) e que 10% mais que 40 horas semanais.
um abraço,
j. ricardo

Lúcia disse...

Posso estar a fazer confusão: mas não foi este grande empreendimento que o Jorge Sampaio, na qualidade de Presidente da Nação, inaugurou? Se não foi este foi outro do mesmo grupo. Com honras de Estado, carago! Grande Presidente. A incentivar o que é importante para o país.
Só nestes gestos vê-se bem a distância entre o poder político e os grupos económicos.
Beijos