segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Guimarães Capital Europeia da Cultura





Até agora, que eu tenha reparado, a única coisa realmente espectacular do programa “Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012”... são os rechonchudos vencimentos que vão fazendo cair, mensalmente, vários milhares de euros nos bolsos de cada administrador e demais individualidades, com o ex-Presidente Jorge Sampaio à cabeça. Jorge Sampaio é o presidente do conselho-geral da Fundação Cidade de Guimarães, mas também por lá têm cadeira Freitas do Amaral, Adriano Moreira, Eduardo Lourenço... 

O dinheiro pinga todos os meses e a cada presença em reuniões, sem falhar... independentemente dos percalços e atribulações, incompatibilidade de egos, demissões e atrasos na programação.
Agora o empreendimento pretende ter um novo fôlego, com a chegada ao leme do projecto de João Serra em substituição da demitida Cristina Azevedo. João Serra, para além dos cursos e doutoramentos que tantos outros têm, possui a “competência” específica que o torna indiscutivelmente a pessoa certa para dirigir o grande acontecimento mediático e cultural: pertenceu à casa civil de Jorge Sampaio.
O novo presidente, entre outras coisas disse que «tratam-se de escolhas cirúrgicas, assentes em elementos com provas dadas»... o que me deixa a pensar que se este “tratam-se”, em vez de “trata-se”, não foi um erro de transcrição do que o senhor disse, por distração do jornalista... então a “cultura” da coisa está a precisar de mais uma demão de verniz...
Esperemos que tudo corra pelo melhor, mas a cada notícia que chega, menor é essa esperança. Agora, leio que vai ser feita uma encomenda de cerca de trinta filmes trinta, a outros tantos realizadores portugueses e estrangeiros, uma lista que inclui grandes nomes, como o do "nosso" Manuel de Oliveira, ou do francês Jean-Luc Godard. Filmes que, segundo os "encomendadores", «reflectirão a riqueza histórica e cultural da cidade de Guimarães».
Eu sei que nestas coisas há sempre quantidades de dinheiro que ninguém suspeitaria estarem disponíveis... mas, francamente... trinta filmes?!
Temo que mais uma vez e como vai sendo o triste hábito, depois de serem atirados vários milhões de euros para cima de uma ideia, ela morra, passada que for a avalanche de livros em edições de luxo, de concertos, filmes, instalações, performances, tudo em faraónicas produções compradas em regime “chave na mão” e mandadas vir de fora – salvo as muito honrosas excepções nacionais – tudo volte, em Guimarães, ao normal da vil tristeza de grande parte das nossas cidades e vilas: não haver uma oferta minimamente regular (quando há, sequer, oferta) de filmes, concertos, peças de teatro... fora do circuito das tradicionais romarias atascadas em música pimba, farturas e carrinhos de choque.
Mas... posso muito bem estar enganado.

9 comentários:

Luis Filipe Gomes disse...

Estas capitais europeias de cultura são a amostra da pobreza generalizada que alastra na Esuropa em termos de Cultura. Os milhões são consumidos entre os amigalhaços istitucionais onde estão envolvidos a pedreiragem da construção civil com a basófia académica e as plumas civis e militares das comendas oficiais. Todos comem à conta dos que morreram de fome e ingratidão. Todos comem à conta da propaganda de uma Europa abastada mas fechada que saqueou o mundo; mas que hoje e agora, como ontem, deixa morrer em naufrágio os que arriscam perante a miragem, ao pretenderem chegar ao oásis de uma vida melhor.

Justine disse...

Quem dera que estivesses - mas inclino-me muito (ainda caio...) que estejas certíssimo!

Rogério Pereira disse...

Não sei porque admite o engano...

Maria disse...

É fartar vilanagem... 30 filmes é obra!!!! Os ordenados deles também...

Abreijo

trepadeira disse...

Temo bem que não.

Um abraço,
mário

Graciete Rietsch disse...

Trata-se de imensas nuvens de poeira lançadas para encobrir as despesas escandalosas, incluindo os ordenados chorudos, neste país a criar pobres todos os dias.

Um beijo.

Malhao disse...

Nada como um país farto...

Abraço

Fernando Samuel disse...

A coltura é como a kultura: é muito, muito, cara...

Um abraço.

Anónimo disse...

Vergonhosa também a desfaçatez de Nuno Portas, conseguiu afastar e quantas vezes usurpar o trabalho de Fernando Távora.
Uma exposição de Nuno Portas?
Porquê?
Porque motivo estão a descaracterizar o espaço público e as ruas em geral?
Leofilização e higienização do espaço público, ausência de referências do passado, tal como os nazis quando queimaram os livros.