quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Rendas de biltres




Há quem defenda que se os bancos, de conluio com os governos do PS e do PSD, aliados a empreiteiros e às grandes empresas de construção, não tivessem decidido assaltar as poupanças de milhares de famílias, baixando artificialmente os juros de compra de casa até as pessoas acreditarem ser mais vantajoso comprar casa do que arrendar, ficando encalacradas para o resto da vida e, como agora se vê, completamente à mercê dos "mercados"... o mercado de arrendamento não teria ficado moribundo e as casas dos centros das grandes cidades, a apodrecer... mas isso é discutível.

Há quem defenda que se o Estado, diretamente, ou através de programas municipais, promovesse a recuperação dos muitos milhares de casas devolutas existentes, não só criaria milhares de postos de trabalho, como “salvaria” da penúria centenas e centenas de senhorios pobres, sem dinheiro para fazer as obras, valorizando as rendas. Isso viria daria um valente empurrão a centenas de pequenas empresas de construção e restauro, reavivaria os centros das cidades, em Lisboa e no Porto, por exemplo, corresponderia ao regresso aos centros citadinos de muitos milhares de pessoas, ao reavivar do pequeno comércio, da animação, da convivialidade... mas isso é, também, discutível.

Há quem defenda que é criminoso os grandes senhorios e, por vezes, os empreiteiros a quem as casa já foram vendidas, deixarem essas casas ao abandono, na mira dos grandes negócios especulativos que elas permitirão quando finalmente estiverem a ponto de ruir... mas isso é, evidentemente, discutível.

Há quem defenda que é imoral ver-se gente de elevado nível de vida, instalada em belas casas de oito e mais assoalhadas, em zonas históricas e nobres das grandes cidades, pagando rendas que “herdaram” de pais e avós, algumas de menos de cem Euros, ou mesmo muito menos... mas isso é ainda mais discutível.

Há quem defenda que é igualmente imoral obrigar um velho, ou velha senhoria, a viver com a miséria dos cem ou duzentos euros da renda de uma decrépita e grande casa, sabendo perfeitamente que a sua inquilina sub-aluga os quartos a cinco ou seis estudantes, por trezentos, ou mais euros por mês cada um... mas isso, embora a custo, também é discutível.

Depois há aqueles que defendem que não é preciso fazer rigorosamente nada, a não ser aplicar a fórmula mágica da “Liberalização das Rendas. Assim, por milagre, com o dinheiro de duas ou três novas rendas liberalizadas, os senhorios podem, imediatamente, com aqueles frescos quatrocentos ou quinhentos euros, fazer grandes obras de restauro e passar a viver muito bem, dando graças aos milagres do neoliberalismo... mas isso, para quem tiver pachorra para discutir com neoliberais... é muitíssimo discutível.

E aqui chegamos ao protagonista deste post, o fascistóide salazarista António Ribeiro Ferreira, cronista do Correio da Manhã. É claro que esta última solução para resolver o problema do mercado de arrendamento é a que este "génio" defende, arrasando qualquer plano de investimento público e repartindo as culpas pela inércia que permitiu deixar moribundos os centros das cidades, por todos os governos que não tiveram coragem para mexer na "Lei das Rendas"... até chegar a Salazar, que num dos seus rasgos de economia de mercearia de aldeia, decidiu um dia que as rendas de casa não seriam mais atualizadas.

Esta decisão do governo fascista, obviamente, também ela discutível, fez-me ganhar o resto da manhã, já que o nosso fascistóide cronista decidiu chamar-lhe «condicionamento esquerdista de Salazar». Nem mais!!!

Decididamente – e pelo menos para mim, isto não é discutível – o fascistóide cronista António Ribeiro Ferreira... é um pândego!

14 comentários:

Maria disse...

É, o botas tinha um costela altamente esquerdista...
Sei de um T2 com renda de 1 euro. Queres melhor?
Acho que hoje vou ter pesadelos...
:)))

Abreijos.

trepadeira disse...

Mesmo muito pândego não me faz rir.
Há,cada vez mais,coisas legais a não caberem na consciência.
E há cada vez menos consciência.Sempre foi um adereço,a erradicar,para o capitalismo,ou neoliberalismo,ou terrorismo de estado,ou ....
Um abraço,
mário

João de Sousa Teixeira disse...

Salva-se o trocadilho das imagens, porque dar atenção a este palhaço, além de te sujar o blogue, não vale a pena.
Quanto mais se mexe nisto; mais mal cheira.

Abraço
João

Ferreira Ribeiro disse...

Desculpa lá, o fascistóide em referência com os meus apelidos - raio de sorte... vá lá que invertidos - é só fascista ou parvo o as duas coisas. Aquel coluna que gratuitamente os cafés e os restaurantes nos facultam generosamente é uma espécie de extra para a despesa...

Estás a saber umas coisas - e a expor muito bem - de economia. Vê lá o condicionamento industrial-profissional do homem de Santa Comba Dão!

Um abraço

Lídia Craveiro disse...

Nem mais! Há uma certa parecença física entre os dois! O país está à mercê de gente deste género, infelizmente. Guardo sempre a esperança (a ultima a morrer dizem) que o povo tente mudar o rumo a isto.

donatien alphonse françois disse...

Autêntico Warhol...Fazes arte com coisas vulgares...

Antuã disse...

Estes fascistoides são ridículos mas lá vão tendo tempo de antena. Seria para rir se não fosse trágico.
Antuã

Anónimo disse...

Infelizmente, a «liberalização das rendas» significa aumento das rendas mínimas para valores de mercado, ou seja, os €500, € 600, sem os senhorios fazerem obras...

Os sociais democratas tentaram implementar esta ideia, durante o governo de Pedro Santana Lopes. Quase conseguiram, não fosse o descalabro deste governo.

Depois, foi aquele senhor, a quem eu alcunhei o «cabeça de porco», Sua Exa. Eduardo Cabrita que fez uma lei só para o mercado de arrendamento, fazendo com que as rendas mínimas fossem gradualmente subindo até chegarem aos valores de mercado.

Este senhor até teve o displante de afirmar que aquela lei não significava a «lei do despejo».

Porém, esqueceu-se de explicar como é que alguém ganhando o salário mínimo nacional poderia pagar uma renda de € 450, € 500...

Julgo que este é um problema em que uma das mentalidades - a dos proprietários - é a mais forte, a qual até manda nos nossos governantes. Ou seja, quem exigir algum senso comum à nossa classe de proprietários, está bem lixado... pois é a ideia de propriedade aquela que domina: uma propriedade única e cara (para ricos).

Os pobres, esses, estão condenados a dormir em tendas de campismo ou em casa dos pais, até haver um tempo, em que terão de procurar um quarto para dormir ou alguém que remedeie a situação.

Índio

Graciete Rietsch disse...

O problema da habitação é muito sério. Aí o Estado tem mesmo que intervir, no bom sentido.
Sobre as casas de rendas baixas, o que sei é que estão totalmente degradadas.Hoje não há casas para a juventude, porque são extremamente caras e os jovens ou estão desempregados ou ganham ordenados muito baixos.
Mas isto de encontrar vestígios de esquerda em Salazar só por brincadeira.

Um beijo.

Paulo Assim disse...

Se este individuo é jornalista, a minha mãe é a rainha de Inglaterra...
Mete mesmo asco.

Fernando Samuel disse...

Um pândego fascista, se faz favor...

Um abraço.

Alien8 disse...

Um pândego, sem dúvida. Enfim, para Franco Nogueira, também Salazar devia ter "uma costela esquerdista". Outro pândego. E não se pode exterminá-los?

Anónimo disse...

A ideia de chamar à ideia de Salazar de «esquerdista», será devido ao congelamento das rendas, uma política que não se generalizou no tempo do Salazar.

No entanto, este jornalista faz o seu trabalho em baralhar e confundir os leitores menos atentos, ou seja, os leitores do «Correio da Manhã», onde também escreve o Emídio Rangel.

E quem lê o «CM»? Sou testemunha que, numa tasca, desta freguesia, o «CM» é posto à disposição do cidadão anónimo. Qualquer pessoa, pode beber uma bica, beber um «copo de três» e ver as mulheres nuas no jornal, como também dar «um lamiré» nas notícias do raptos, roubos, violações, drogas, etc, etc...

O «CM» é também o jornal com maior publicidade à prostituição femenina e masculina deste país.

Portanto, é «um grande jornal», esse, onde o ARF escreve...

Índio

Aristides disse...

Sintomaticamente a coluna que ele assina chama-se Diário da Manhã (com ou sem til, tanto faz)
Abraço