quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Governo Sócrates – Mentes doentes em corpos sãos



Ontem não foi um grande dia para o PS. Tirando a prestação titubeante e errática de Manuel Alegre no debate com Cavaco Silva, que deve ter deixado o exército de “socialistas” que figuram nas listas de apoiantes e na Comissão de Honra do atual Presidente bastante satisfeitos, foi, como digo, um péssimo dia para a imagem do partido e do seu propalado apego ao “Estado Social”... nem falando já do pobre “socialismo”, a respirar penosamente, há anos, pelo buraco da fechadura da gaveta...
Como se não bastasse o chocante anúncio do secretário de Estado adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro (a carantonha em cima à esquerda), que sem saber mais o que dizer para justificar a aplicação de taxas moderadoras no SNS a desempregados e pensionistas, acabou a dizer que 485 Euros é uma pipa de massa, tive o café da manhã completamente “talhado” por outra notícia, esta vinda do ministério da milionária escritora e Ministra da Educação, Isabel Alçada, sobre o tratamento dado a professores, ou professoras que sofram, por exemplo de cancro, ou, no caso delas, de uma gravidez de risco que as afaste por uns tempos da escola.
E dizem vocês “Ó Samuel, essa é fácil! Claro que os professores e professoras são apoiados nesses seus momentos difíceis e ajudados...”
Errado! Ficam com a carreira estagnada, sem possibilidade de progressão! Justifica-se o Ministério da Educação, dizendo que «não há legislação específica para estes casos!»
Diz quem sabe, no mundo da justiça, ou mesmo que apenas dê uns toques de latim, que in dubio pro reo, algaraviada que, dizem-me, quer dizer que na dúvida, decide-se a favor do réu. Diz ainda quem sabe que «Conquanto não se encontre expressamente contemplado em qualquer preceito da Constituição ou da legislação ordinária, o princípio in dubio pro reo é unanimemente reconhecido entre nós como princípio fundamental do direito processual penal» (lido num acórdão).
Ah… mas não para este Governo e o seu Ministério da Educação! Na dúvida, na falta de "lei específica", lixa-se o professor ou a professora. Quem os manda adoecer?
Confesso que não é muitas vezes que dou comigo a ficar sem palavras; mas esta, francamente…

17 comentários:

Maria disse...

E se fossem para o raio que os parta?
Será que estes gajos não têm um pinguinho que seja de vergonha nas fuças?
Estou com febre, posso dizer isto.

Abreijos.

Graciete Rietsch disse...

E enquanto não os obrigam a trabalhar, como já aconteceu!!!!!
E as pessoas continuam a dizer que não vão votar porque são todos iguais!!!!!!
Estou cansada!!!!

Um beijo.

Mnauel Norberto Baptista Forte disse...

Vi o debate tetevisivo de ontem, e óbviamente que saltou à vista um certo atabalhoamento do candidato Manuel Alegre frente a outro candidato que embora mostrasse algum nervosismo, mas, vincou as ideias de um centro direita caquético e repetitivo, e ainda por cima sabendo-se quem foi e é o "defensor" de tais teses ... sociais.
Ponto final (digo eu): nos debates, o vencedor foi FRANCISCO LOPES.
Com respeito a este desGoverno, cada cavadela cada minhoca.

do Zambujal disse...

G'anda post(a)!
Deixa-nos sem palavras... depois de ditas as que não podem (ou não devem?!) ser escritas.

Abraço

J.S. Teixeira disse...

Ontem à noite escrevi um artigo exactamente acerca deste assunto n' O Flamingo onde denuncio a pouca vergonha daquilo que é o PS e o seu modelo de "justiça social".

Mas acima de tudo é com grande agrado que vejo esta denúncia em mais locais visto que a notícia audio chegou a estar em destaque no site da Antena 1, mas passadas algumas horas, como se tratasse de magia, foi remetida para o esquecimento tornando-se difícil o seu acesso.

Certamente que os jornalistas que publicaram estas declarações já devem ter levado um belo puxão de orelhas dos patrões.

Tenho dito.

José Fernandes disse...

Pior do que os mandantes, só mesmo os capatazes dos mandantes. A esse energúmeno em cima, virtude politica de longa data ao jeito de "puta oferecida", desejo-lhe saúdinha...
Bom ano, labajão sem vergonha!!!

Pedro Viseu disse...

Impossível de aturar, é o que é.

Mário Reis disse...

Leio no jornal da sonae, que o ministério da tal carantonha, gastou 21 milhões em pareceres que de nada serviram.

No dia em que foram anunciadas a famigeradas taxas, a PT distribuiu à quadrilhice os tais dividendos que pagariam, taxas moderadoras, subsidios de desemprego e afins, entre outras comparticipações que os coveiros roubam diariamente aos trabalhadores e às familias.

É necessário pôr fim a esta bandidagem, e encontrar alternativas de ruptura e verdadeiramente socialistas.

Os povos tem de se libertar deste sistema neoliberal e fascista, que cimenta a mais terrivel das servidões.

Há que lutar contra os inimigos do povo e sobretudo contra estes nojentos traidores que dirigem o "PS" e afundam décadas de conquistas sociais e democráticas.

Fernando Samuel disse...

Excelente post!

(Aí estão duas exemplificações concretas do conceito de «Estado Social» em vigor no Largo do Rato/S.Bento...)


Um abraço.

relogio.de.corda disse...

Caro parceiro blogosférico, será que posso deitar cá para fora uma expressão popular portuguesa e que eu tanto gosto!? PÓ RAIO QUE OS PARTAM!!!!
Estes tipos não merecem o ar que respiram. A ralé está sempre lixada, isto, para não usar uma palavra pior.
Há 2 anos, o ministério (um dos que vem referido no post)a que eu pertenço, achou que eu decidi passar 2 semaninhas de férias num hospital pediátrico onde estive a acompanhar a minha filha que iria ser submetida a uma cirurgia.
Faltei, como é lógico porque se sou mãe, acho que devo sê-lo também nos momentos menos bons da vida dos filhos. Faltei posteriormente, mais 3 semanas porque a criança precisava de alguém por perto no chamado período de convalescença.
Conclusão; aquela situação coincidia com um ciclo de avaliação docente e levei por tabela, como se fosse uma baldas ou uma faltista profissional.
Enfim... "perdoai-lhes Senhor que não sabem o que sabem!"; nós é que nos lixamos, essa é que é essa!!!

Luis Ferreira disse...

ANIMAIS, mas será que não ficam doentes? dessas bestas tudo pode acontecer nem doentes ficam.
Morte à canalha! Bandidos sem escrupulos...

Anónimo disse...

Custa-me ver camaradas meus a lutar constantemente pelos direitos dos professores. Só quem não trabalha numa escola e não contacta directamente com essa classe é que a pode defender. Classe mais corporativista e reaccionária é difícil encontrar. Auto-convencidos da sua superioridade intelectual por serem uma classe supostamente "qualificada" estão sempre do lado do poder desde que não sejam eles os principais atingidos. Anti-comunistas, tudo fazem ao seu alcance para boicotar a luta dos restantes trabalhadores.

samuel disse...

Anónimo (22:20):

Meu caro,
Depois de ler o seu comentário, apenas confirmei uma convicção antiga: não gosto mesmo nada de generalizações!
Mesmo sabendo, como todos sabemos, que existem professores incompetentes, preguiçosos, com mau carácter, pedófilos... ou que votam em Cavaco Silva, isso não justifica que os outros se vejam misturados com essa gente, a propósito da tal "classe".
Há "classes", sim. E estão em luta. Só que a luta de classes não se trava entre as "classes" dos professores contra os jardineiros, bombeiros contra cangalheiros, etc.... não. São outras classes!

Saudações.

Anónimo disse...

A generalização surge quando determinados traços são comuns `a esmagadora maioria de uma classe profissional, ou se quiser ao conjunto de indivíduos que exerce uma mesma profissão. Sobre a luta de classes, gostaria de saber quantos docentes se consideram parte do proletariado. Palpita-me que o camarada admirar-se-ia com o resultado. Quanto `a unidade dos trabalhadores, experimente passar numa escola num dia de greve da Administração Pública e verá quantos docentes aproveitam vergonhosamente a luta dos restantes trabalhadores para ganhar o dia de vencimento sem dar uma única aula. Claro que há excepções mas olhar para elas como representativas da classe docente é incorrer num erro grosseiro e só o fará quem desconhecer por completo a realidade das nossas escolas.

relogio.de.corda disse...

"Só quem não trabalha numa escola e não contacta directamente com essa classe é que a pode defender"
Senhor Anónimo, dou razão ao Samuel: não generalize! Se quiser, eu dou-lhe o meu lugar durante uma semana, uma semana apenas, para o senhor verificar que está a fazer uma ideia errada da classe e além do mais, esse seu comentário vai ao encontro daquilo que esta governação socrática andou a fazer durante estes anos:deitar abaixo o bom nome de todo e qualquer profissional da educação.
Também há bons e maus cidadãos, bons e maus músicos, bons e maus operários, bons e maus militantes,bons e maus médicos, gestores... não vou nomear mais, senão não parava.

Anónimo disse...

O sr. relógio de corda fará parte da referida classe profissional e até acredito que será uma das excepções a que me referi. Eu sei que há bons professores, e não é disso que se trata, porque esses são os que remam contra a maré que domina a escola pública de hoje: o caciquismo e a falta de solidariedade. Quanto `a troca de lugar, poderia fazer-lhe exactamente a mesma oferta que a constatação seria a oposta. Já em relação `a comparação do que afirmo com a máfia socratina, desde já lhe digo que vai no sentido completamente errado, pois lutei e lutarei sempre contra governações de direita sejam do PS ou PSD. Ao contrário da esmagadora maioria dos seus colegas. Mas se quiser confirmar o que digo, experimente ler o artigo do seu colega António Avelãs, no Le Monde Diplomatique de Dezembro que o elucidará acerca da mobilização e disposição da classe para a luta e do seu anti-comunismo.

relogio.de.corda disse...

Anónimo
Faço parte sim, dessa dita classe profissional.
Quero dizer-lhe que é da discussão que nasce a luz e como pessoa tolerante que sou e aberta ao diálogo, tenho de lhe dizer que as generalizações que todos temos tendência a fazer, por vezes, são injustas e incorrectas. Neste caso concreto, vou procurar então ler o tal artigo que refere e depois lhe darei notícias.
Desejo-lhe um bom 2011.