segunda-feira, 4 de abril de 2011

Juventude em luta – Não adianta esconder!


Há uns dias, muita gente ficou surpreendida com a súbita simpatia dos média para com uma manifestação de protesto convocada pela chamada “geração à rasca”. Na verdade, aquilo que agradou aos patrões desses média, mais concretamente na profusão de posições paralelas à convocatória propriamente dita, foi o seu tom geral, em que perpassava um indisfarçável ataque aos partidos (todos os partidos), ao Parlamento (todos os deputados), aos políticos (todos os políticos) e a profusão de argumentos populistas que alimentam centenas de conversas de tasca. Em momento algum os patrões dos média mostraram simpatia para com a luta contra a precariedade e o desemprego... que esses são o “pão para a boca” do grande capital. Como todos assistimos, os média pegaram nesses “pormenores programáticos” estranhos à estimável convocatória inicial... e trataram de, durante dias, promover intensamente a manifestação e fazer a sua cobertura em direto e “em grande”.
Independentemente de o saldo dessa grande realização ter sido positivo e, sobretudo, para que não haja confusões sobre as simpatias dos grandes patrões dos média, as manifestações que se seguiram (e seguirão) têm nesses média o tratamento miserável a que já estávamos habituados, como é o caso desta bela jornada de luta realizada no dia 1 de Abril, convocada pela “Interjovem”, organização dos jovens trabalhadores da CGTP.
Salvo honrosas e tímidas exceções, como esta, ou esta, a ação de luta destes jovens trabalhadores foi ignorada, boicotada, censurada de uma forma generalizada, sendo que o inefável “Público” foi o destacado campeão, ao não publicar a propósito do acontecimento uma única linha.
Sobre estes verdadeiros “boletins” dos grupos económicos a que pertencem, aos quais, teimosamente, ainda se vai chamando “comunicação social”, assim como às suas evidentes e cruas “declarações de interesses”, que alguns ainda tomam por “critérios jornalísticos”... já muito se escreveu. Seja como for, sempre que assisto a estes assassinatos de notícias e da verdade, ainda me pergunto:
Mesmo sabendo que uma boa parte destes funcionários dos média já se venderam tão totalmente que deixaram de “sentir” seja o que for... quanto aos outros... que raio sentirão quando, por exemplo, preenchem um recibo, ou um inquérito qualquer... e no espaço destinado à profissão, escrevem...  jornalista?
Adenda à cautela: Não vale a pena virem dizer-me que o “critério”, desta vez, terá sido o tamanho das manifestações, já que, como todos sabemos... e a propósito de tanta coisa, não é propriamente o tamanho da luta que conta... mas sim aquilo que se faz com ela!

16 comentários:

Maria disse...

Excelente post!
E como não me espanta o silenciamento dos media sobre esta (e outras) manifestação(ões), deixo

Abreijos.

salvoconduto disse...

Olha que que o critério do tamanho também pesou. Fossem só meia dúzia deles e havias de ver como as imagens e respectivos comentários apareciam...

Anónimo disse...

Fábrica de ignorancia é o que estes psudo-jornalistas são, vendem ilusões e vendem-se a eles, o que a televisão diz é o que parece ser...
Senão não teriamos a vergonha que é o futebol e os seus adeptos, correm aos milhares para uma batalha campal...mas que país é meste ou que m undo?

Anónimo disse...

O que me espanta, é a animosidade NÂO DISFARÇADA, de tantos militantes do PCP, em relação á Manifestação da Geração á Rasca.

E a pergunta que eu gostaria de lhes fazer, porquê?

Será porque não foi organizada e controlada pelo PCP, e mesmo assim, Lisboa e o Porto , assistiram a manifestações que mobilizaram dezenas de milhares de cidadãos?

Será porque na sua desorganização organizada, demonstrou capacidade de atrair sectores, que normalmente não saem á rua a exigir os seus direitos?

Teve cobertura da comunicação social, porque era a primeira do genero, convocada pela internet, e porque acabou por ter, uma adesão totalmente inesperada.

E só por isso.

E não porque fosse claramente anti-partidos ou anti deputados, quem lá esteve o que viu, foram manifestações claramente de esquerda com um enorme desejo mudança.

Compete agora aos partidos de esquerda darem resposta a esse enorme desafio, não se fechando em sectarismos balofos, nem apoucando manifestações só porque não as controlaram.

samuel disse...

Anónimo (11:15):

Essa da animosidade contra estas manifestações... é um bocadinho forçada, não é?
Foi realmente isso que entendeu deste post? É triste!
Mas também... achar que não havia aproveitamento anti-partidos, anti-parlamento, anti-políticos... por parte de muitos dos que se colaram, além de achar que aquilo era tudo malta de esquerda... (mesmo os "skinheads" e a JSD, talvez?) enfim... :-)))

... mas que fique claro, já que não entendeu à primeira: foram grandes e belas manifestações, cheias de significado, carregadas de possibilidades de futuro e sim, tudo isso mesmo sendo "desorganizadas" e "descontroladas"... :-)

O rural disse...

Toda a geração adulta pós 1974 deve explicar a esta juventude porque se chegou a uma dívida que levará décadas a ser paga por essa mesma juventude.

As reformas aos 40 anos, os estádios de futebol as expós e as secutes!

As regiões eas câmaras e camarinhas!

Fomos todos culpados.

Graciete Rietsch disse...

Apesar da desorganização organizada eu teria lá estado, apesar de não ser jovem, se não tivesse outro compromisso importante com a minha Organização. Só espero que os jovens que nela participaram continuem a sua luta e não deixem de contribuir para a resolução dos seus problemas farendo-os chegar aos governantes e dar já um passo importante,no dia 5 de Junho, votando, agora, no Partido que lhes mereça confiança.

Um beijo.

Antuã disse...

De confiança só o PCP.

Suq disse...

Votem votem votem ...
Não aqui ... mais alem ...
Ao centro pra ficar bem ... atascado ...
Aqui não, que me faz comichão ...
Apoia apoia apoia...

À rasca ou no desenrasca a juventude (saída da casca) na rua do contra - abaixo lá gritou!

Apoia apoia apoia ...

Será que já se conformou?!!

Anónimo disse...

Samuel
Sobre jornais e jornalistas já expressei por aqui a minha opinião que não é nada favorável a semelhante gente que até deixaram de ser gente e oferecem-se a troco de nada e nem da sua própria espinha se lembram. Querem jornalistas não vendidos? leiam o Avante!.
Vitor sarilhos

Anónimo disse...

Samuel
O Centcom também pode aparecer como anónimo.
Vitor sarilhos

samuel disse...

Vítor Sarilhos:

Não iria tão longe... :-)))
Não, não estou a dizer que no "Avante!" há jornalistas "vendidos"! :-))) O que quero dizer é que a função de um órgão central de um partido não é exactamente a mesma de um órgão de comunicação social vulgar.
Mas que fazem muita falta imprensa, televisão e rádios de qualidade, isso fazem!
Que algum dia teremos que fazer alguma coisa por isso... começa a ser por demais evidente.

Abraço.

Anónimo disse...

De confiança só o PCP, certamente para si....e SÒ.

Quanto á presença de 20 neo-nazis que provocatóriamente se infiltraram na cabeça da manifestação,julgo que a repulsa que causaram a quem deu pela sua presença, mostrou bem como estavam totalmente isolados.

Afinal em termos idelógicos e de politicas o CDS, ou PP como preferirem , não é assim tão diferente deste rebotalho, e isso não impede que haja gente de esquerda que se alie com eles nas autarquias.

Fernando Samuel disse...

Excelente texto!

Um abraço.

Rogério Pereira disse...

Bom post. Eu sistematizei a denúncia. Assim, numa página do meu blogue:

2 - Vejamos o que se vai passar nestas eleições

A partir de hoje irei quantificar o espaço atribuido a cada partido e o custo incorrido (tabela de preços de publicidade). Semanalmente lhe direi, tudo somado quando o DN concedeu 2equitativamente". A titulo de exemplo, as contas de hoje:
PSD e JSD = 3 colunas ao alto + 1/4 de pág. + 1/8 de pág. = 4 240 €
PS e JS = 1 coluna ao alto + 1 pág. + 2 colunas ao alto + 1/8 de pág. = 8 150 €
CDS e JC = 1/32 de página = 140 €
PCP e CDU = 0 (Zero)
BE = 0 (Zero)
Claro que ainda é cedo para conclusões. Mas acho que vai bastar uma semana...

lino disse...

Justiça seja feita, o Diário de Notícias também noticiou, e com direito a imagem (pelo menos na edição online).
Abraço