domingo, 14 de julho de 2013

Drama em Pamplona – Será só em Pamplona?!


Enquanto decidia o que escrever para este post, um noticiário da SIC-N mostrava-me um slide onde tinham escrito “Drama em Pamplona”. O desenvolvimento da notícia explicava que, pela milionésima vez, bandos de irresponsáveis se tinham feito trucidar por toiros em corrida tresloucada pelas ruas, alguns em fúria... todos os restantes apenas aterrorizados pela selvajaria dos “humanos” que festejam desta forma a memória de um indivíduo que dava pelo nome de Fermin... e que chegou a “santo”.
Pensei com os meus botões: realmente, Pamplona tem um drama... mas não é apenas hoje! É o drama diário de ser habitada e gerida pelo que parece ser uma maioria de débeis mentais que, ano após ano, repetem esta insanidade, por não resistirem à ancestral sede de sangue mascarada de cultura.
Por uma estranha coincidência, pouquíssimo tempo antes tinha assistido a alguns escassos minutos da estreia de um “imponente” programa da SIC, dedicado ao mesmo universo: o da a relação amorosa de alguns cromos com os cornos dos toiros.
Vivemos num tempo (que dura há anos) em que qualquer uma das televisões não consegue encontrar justificação para pagar o que quer que seja aos artistas (sobretudo cantores) que convida para abrilhantar os seus programas, programas em que apenas os apresentadores têm o estatuto – e o ordenado – de grandes vedetas. Os artistas, na expectativa de assim poderem promover os seus espectáculos ao vivo, caem no conto do vigário.
Ao mesmo tempo, no entanto, assistimos a estas mega-produções, com custos de montagem ostensivamente milionários, como é este “Olé”, que promete pôr "famosos" a pegar toiros no luxo climatizado do novo Campo Pequeno. Para compor o ramalhete, junta-se sempre o mesmo grupo de indigentes, que andam de concurso em concurso, fazendo de bobos a troco de dez reis de mel coado, bobos que tanto podem ser escritoras “light”, como “lilis-caneças”, como ex-concorrentes do “bigbrother”. Veste-se a Bárbara Guimarães mais ou menos de espanhola... e já está!
Nunca, é uma palavra demasiado forte... e neste tempo de coisas “irrevogáveis” deve usar-se como os ouriços cacheiro fazem amor: com muita cautela. Por isso mesmo, digo apenas que se é extremamente difícil alguém conseguir ver-me a participar de uma daquelas manifestações pró-animais e anti-touradas... é ainda mais difícil conseguir ver-me a assistir a uma dessas touradas.
Costumo dizer que bastará esperar, sem grandes hostilidades nem discursos inflamados de parte a parte, que o tempo e a evolução se encarreguem de varrer dos (poucos) palcos em que ainda persiste, o espectáculo “artístico” da tourada... como já antes varreu os não menos “artísticos” espectáculos das lutas de gladiadores, etc., etc.
Enquanto eu me perguntava se, numa altura destas, mesmo que apenas como entretenimento, era mesmo de um espectáculo de televisão assim que o país precisava... a minha mais recente namorada (pronto... a coisa dura há já 30 anos, mas nem por isso deixa de ser a mais recente) leu-me o pensamento e, vendo as cores berrantes, as maquilhagens exageradas, o luxo bacoco, a entrada esvoaçante do Castelo Branco... comparou aquilo ao fim do Império Romano.
Como acrescentar mais seja o que for? É aquilo! O país a agonizar, as suas instituições e as estruturas do poder a apodrecerem, lenta e irremediavelmente... por debaixo do brilho falso e decadente dos espectáculos de arena.

13 comentários:

Anónimo disse...

quando encontrei o seu blog, vi que tinha um page rank de 5, só agora é que começo a perceber o porquê.

Anónimo disse...

A existência dos forcados, é para justificar o corte dos cornos do touro para os maricas dos toureiros não correrem perigo.

Anónimo disse...

é pena não haver um milionário disposto a fazer uma ganadaria para criar touros mais inteligentes, e depois patrocinar toureios a pé com prémios fabulosos, e esperar para ver qual os maricas que se apresentavam.digo isto por que de bom grado ninguém convidaria esta ganadaria para nenhum toureio.

Graciete Rietsch disse...

Post que merece apenas o comentário
EXCELENTÍSSIMO. Aqui este superlativo aplica-se com toda a autenticidade.

Um beijo.

Luis Filipe Gomes disse...

Bela crónica!

samuel disse...

Anónimo (09:23):

??? :-) :-)

samuel disse...

Anónimo (09:28):

Normalmente, epítetos de cariz sexual, não são publicados aqui.

Vou admitir que este seu "maricas" não tem conotação com quaisquer opções sexuais dos ditos toureiros... já que o povo utiliza a palavra, o mais das vezes, sem essa conotação.

Assim sendo, acredito que a esmagadora maioria dos toureiros não seja, como você lhes chama, "maricas"... se bem que aquela mania das lantejoulazinhas e dos collants cor de rosinha... não ajudem muito. :-) :-) :-)

samuel disse...

Anónimo (09:37):

Meu caro... os touros já são MUITO MAIS INTELIGENTES do que (quase todos) os tais milionários ganadeiros!!! :-) :-) :-)

Manuel Norberto Baptista Forte disse...

Segundo me disseram já hoje, foi mais uma treta desemchabida que SIC lançou na sua programação.
Já não bastava a chachada da não irrevogabilidade da demissão de Paulo Portas, toda a trapalhada política actual Portuguesa, e agora toma lá mais uns minutos de um desengraçado programa.

Maria João Brito de Sousa disse...

Ah, GRANDE Samuel!!!

trepadeira disse...

Não consigo acrescentar nada,está aí tudo.
Touradas,a mostrarem a decadência desta sociedade,também fora das arenas.

Abraço,

mário

São disse...

Passe o plebeísmo da expressão, estou-me completamente nas tintas para quem vai para as ruas de Pamplona ( ou de outro lugar qualquer ) enfrentar miúras com um jornal.

Quanto às associações de defesa do touro( sim, só do touro, pois jamais nomeiam o cavalo - entalado entre as esporas do cavaleiro e os cornos do touro)também me estou borrifando.

Espero que vinguem as touradas de que gosto, isto é, aquelas em que os humanos enfrentam um animal perigoso como é um touro de lide, que mesmo ferido de morte não deixa de atacar e investir, sem que o firam.

Preocupo-me, isso sim, muitíssimo mais com a indigência cada vez maior da programação das televisões portuguesas e lamento a pobreza de espírito de quem perde tempo a ver tolices deste jaez!!

Bom domingo para vós.

Jorge disse...

Na expressão dos touros parece estar escrito: "E os brutos somos nós?". belo texto!