quinta-feira, 1 de abril de 2010

António Mexia – Uma perspectiva “histórica”



Numa definição simples (talvez até demais...) o autismo é um distúrbio que impede os indivíduos de interagir com o mundo que os rodeia, ou mesmo, no limite, de entender esse mundo. Criou-se assim a ideia de que o autista vive num mundo à parte, com regras e realidades próprias.

Vergada pela ditadura do “politicamente correcto”, a nossa classe política baniu do seu léxico a palavra “autista”, quando discutem entre si, alegadamente pela ofensa que isso poderia constituir para os autistas. Acontece que não me sinto obrigado à maior parte das regras do “politicamente correcto”. Primeiro, porque essas regras pisam demasiadas vezes o risco do pensamento único a roçar o fascismo; segundo, porque neste caso do “autismo” estamos a comparar coisas incomparáveis, senão vejamos:

Um autista é um doente que por si só nada pode fazer contra a doença, enquanto os outros “autistas” são-no, tendencialmente, por pura canalhice, ganância, falta de escrúpulos.

É aqui que entra o traste que gere a EDP, António Mexia (na fotografia é o da direita). No seu “autismo” acanalhado, ele e os que o rodeiam acham normal ganhar num ano mais do que três milhões de euros. Acham normal ganhar cerca de 8.500 euros por dia!

Por muito demagógico que seja fazer estas contas, é bom saber que um trabalhador da EDP que ganhe o Salário Mínimo Nacional (e há tantos!) para levar para casa os 8.500 euros que este crápula ganha por dia, terá que trabalhar, já que não passa dos cerca de 15 euros por dia... mais de 566 dias. Ou seja, para ganhar os cerca de 3.3 milhões de euros que Mexia ganhou num ano, esse trabalhador teria que viver e trabalhar mais do que 496 anos, isto se tivesse subsídio de férias e de Natal, senão seriam ainda bem mais.

Para colocar a coisa numa perspectiva “histórica”, o nosso trabalhador da EDP teria que ter nascido no mesmo ano em que morreu El Rey Dom João II, o "Príncipe Perfeito", em 1495, ter começado a trabalhar aos 19 anos, em 1514... e nunca ter parado de trabalhar até hoje.

Pensando bem, podemos deixar o “autismo” para as trocas de galhardetes da Assembleia e debates televisivos, ou mesmo deixar cair de vez a designação, por respeito aos autistas verdadeiros e às suas famílias. Este tipo de escória que se instalou nos lugares de topo da nossa economia e governação merece “nomes” bem mais claros, mais contundentes, mais adequados.

12 comentários:

filipe disse...

Chama-se a isto, na boa linguagem popular, "ser de boas contas".

O post, claro, não o Mexia - este, continua a "mexer" impunemente nas nossas contas, para escândalo e indignação dos portugueses!
Abraço.

jrd disse...

O Mexia mexe nos rabos (salvo seja)de palha de muita gente. Logo, vai continuar a assobiar para o ar.

Jeremias disse...

Dizes bem são uns canalhas e uns gozões.
Que trabalho é feito para justificar tal enormidade? São os mesmos que querem acabar com os subsidios de natal e férias com o subsidio de desemprego, como se o desempregado o estivesse por gosto. E depois vem-nos exigir o pagamento da crise - o tanas!

donatien alphonse françois disse...

Pois há que fazer essas contas...a direita diz que não iníquas.

Diogo disse...

Bom, visto que a «nossa democracia» não só resolve este tipo de situações, como os multiplica, porque não há-de um grupo resoluto de cidadãos apanhar o Mexia e enforcá-lo?

Graciete Rietsch disse...

Esses pseudo políticos,esses sim, são todos os mesmos. Mas há os que lutam, os que trabalham e esses são os que triunfarão.
É escandaloso o que se passa com esses a que chamam políticos e os que os comandam ou simplesmente seguem.
Um abraço muito amigo.

Pata Negra disse...

"Mexia" não é com "ch"? É que se fosse com "ch" era um erro! Mas erro maior é estar no passado! Esta gente mexe e mexe bem!
Um abraço mexido mas inconvencido

manuelmgaio disse...

Parece uma provocação para os desempregados, os pensionistas e os trabalhadores com salários de miséria. Quantos salários poderiam ser pagos com o que esta gente ganha a mais?
Mas, não tarda muito, um governo do PS ou do PSD ou dos dois vai resolver o assunto: vai permitir que os salários, prémios e mordomias dos gestores passem a ser do "foro privado" dos cujos ditos, isto é, confidenciais.
Esperemos que não tenham tempo...

Maria disse...

Excelente e transparente post!
"(na fotografia é o da direita)" é de mestre...

:)))

Abreijos

Paulo Silva disse...

É este senhor que na qualidade de presidente do CA/EDP sonega aos trabalhadores do grupo que gere a possibilidade de uma vida melhor.
Sou Trabalhador da EDP, e 1,5% na tabela salarial que me "impuseram",(pois a federação afecta à CGTP não assinou o acordo salarial), é injustificável perante esta "apropriação" da parte de quem em nada contribuiu para os lucros fabulosos da EDP

Fernando Samuel disse...

Nomes mais adequados?: talvez... sei lá...

Um abraço.

samuel disse...

Per tutti:
Verdadeiramente extraordinária é a técnica que utilizam para ignorar os clamores e escândalo que invade os jornais e a opinião pública... e levarem o dinheirinho para casa na mesma.
Verdadeiros craques!


Abraço colectivo.