sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Eleições a tiro





Quando há uns dias li a notícia da prisão de uma tal Carminha Jerominho, estávamos nós no auge da nossa campanha publicitária sobre a violência e insegurança em Portugal. Optei, nessa altura, por não aumentar ainda mais o ruído.
Agora que há novidades sobre a "figuraça" Carminha, aproveito o facto de a crise actual ser de outra ordem, para voltar a este assunto.
Afinal, quem é esta Carminha Jerominho? Ao que parece, é uma carioca, filha de um vereador, que acumulava o cargo na vereação com o de dirigente de uma das organizações criminosas que assolam várias zonas do Rio de Janeiro. Provadas as ligações do vereador ao mundo do crime organizado, este "foi dentro". 
Uma das actividades destes bandos de traficantes é, com a ajuda do terror, "incentivar" os cidadãos das favelas e outros bairros populares, a votarem em candidatos autárquicos escolhidos pelos chefes do crime, muitas vezes, membros dos gangs. Preso o Jerônimo Guimarães, a organização escolheu a sua filha, para se candidatar às eleições que agora decorreram.
Num "excesso de militância", membros do gang, às ordens do pai da candidata, chacinaram várias pessoas do bairro, uma espécie de "acção de campanha eleitoral", apenas para deixarem bem claro o que pensavam sobre a esperança de vida de quem se opusesse à Carminha. Na sequência destes assassinatos, a candidata foi também parar à prisão, onde aguarda julgamento. Era esta a tal notícia de há uns dias...

Não penso nada de especial sobre esta história, a não ser que o Brasil, que é um grande país e o povo brasileiro, que é na sua maioria, um povo gentil, trabalhador e cheio de luz, mereciam muito melhor do que isto e que vão mesmo ter que se concentrar para o fazerem pelas suas mãos.
Este post serve apenas para nos lembrarmos destas realidades de extrema violência, desrespeito pela vida humana e os mais básicos direitos e liberdades, na próxima vez que estivermos a levar com as baboseiras do Ministro Rui Pereira e dos comentadores de serviço, sobre a nossa "grande insegurança".

15 comentários:

salvoconduto disse...

Curioso, também estive para fazer um post sobre as eleições e a campanha eleitoral nas favelas, onde se algum candidato pretendesse ir teria que avisar previamente a fim de ir com escolta militar.

Já imaginaste o número de pessoas nas favelas? É para mim natural que um candidato do terror ali vença as eleições.

O Brasil tem ali pano para mangas.

Lúcia disse...

A realidade social no Brasil é qualquer coisa de irreal! a corrupção alastrou-se como praga. Até às mais altas instâncias. Regada a sangue. E a pobreza que continua... pobreza a todos os níveis. Um povo que merecia melhor sorte, sem dúvida.
Beijos

do zambujal disse...

Pois é, Samuel (porque será que, aqui, começo tantos comentários assim?).
Estamso perante mais uma das formas da alternância: insegurança-confiança, insegurança no viver do dia-a-dia, criada e provocada e publicitada, confiança nos políticos/administradores, pedida e dita indispensável e propagandeada.
Páro aqui senão sairia post!, e este é que está aí para ser lido e comentado. E... muito bem.
Um grande abraço

Fernando Samuel disse...

Vistas as coisas de outro ângulo: a carminha e o pai são fotocópias reduzidas de outros candidatos (em países que são modelos de democracia...) com currículos que, em matéria de crimes, andam pela casa dos... muitos milhares...
E isto anda tudo ligado...

Um abraço.

Ana Camarra disse...

Pronto o que faria o nosso Major Valentim se fosse Brasileiro, ou a Fatinha de Felgueiras, ou o Alberto João?
È uma questão de contexto...

Estou como o Fernando Samuel, isto anda tudo ligado...

beijos

Maria disse...

Da violênia, corrupção, e etc. no Brasil está tudo dito acima, não vou repetir... ainda por cima o snr. google entrou em greve ontem à noite sem avisar...

Abreijos

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

Aqui no Brasil costumamos chamar essa coerção do voto de coronelismo. E acredite Samuel, isso nasceu com a colonização portuguesa e parece que se enraizou por aqui. Quando os portugueses resolveram colonizar o Brasil, definitivamente, em 1534, dividiram o território em 14 faixas imaginárias chamadas Capitanias Hereditárias. Cada Capitania era entregue a um administrador, um fidalgo português, que a dividia em sesmarias (latifúndios) e entregava a posse ao colono português que tivesse cabedal para ali produzir. Esses sesmeiros eram chamados de "bons homens" e eram os únicos a participarem da política colonial junto às Câmaras Municipais. Apesar de não serem eleitos, eles possuiam imenso poder sobre suas terras, seus escravos e a população local.

Quando a "independência" do Brasil ocorreu, em 1822, os descendentes daqueles sesmeiros passaram a excercer influência também no recém criado poder legislativo. Influência esta que sobreviveu ao Império e, com o advento da República, em 1889, continuou a prevalecer.

Conforme os séculos passaram, o velho coronelismo não deixou de existir, apenas se adaptou às novas tendências e tecnologias.

Se em 1720 um escravo era açoitado por não cumprir os mandos e desmandos dos senhores de engenho. Agora, se um carioca da periferia não vota nos candidatos patrocinados por uma milicia, ele leva chumbo.

Além da prisão da Carminha Jerominho, no dia da eleição o exército brasileiro fora mobilizado para conter este tipo de coerção e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral)passou a proibir o uso de celulares na câmara de votação. Os celulares eram utilizados para que o eleitor fotografasse seu voto na urna eletrônica para depois comprovar ao miliciano que o voto fora concedido a um dos seus candidatos patrocinados.

Uma lástima!

o escriba disse...

Samuel

E cá?
Confesso que os meandros politiqueiros ultrapassam a minha compreensão, mas gostava qe me explicassem, como se eu tivesse quatro anos, os casos do Major e da Felgueiras (estes são so mais mediáticos). Ainda bem que não estamos no plano dos tiros, mas que são umas belas facadas, lá isso são!

Um abraço
Esperança

Anónimo disse...

-fico podre, raís me partam porra não é que até a porra do Caim foi levada pelos Portugueses quando colonizaram o Brasil.
Ora vão .....

samuel disse...

Caro anónimo

Não fique podre...
Primeiro, porque o que o Caím conta é verdade.
Segundo, porque toda a gente sabe que os portugueses também levaram duas ou três coisas boas para o Brasil, só que aqui, estávamos a falar do caciquismo mais ou menos violento, que por cá também existe, embora num registo mais "light".
Terceiro, porque se amofina sem necessidade...

Volte sempre.

Anónimo disse...

Por cá ainda vamos indo... Mas a continuar com esta políticas de injustiça social, não sei...

Antuã disse...

Temos Madeira, Oeiras, Gondomar, Felgueiras,etc. A ver vamos como diz o cego.

Pata Negra disse...

No Brasil a revolução já começou: sem ideologias, sem valores, sem poetas, sem ordem. Mataram-lhes as razões mas não lhes mataram a força!
Aprendamos deles apenas uma coisa: a fazer a revolução de porta a porta.
Um abraço revolucionário.

O Puma disse...

sÃO ROSAS

SENHOR