domingo, 24 de maio de 2009

A ninhada



Como se resultasse de uma directiva saída de uma reunião de patrões e donos de jornais, os últimos dias têm-nos mostrado uma imprensa ainda mais apostada do que o costume, em sabotar as iniciativas da CDU, de todas as maneiras ao seu alcance.

Para quem apenas leia os títulos dos jornais, Ilda Figueiredo e os milhares de activistas que organizam e participam em centenas de iniciativas por todo o país, estão, na verdade, sentados em casa bebendo umas cervejas, enquanto PS, PSD, CDS, e BE se “esfalfam” em acções de campanha e se multiplicam em declarações sobre tudo e mais alguma coisa.

As primeiras páginas dos jornais, no dia seguinte à “pequena” marcha que juntou em Lisboa 85.000 manifestantes, são um espectáculo de falta de vergonha, só em parte “desculpável” pela mistura de ódio e sobretudo, medo, que as motiva e explica. Vários desses jornais conseguem a proeza de não terem tomado conhecimento sequer de que a marcha existiu. Um ou outro, lá diz qualquer coisa, como é o caso do Público, nesta verdadeiramente patética minúscula chamada , num cantinho ao fundo da capa, com o título assombroso “PCP diz ter juntado mais de 80 mil pessoas”, como se estivessem a falar de algo duvidoso, que aconteceu muito longe e às escondidas...

Da ninhada de rataria constituída pelos donos dos jornais e os seus mais directos lacaios dentro das redacções, nada há a esperar! O que me faz confusão é não conseguir entender lá muito bem como é que os outros que trabalham nessas redacções e ainda se reclamam do jornalismo, conseguem conviver diariamente com esta indignidade. Como justificam a capitulação perante os interesses dos inimigos da verdadeira informação? Como suportam a verdade nua, crua e feia, que os espelhos lhes estampam violentamente na cara todas as manhãs?

12 comentários:

ComRevDe disse...

A classe jornalistíca é um grupo de gente vaidosa e desejosa de pisar o colega de profissão. Que se apaixona pelo que é moda e despreza aquilo que tratam os assuntos sem qualquer tipo de espírito crítico.

A intelectualidade (no seu verdadeiro sentido) é uma tendência que os jornalistas evitam a todo o custo, pois a reflexão dos temas sobre o qual escrevem levam a uma investigação mais aprofundada destas.

Os estudantes destes cursos são gente que desprezam e põem de lado a capacidade analítica e tratam os eventos e as notícias como um conjunto de frases e parágrafos que eles "comem" na íntegra e fazem os leitores "engolir" por arrasto.

Quem andar em cursos de jornalismo e Comunicação Social repara que a "preparação profissional" começa nos tais "jornais" universitários. Escreve-se sobre torneios de desporto e actividades culturais e científicas patrocinadas por qualquer empresa que queira meter os pés na gestão da Universidade. E os temas que incomodam a "academia"? Sejam eles Bolonhas, RJIES, Fundações ou incidentes mais complicados são proibidos de publicar.

Acreditem nas minhas palavras. Já sou aluno de Comunicação Social há quatro anos e conheço essa cangalha de fio a pavio.

Curiosamente, as pessoas com mais capacidade intelectual destes cursos raramente vão parar a jornalismo.

Aristides disse...

Critérios jornalísticos! Alguém me dizia ontem que se uma outra força política (será preciso dizer qual?) juntasse a décima parte das pessoas que ontem encheram as avenidas de Lisboa, não faltariam primeira páginas e títulos enomiásticos. Assim, como foi a CDU e eles já estão habituados a grandes manifs, nem vale a pena dar-lhe destaque.

Ana Camarra disse...

Suportam porque não têm ética, vergonha, formação moral, etc...

beijos

Tiago R. disse...

Tem mais a ver com os directores, administradores e proprietários do que com os proletários das redacções.

Mas estes últimos também caiem por vezes em fenómenos de auto-censura cobarde. Mesmo no Público.

Fernando Samuel disse...

Eles são dos que costumam dizer: «quando me olho ao espelho, de manhã, puxo logo pela... carteira...

Um abraço.

Pata Negra disse...

Eles só vão conseguir ver no dia em que esses milhares lhes entrarem pelas redacções dentro! Havemos de ser mais eu bem sei...
Um abraço da ave nida

Maria disse...

É assim uma espécie de falta de tudo... porque há muito ultrapassou a falta de vergonha...

Abreijo

O Puma disse...

Chamam à coisa

liberdade de imprensa

democracia plural

Os fracos no poder central

são gentes de medo

o castendo disse...

Não sei se é por ser ex-comunista e ter estudado um ano na ex-URSS, mas o artigo de Clara Viana em «O Público» tem, depois de tudo o que sobre o assunto se tem dito e escrito, um final provocador e abjecto...

Antuã disse...

Para além de tudo ests pobres "jornalistas" deveriam ir aprender português. São mesmo coitadinhos.

Anónimo disse...

A PEQUENA MARCHA?

"Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil"

Cantando Ary cantando Abril

@braços e DIAS TRANQUILOS

samuel disse...

ComRevDe:
Como disse, felizmente alguns dos bons vão...

Aristides:
Os eternos “critérios”.

Ana Camarra:
E por aí adiante... ☺

Tiago R.:
É evidente...

Fernando Samuel:
Desgraçadamente, é o motor de uma grande parte da classe.

Maria:
Falta de tudo... é uma boa definição. ☺

O Puma:
Liberdade. Pois...

O Castendo:
Provocador, abjecto... e estafado!

Antuã:
Algo deprimentes.

Dias Tranquilos:
Ary, sempre!


Abreijos colectivos!