quinta-feira, 19 de julho de 2012

Governo Passos/Portas – Vara de trafulhas


Numa manobra de gestão dos danos que poderiam advir do anúncio, perdão, “estudo”, de mais cortes nos serviços públicos de saúde, entre outras malfeitorias com que este governo de fanáticos nos vai agredindo numa base diária, como a exigida continuação da baixa dos salários por parte da "troika"... anuncia-se, tchantchantchantchaaaan!!!, um novo engodo, perdão... um novo "benefício fiscal" para os contribuintes.
É verdade. A partir do próximo ano, todos os cidadãos que estiverem dispostos a fazer de “inspectores” do Fisco, exigindo facturas até dos cafés... poderão, se guardarem essas largas centenas de facturas do ano inteiro, descontar no IRS uma percentagem da exorbitância de IVA que andaram a pagar ao longo de 365 dias nessas facturas. Na prática, poderão descontar um máximo de 250€ no IRS.
Boa! Boa?! Bem... se pararmos para pensar um pouco, veremos que para atingir esse desconto de 250€, teremos que apresentar facturas no valor total de 2.280 euros por mês, ou seja, cerca de 27.000 euros num ano.
E assim chegamos à conclusão de que este “benefício” fiscal será apenas para os bastante endinheirados. Para aqueles a quem os 250€ no fim do ano não fazem falta rigorosamente nenhuma. Aqueles para quem 250€ nem chegam para uma almoçarada com os amigos. Cos diabos!, mais do que isso custa no restaurante uma garrafa apenas de “Barca Velha”, ou “Pera Manca”, ou...
E assim chegamos à conclusão, mais uma vez, de que nos governos que o capital tem posto à frente dos destinos do país, há sempre quem se dedique, exclusivamente, a explorar a ignorância de muitos... e a tentar fazer de todos os outros parvos. Não estou disposto!

5 comentários:

Edgar Carneiro disse...

E, se bem percebi a notícia, nem todas as facturas são aceites.
Este despudor e à-vontade na mentira e na demagogia barata só pode partir de quem não tem o mínimo respeito pelos outros e por si próprio.
Aliás, tirando os "comentadores" e "politólogos" do costume, poucos têm coragem de defender este governo.
Até a "abstenção violenta" está a envergonhar muita gente e a deixar em muito maus lençóis os seus defensores.

Graciete Rietsch disse...

Outro dos grandes embustes!!!Quem cairá nele?

Um beijo.

ferroadas disse...

Não os vejo a perseguir os tipos que colocam o "seu" dinheiro em paraísos fiscais para não pagarem impostos cá, coisa que até a "insuspeita" CGD faz. Isto é mais uma manobra de diversão para nos distrair e, pelo que dizes, colocar os incautos a servirem de fiscais do fisco.

Antuã disse...

E o pior é que há muito boa gente que vai engolir esta propaganda!...

trepadeira disse...

É uma medida que não consigo qualificar,tal a velhacaria.
Dois aspectos:
Um pequeno agricultor,como vai passar factura?A despesa será muito superior ao valor,total,das vendas,é o fim da agricultura familiar,pois,é a diferença entre haver dinheiro para comprar pão ou,passar fome,é,em muitos casos,a diferença entre a vida e a miséria mortal.
É o fim,também,da sobrevivência dos pequenos comércios das aldeias e,com eles,a sobrevivência de muitas aldeias.Há centenas de casos,no interior,onde para se poder beber um simples café é necessário ir a outra freguesia,nem sempre a próxima,a muitos quilómetros.
Sabendo-se do hábito das autoridades em castigar só os mais humildes teremos,mais uma vez,a perseguição a quem já está em agonia.
É o assassinato do interior e das pessoas que cá estão.

Esqueceram,tais energúmenos,que a maior parte dos camponeses pagam impostos pela totalidade do valor do trabalho,ou seja,o preço porque vendem os produtos é muito inferior ao custo do cultivo.

Como dizia meu avô:
"-Isto já só se resolve com um sacho de crista.".

Um abraço,enquanto não paga imposto,se calhar já paga e eu ainda não dei conta,
mário