sábado, 22 de setembro de 2012

Todo o cuidado é pouco!


O princípio que faz os medicamentos genéricos serem tendencialmente mais baratos do que os seus “primos ricos” de marca, decididamente, não se aplica aos conselhos. Pelo menos aos que, supostamente, são “de Estado”. A ver pelas vidonas da maior parte dos “conselheiros” e pelos sumptuosos automóveis em que se deslocam, os seus “conselhos” devem sair caros como o raio que os parta.
E não é justo! Se há “conselho” que se pode classificar como genérico é este tipo de treta da «equidade e justiça na distribuição dos sacrifícios», quando sai da boca daquela gente que descarrega o sentimento de culpa (que baptizou mentirosamente de consciência) com estes “conselhos”... e depois regressa aos seus ordenados e múltiplas reformas milionárias, montada nos seus pópós carregados com centenas de “cavalos” cada um.
Agora é esperar, mas com grande vigilância! Dentro do espírito revanchista e fanático que o caracteriza, este Governo já deve estar a trabalhar em medidas “alternativas” que, só por milagre, não serão tão ou mais gravosas do que o selvagem plano da TSU, que agora dizem ir rever ou substituir.
Entretanto, confirmando que o facto de ter havido quem votasse neles os faz pensar que todos os portugueses são igualmente “lerdos”, bastando uma operação cosmética e duas ou três negociatas de bastidores para que tudo fique no melhor dos mundos, Cavaco Silva afirma que «a crise política está ultrapassada» e o Governo informa que as «dificuldades na coligação foram ultrapassadas»... quando a única coisa que estão a tentar “ultrapassar” é a verdade, já que a vergonha na cara há muito ficou para trás.
Diz-me ainda o “Público” do senhor Belmiro, que o «Governo deixa cair TSU em Belém»... o que é talvez a única informação útil recolhida em toda esta viagem pelas notícias, sobretudo para as pessoas que decidirem ir passear para os jardins daquela zona. Como a notícia não é clara quanto ao lugar exacto em que a TSU foi deixada cair, todo o cuidado é pouco!
Já não basta o mar de poias de cão que se escondem na relva... ainda vem o Governo deixar cair por ali uma coisa que não podia ser mais parecida com as ditas poias! Em tudo!

Conselho de Estado – Provavelmente...


Provavelmente, o primeiro-ministro não seria mesmo capaz de “empinar” todas as folhas de “excel” onde Gaspar arrumou os apontamentos sobre as experiências que anda a fazer com a vida dos portugueses... a tempo de as explicar no Conselho de Estado.
Provavelmente, Cavaco Silva sabe disso...
Provavelmente, Cavaco Silva quis apenas humilhar Passos Coelho, convidando um dos seus ministros para, estando ele presente, explicar uma política que é da sua inteira responsabilidade.
Provavelmente, a reunião foi tão longa, não pela complexidade dos assuntos discutidos ou as divergências postas sobre a mesa, mas porque Vítor Gaspar é bem capaz de ter começado por explicar com todo o detalhe porque aceitou ser ministro e só deeepooois... cooomeeeçou a faaalaaar daaas mediiiidas de aaausteriii zzz dade do goooveeernooo... z z z z z z z z z...
Provavelmente, caso os senhores conselheiros tivessem bom ouvido para entender o que se passava lá fora, na frente do palácio e no país, arranjariam maneira de sair "de fininho" pelos fundos, para não ouvirem mais uma vez e ainda mais alto o que não querem, mas merecem.
Provavelmente, um Conselho de Estado poderia ser uma força capaz de impulsionar o Presidente e o Governo para posições em que se defendesse, realmente, o Estado. Uma força mais para ajudar a tirar o país do atoleiro em que o grande capital o quer... não fosse o caso infeliz de ser pesadamente povoado por eunucos cuja função foi e é perpetuar o atoleiro e servir de capacho aos grandes mandantes desse mesmo capital.
Provavelmente, um Conselho de Estado assim, não serve para nada e as suas reuniões servirão para ainda menos, merecendo o painel de ilustres senhores doutores, inteiramente, este trocadilho plebeu do "conselho de(t)estado" que inventei para a ilustração do texto, sem fazer sequer um esforço para ser original...
Provavelmente, alguns dos senhores Conselheiros são daqueles que dizem gostar muito do Zeca Afonso e que, portanto, não estariam nada à espera que eu lhes dedicasse esta canção. Temos pena! É a vida!
“Os eunucos” – José Afonso
(José Afonso)




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Isaltino Morais – A inteligência 2


Disse no texto anterior que não fazia a mais pequena ideia do que sejam “autarquias inteligentes”... e muito menos uma conferência sobre as ditas cujas.
Felizmente, o mundo das notícias online começa a dar-me algumas pistas sobre o momentoso enigma. Como parte do tal “seminário”, a Câmara Municipal de Cascais teve a inegável “inteligência” de convidar o famoso autarca Isaltino Morais, ele próprio um notório espertalhaço, para discursar.
E ele discursou. Entre as (mais que prováveis) pérolas sobre autarquias e inteligência que terá atirado ao auditório, num súbito extra sobre a actualidade politico/económica, produziu esta sobre a TSU, um primor de análise e profundidade:

Fico com algumas ligeiras dúvidas sobre a coisa, embora reconheça que Isaltino Morais é a prova viva de que pelo menos uma boa parte dos portugueses... aceita realmente tudo.

Miguel Relvas – A inteligência


1. Dizem as notícias que a coabitação dos desavindos "Passos & Portas, Lda." vai ser garantida por uma coisa qualquer que dará pelo nome de “Conselho de Coordenação da Coligação”... ou lá o que é.
Para salvaguardar as negociatas de muitos milhões que têm entre mãos, com tanto do país e do património construído pelo esforço dos trabalhadores portugueses ao longo de tantos anos, ainda por vender aos amigalhaços estrangeiros e nacionais que, acabado o poiso no Governo, lhes darão os luxuosos empregos do costume, não espanta ninguém que PSD e CDS façam tudo o que estiver ao seu alcance para manter as aparências de uma coligação funcional. Isto, por muito que não consigam evitar que o brilho sombrio das navalhas se vislumbre, mal disfarçado sob os casacos.
Já sobre a segunda notícia, aquilo que mais me deixa “abasurdido” é haver ainda quem junte numa mesma frase as palavras “Miguel Relvas” e “garante”!
Segundo o texto que corresponde ao link, o caceteiro e aldrabão compulsivo terá “garantido” a sua confiança em Portas à saída de um seminário sobre “Autarquias inteligentes”.
Como, para não fugir a um dos meus mais notórios e arreliadores defeitos, fiquei preso aos “detalhes” que anteriormente relatei... acabei por ficar sem saber que diabo são “Autarquias inteligentes”.
Até ter tempo para investigar a coisa devidamente, vou ficar a imaginar que se trata de um conjunto de autarquias que, depois de conhecer em pormenor o “pensamento” do ministro Relvas no que diz respeito ao funcionamento e ao futuro das autarquias... resolveu mandá-lo bardamerda.
Mas pronto... pode não ser... sei lá...


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Vítor Gaspar – Uma questão de carácter


Segundo se diz, Vítor Gaspar era, aos trinta anos, uma estrela em ascensão (pena que tenha voltado à Terra!!!) e aos dezassete anos de idade já lera Marx. Se atendermos à vastidão e, sobretudo, à densidade da obra de Karl Marx, esse feito do “Gasparzinho” adolescente coloca-o ao nível dos quase génios. Praticamente ao nível de fenómenos como o de um garrafão de plástico que tenho aqui em casa e que, pasmem!, consegue “dizer” Água do Luso!!!
Agora, no estrangeiro e perante um dos seus patrões e ministro das finanças da Alemanha, Gaspar decidiu “dar graxa ao cágado” dizendo que as manifestações do passado dia 15 de Setembro que juntaram o número brutal de quase um milhão de vozes de protesto, «não foram de ruptura, foram de força de carácter».
Quase que acertou, o senhor ministro! Enganou-se na questão da ruptura, que é já uma evidência, acertou quanto ao carácter. Grande força de carácter dos portugueses... num “colossal” contraste com a total falta de carácter daqueles que (ainda) governam, ou melhor, desgovernam, roubam, destroem, desmoralizam, desrespeitam os portugueses todos os dias.
Para que não se diga que não faço mais nada do que dar caneladas ao homem... aqui fica um pista para melhor entender a sua forma de falar que, no limite, poderia ser confundida com uma qualquer estirpe de deficiência.
Adaptando uma piada que li algures (e lamentando não poder fazer justiça ao autor) direi que não!, que o senhor Vítor Gaspar não fala sempre assim, tão devagar... ele está é a fazer tradução simultânea do que lhe vai dizendo a Angela Merkel.

Mário Crespo – Provocador rasca



«Nós não seremos capazes de manter a dominação branca, que constitui um objectivo nacional, a não ser que o povoamento branco se efectue a um ritmo que acompanhe e ultrapasse, mesmo que ligeiramente, a produção de negros evoluídos».

«Passou mais um dia e a RTP custou mais um milhão de euros».

Estas duas frases, assim como as fotografias, estão separadas por muitos anos.

A primeira foi proferida durante a Guerra Colonial pelo fascista e criminoso de guerra Kaúlza de Arriaga, responsável (entre outros crimes) pelo tristemente famoso massacre de Wiriamu… não se sabe se com a inspirada ajuda “literária” do seu ajudante de campo para as coisas da comunicação, o alferes Mário Crespo.

A segunda (uma mentira repetida até que se transforme em “verdade”), parte da campanha contra o Serviço Público de Rádio e Televisão, é a mais recente provocação saída da boca do mesmíssimo Mário Crespo (provavelmente inspirada pelo espírito de Kaúlza), quando encerra o “Jornal das 9” da SIC, estação televisiva que, curiosamente, é propriedade de outro empenhadíssimo adjunto de Kaúlza de Arriaga nos tempos de guerra, Francisco Balsemão.

«Uma colaboração para além da que seria devida às suas funções de ajudante de campo», diria mesmo o Secretário de Estado da Aeronáutica (o mesmo Kaúlza), quando ordenou o louvor de Balsemão... como podem ver e ler AQUI.

Da boca daquela sebosa e rasca imitação de jornalista já se espera tudo. Segundo os trabalhadores da RTP que, muito justamente, apresentaram queixa do miserável provocador, Crespo já terá esquecido os tempos em que ele próprio usufruiu largamente das “mordomias” que agora denuncia, nos tempos em que foi o incompetente – mas caro – correspondente da RTP em Washington. Dizem também – e digo eu! – que muito provavelmente o sabujo não está a fazer mais do que tentar garantir o seu lugar de futuro destacado lacaio na televisão “relvista” que por aí virá...

Faz todo o sentido!

Adenda: Dei-me ao incómodo de esperar pelo final do "Jornal das 9", para confirmar se a provocação prosseguia... mas o "valentaço" já não deve achar importante insistir na sua tão militante "denúncia".

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Maria Teresa Horta – Os artistas, esses “gandas” malucos!



Hoje é dia de artistas aqui na casa. A seguir ao adeus à tão simpática figura do Luiz Goes, calha a vez à poeta Maria Teresa Horta... só que esta está bem viva!

Tão viva, que apesar do justificado orgulho por lhe ser atribuído um prémio literário e do respeito e amizade que nutre pelos seus pares, membros do júri, que lho atribuíram... recusa-se a receber o prémio, dado que ele seria entregue por Passos Coelho.

Sem mais comentários... levanto-me e aplaudo!

Afasto de ti com
raiva surda

o corpo
as mãos
o pensamento

e apago secreta
uma a uma
as velas acesas do teu vento

liberta ponho o corpo
em seu lugar
visto a cidade
penteio um rio sedento

penso que ganho
e fujo
e não entendo

penso que durmo
mas não consigo
o tempo

E cede-se o vazio
sobre o meu ventre

e segue-se a saudade
em seu sustento

E digo este meu vício
dos teus olhos
de um verde tão lento
muito lento

Se penso que te deixo
já te quero

Se penso que recuso
já te anseio

Se penso que te odeio
já te espero

e torno a oferecer-te
o que receio

Se penso que me calo
já te grito

Se penso que me escondo
já me ofereço

Se penso que não sinto
é porque minto

Se penso que me olhas
já estremeço

(Maria Teresa Horta - “Minha Senhora de Mim”,1971)