sexta-feira, 20 de maio de 2011

Anestesiados!


(Numa altura destas... este cartaz da festa não podia ser mais irónico... se bem que o seja involuntariamente)
"Vitória de Pirro", chamam os entendidos em história antiga a estas tristes “vitórias” em que, feitas as contas, se perde mais do que se ganha. O nome, mais uma vez, pode bem aplicar-se ao resultado da aposta que aqui fiz ontem. Apostei que a nossa comunicação “social” iria ignorar as manifestações convocadas pela CGTP... e estou a “ganhar”.
Sentado a jantar à hora a que começam os telejornais, tive que esperar até depois das 20:35 para ver uma das estações de televisão ter a “coragem” de abandonar o direto do Porto e a sua festa da bola. Uns minutos depois, esse canal – já nem importa qual, todos fizeram o mesmo – falou finalmente das duas manifestações. Conseguiu arrumar as duas, a de Lisboa e a do Porto, em menos de 60 segundos (estava a contar). Em menos de um minuto ficou feito o retrato de uma atitude de hostilidade evidente para quem quer que seja que ouse questionar o “programa comum” que nos vai governar nos próximos tempos... programa de onde os donos da comunicação “social” esperam, tal como a banca e outros parasitas, retirar gordos lucros, feitos em cima do esmagamento dos direitos de milhões de portugueses.
Desgraçadamente, muitos desses portugueses nem dão conta. Ontem corriam atrás dum autocarro azul e branco; antes de ontem, do "milagre" da auréola do sol de Fátima; amanhã, de autocarros de qualquer outra cor; todos os dias, daquela estória tão triste da novela... ou das facadas na vizinha... ou daquele francês, ou lá o que é... "um senhor tão bem posto, imagina, a pôr-se na camareira"... alegadamente... 
Enquanto isso, os mordomos do universo todo, senhores à força, mandadores sem lei, enchem as tulhas, bebem vinho novo...  e vão rindo a bandeiras despregadas.
Tanto que é preciso fazer nesta terra... mas algumas coisas já não têm emenda. Terão que ser arrasadas para aí se construir tudo de novo!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Se a vida fosse um jogo...



Se a vida fosse, como alguns pretendem, apenas um jogo de xadrez, seria natural que, a qualquer momento, um dos cavalos atacasse a rainha... assim como seria perfeitamente natural que a rainha ripostasse eliminando o cavalo, "comendo" um ou mais peões... ou até mesmo o bispo...
Não sendo assim, não sei por que dianho haveria de me interessar pelas movimentações da rainha!

Não ao “acordo”! Não ao roubo!



Enquanto muitos milhares de trabalhadores (com ou sem emprego), no ativo ou já reformados, desde os criadores intelectuais àqueles que diariamente moldam o mundo com o injustamente desvalorizado esforço das próprias mãos, se preparam para ir hoje para a rua dizer bem alto aquilo que pensam do miserável “acordo” de capitulação perante os interesses imperiais dos países ricos da UE e do FMI, chega a notícia de que a abjecta criatura que, embora algo aflita para agradar aos seus, ainda dirige a Alemanha, voltou a provocar os trabalhadores dos países que tanto ela como os seus mentores, se habituaram a considerar “inferiores”.
Mais uma vez, a repelente “frau” Merkel calçou as botas cardadas, colou o bigodinho, pendurou os “SS” nas pontas do colarinho... e ditou as suas ordens para os “campos de trabalho” de Portugal, Grécia e Espanha:
Passando por cima do facto de a idade da reforma, na própria Alemanha, só agora ir aumentar, gradualmente, até aos 67 anos, a partir de 2012 e até 2024; passando por cima do facto de a demagogia das muitas férias portuguesas, quando comparadas com o que seriam as poucas férias alemãs, não passar de uma mentira populista e porca... o que querem realmente a megera e aqueles que lhe pagam?
Se repararmos (como bem observou Ricardo Oliveira, aqui via Sérgio Ribeiro) que a “teutónica chanceler” se “esqueceu” de exigir igualmente que os trabalhadores portugueses ganhem o mesmo que os alemães e que tenham as mesmas reformas, as mesmas condições de trabalho e de qualidade de vida em geral, fica claro que aquilo que estes bandalhos querem, afinal, é ter nestes países periféricos um verdadeiro exército de mão de obra barata para ficar ao seu serviço, uma indústria pouco qualificada que nunca faça frente à sua poderosa indústria, uma agricultura miserável que nos deixe dependentes dos seus produtos alimentares... e países inteiros a dever-lhes rios de dinheiro, "governados" por gente disposta a ficar a seu mando.
E ainda há por cá quem insista em encenar indignação, sempre que nós chamamos ao “trabalho” que os lacaios portugueses que têm estado nos sucessivos governos levam a cabo, cumprindo ordens, aquilo que esse “trabalho” é na realidade: Roubo! Saque organizado!
Adenda: Como escreveu aqui o Fernando Samuel, a comunicação social do regime ignorou ostensivamente a preparação e anúncio destas manifestações. Vai uma aposta que também não vão dar-lhes grande atenção mesmo depois de acontecerem?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Porto vs. Braga – Informação e jornalismo de excelência


Tenho andado todo o santo dia a fazer autênticas gincanas para evitar o contacto visual com televisores ligados, já que decidi levar a sério a ameaça terrorista feita ontem por vários canais de televisão, dizendo que iriam passar todo o dia a fazer diretos de Braga, diretos do Porto, diretos das festas (tenho uma ou outra sugestão para sítios de onde poderiam também fazer diretos... mas não seria educado da minha parte), diretos das alegrias, das tristezas... e até do próprio jogo de futebol entre o Porto e o Braga, entre o "menino da Foz" e o "gaiato de Leça".
Nesta altura já pouco me importa que ganhem uns, que ganhem os outros, ou até, embora me pareça que isso não seja possível, que percam todos. A grande informação, aquela que faltava, aquela que define um serviço de notícias de excelência, foi-me dada ontem por um “jornalista” da RTP que, diretamente de Dublin (onde uma multidão de tugas desdenha da crise) e depois de uma demonstração prática de como é possível ficar de microfone na mão, falando durante uma eternidade, mas sem dizer coisa nenhuma (o Jorge Lacão daria um grande repórter desportivo!), rematou com a tal informação que me encheu as medidas:
«A equipa do Sporting de Braga regressará a Portugal na próxima quinta-feira... quer ganhe ou perca o jogo.»
Nem imaginam o quanto eu fiquei aliviado com esta garantia! E se os jogadores bracarenses, ou por causa da ramboia da vitória, ou “derivado aos nervos” da derrota... decidissem nunca mais voltar?!!!

PSD – Se a estupidez fosse música... isto estaria a ficar ensurdecedor


É bom que os portugueses arranjem maneira de garantir que esta “gerência” do PSD, pelo menos, não ganhe as eleições do próximo dia 5 de Junho. Votando CDU, votando BE, votando PS, votando CDS... mas votando!
Agora já não se trata de saber se esta “gerência” do PSD é mais ou menos de direita, se é mais ou menos neoliberal, se deixou ou não de ser social-democrata. A sequência infernal de asneiras cometidas por Passos Coelho, os seus avanços e recuos seguidos de explicações atabalhoadas e embaraçosas, as inanidades produzidas por Relvas, as bacoradas constantes do lamentável Catroga (que alguém, desgraçadamente, se esqueceu de sepultar), tudo somado ao cortejo interminável de aberrações dos demais ajudantes, mostra à saciedade e à sociedade que aquela gente não passa, afinal, de um bando de estúpidos. Estúpidos como portões de quinta! Estúpidos como os pés que os arrastam! ... e isso nunca pode ser bom para o país, muito menos agora.
Esta última polémica, envolvendo o programa “Novas oportunidades”, mais uma vez atacando o primeiro-ministro em matérias em que este tem a faca e o queijo na mão, o aparelho de Estado e a sua máquina esmagadora de propaganda batoteira, tudo em doses suficientes para os esmagar com a resposta, numa batalha em que com toda a facilidade, arregimentará a simpatia e apoio de muitos milhares de beneficiários do programa, mais as suas famílias, mais os amigos... é um belo exemplo do grau de estupidez que os contamina.

Não é o suficiente para ter "peninha" do PPD-PSD... mas é impressionante vê-los a afundar...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sócrates – Se ele é assim em tudo na vida, porque haveria de ser diferente nos debates?


(Pavel Kuczynski – “O discurso”)

As técnicas de debate são coisa estudada há muito. Num debate podem brilhar a cultura, a verticalidade, a coerência, o dom de palavra (desde que apoiado em conteúdo). Infelizmente, num debate também podem brilhar a demagogia, a falta de escrúpulos, a mentira, a batota rasteira...
Sócrates é um adepto fervoroso da segunda técnica. Sócrates, perante as centenas de milhar de pessoas que o estão a ouvir, não tem pejo de dizer que os doentes estão melhor, que os estudantes estão melhor, que os reformados estão melhor, que os portugueses estão a viver melhor... e que tudo isso é obra sua. Não tem vergonha de garantir que os muito ricos, as grandes empresas e a banca, estão a contribuir equitativamente para o bolo dos sacrifícios que são pedidos aos portugueses. Diz tudo isto com aquele ar acossado de animal feroz, como ele próprio se classifica. Sócrates não presta!
Uma das técnicas de debate, típicas de um carácter onde já não mora um pingo de vergonha, é inventar argumentos para rebater e atacar. Como bem reparou o "anónimo do séc XXI" neste post, ou o “Pata negra”, comentando o mesmo post, que tropeçaram exatamente em duas... chamemos-lhe assim, para ser mais brando, canalhices utilizadas pelo  candidato do PS durante o debate com Jerónimo de Sousa, Sócrates inventa absolutamente do nada que Jerónimo defende a nacionalização de tudo e, principalmente, que Portugal não se deve pagar a dívida aos credores.
E pronto, consegue o que queria! Durante uns bons minutos, o adversário tem que se defender, explicando que nunca disse tal coisa... que renegociar a dívida quer dizer exatamente renegociar, para pagar com menos juros, com prazos mais estendidos... mas pagar. Claro que ocupa nisto o tempo em que podia estar a apresentar ideias, projetos, propostas... e o tempo vai passando. Mesmo assim, Jerónimo ainda teve a presença de espírito suficiente para lhe dizer que «não se trata de não pagar, mas sim de dizer que, qualquer dia, não poderemos pagar», para além de lhe ter feito uma pergunta certeira como uma seta: «Quer fazer acreditar que com a recessão, com o aumento do desemprego e com menos produção de riqueza, o país será capaz de cumprir as metas impostas pelas instituições internacionais?»
Como escreveu a pobre "jornalista" que o biografou, este traste é, sem dúvida, "O menino de ouro do PS”. Uma verdadeira preciosidade, que lhes vai valendo a manutenção do poder... e rendendo verdadeiras fortunas para os amigos. Decididamente, aquilo é ouro! Não é ouro negro... não é dourado... é “ouro castanho”! Pelo menos a ver pelo cheiro daquilo que escorre dos cabos dos microfones enquanto vai falando... falando...

Dominique Strauss-Kahn – Também quero ser enviado da RTP!


O socialista (???) francês e presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, viu-se envolvido (ou envolveram-no?), novamente, mas desta vez de uma forma mais grave, num escândalo de cariz sexual. O PS francês está em estado de choque, porque contava com ele como principal arma contra o traste Sarkozy. Menos chocados ( a não ser de satisfação) estão aqueles que iriam ser os seus adversários na próxima eleição presidencial, incluindo alguns seus correligionários de partido.
Nós também estamos muito chocados. Tão chocados, que achámos justificável enviar para Nova Iorque a jornalista Sandra Felgueiras e a sua equipa que, custe o que custar, ficarão ali plantados à porta do tribunal, do hotel, da polícia, do que for... para nos relatarem ponto por ponto tudo o que se passa com o alegadamente incontrolável predador de trabalhadoras de hotel, jornalistas, ou mesmo funcionárias do próprio FMI.
É óbvio que o homem tem direito à presunção de inocência... já nós, não temos como escapar à sentença de “parolice agravada”.
Não tenho nada contra a jovem Sandra Felgueiras. Nunca me passaria pela cabeça transferir para a moça aquilo que penso da inenarrável senhora sua mãe, a autarca maravilha de Felgueiras, Fátima Felgueiras (nem sequer o desagradável excesso de “felgueiras” neste texto). Quanto ao facto de, enquanto jornalista televisiva, ser um pouco “panela de expressão”... isso é apenas cansativo.
Fiquemos pois descansados! A nossa parolice nacional pode beber as informações da Sandra diretamente da fonte. Além disso, a prisão do presidente do FMI não vai "prejudicar Portugal" e, pelo menos, conseguiu "surpreender" Mário Soares... o que é, digamos, uma forma de exercício cerebral... e ele bem precisa.

Esperemos que, caso ele seja condenado aos tais possíveis setenta e tal anos de cadeia, a pobre moça não tenha que acompanhar o indivíduo no seu dia a dia de reclusão. Como disse, não tenho nada contra ela, coitada!