terça-feira, 28 de outubro de 2008

Ensaio sobre a ternura


Que me desculpe o anónimo de um comentário do post sobre o Sepúlveda, anónimo que pelos vistos odeia Saramago, o que curiosamente, é uma das características que definem a esmagadora maioria dos anónimos que andam pela blogosfera e pela vida, mas vou voltar ao José Saramago.

Não é para ajudar a vender o seu mais recente livro “A viagem do elefante” (coisa para que não precisa da minha “ajuda” para nada), nem para lembrar que é (para já) o único Nobel da literatura portuguesa, nem que é comunista, daqueles comunistas que ficam no PCP e ainda por cima, muito difícil de ignorar ou escamotear no fundo de uma qualquer página ímpar de um jornal, facto que só alimenta ainda mais o ódio dos tais anónimos.

Não. Desta vez trata-se apenas de lembrar o facto de Saramago ser um homem normal... que apenas se levantou muitíssimo mais cedo no dia em que estava ser “distribuído” o génio. Neste vídeo vemos o escritor, acompanhado de Fernando Meireles, realizador do filme “Blindness”, feito a partir de “Ensaio sobre a cegueira”, no momento em que terminou o visionamento (o primeiro, para Saramago) do “seu” filme.

A projecção acabou e Saramago demorou tanto tempo a dizer fosse o que fosse, que o realizador (como contou em entrevistas) ficou com um aperto no estômago, achando que “Deve ter detestado!” e já se preparava para dizer que "não era preciso comentar nada"... mas o melhor é ver o vídeo.


18 comentários:

Crixus disse...

José Saramago é um homem extraordinario a todos os niveis, e parece que nem é tão insensivel como dizem... É uma honra poder chama-lo de camarada e um luxo poder le-lo na nossa lingua.

Lídia disse...

Momentos de ternura em que as palavras não precisavam de ser ditas. Sentiu-se. Um Grande Homem este senhor.

Lidia

Lúcia disse...

Pá - agora comovi-me.
Grande Homem.
Beijos

Maria disse...

Ó Samuel, esta hora não é hora para eu me comover assim... só mais lá prá noite...
É claro que tive de ir ler o teu post anterior, e ainda bem que voltaste a Saramago!
(este tipo de anónimos nem merecem falar a mesma língua que o nosso Nobel)
Obrigada por este momento de ternura.

Abreijos

poesianopopular disse...

É pá, Já ontem embaciei os óculos, agora outra vez, assim não vale camarada!
Agora companheiro por teres falado em anónimos, eles devem sofrer imenso ao verem estes actos, de amor, amizade, respeito , solidariedade,de, e para com um comunista!
Será que - alguma vez vão aprender? ou vão viver amargurados para o resto da vida?
abraço grande.

Sérgio Ribeiro disse...

Repito, devidamente corrigido, um comentário que deixei, tardiamente, no teu post sobre o Sepúlveda:
Desculpa lá entrar nisto mas esta estória do Saramago e do DN é daquelas que profundamente me irritam, não só pelo respeito que José Saramago merece mas também porque identifica quem a ela recorre, sejam anónimos ou usem pseudónimos ou os nomes próprios ou a senhora que, coitada, os deitou ao mundo. Como não sabem nada de nada, nem querem saber, papagueiam três ou quatro balelas que lhes contaram (ou que terão vivenciado "à sua maneira" viciada) e daí não passam. São os perfeitos contra-revolucionários, fascistas se for preciso aos donos do capital.
E vou ver se leio o Sepúlveda, até porque, como diz o Saramago, ser de esquerda é uma maneira de ser (e de ler).
Abraços

Cris disse...

Samuel
Isso diz tudo.
Este vídeo é uma grande resposta meu querido.
Um grande abraço.

BlueVelvet disse...

Não sou fã dos livros de Saramago e não concordo com algumas das suas ideias.
Isso não ofusca a minha capacidade de reconhecer um génioe o facto de não adorar os seus livros obviamente que não tem que ver com o facto de ele ser comunista.
Eu gosto de Gente e ponto.
E abomino quem faz comentários como aquele que refere e que eu também li.
Pessoas que se escondem no anonimato para vomitarem o veneno que têm dentro.
Este vídeo comoveu-me profundamente e deu-me a dimensão da sua humanidade.
Quem sabe não vou tentar ler o livro, de novo?
Abreijinhos

Ana Camarra disse...

Já tinha visto no momentos e documentos, é uma ternura, a ternura de um homem generoso, artista, completo e sensivél.
Não dês bola a esses caramelos que andam por aí, acho que 95% é mesmo dor de cotovelo.

beijos

fj disse...

É um ribatejano! é uma ternura de homem.
está quase tudo dito ;)
Um abraço

mifá disse...

Quase todas as lágrimas têm o condão de lavar a alma de quem as chora; mas muito poucas conseguem lavar a alma dos que as não choraram.
As que eu acabei de ver lavaram a minha.
Abraço, Samuel, e grata pelo momento proporcionado.

Pata Negra disse...

Senti ao ver este filme (do youtube) coisas parecidas com o que senti enquanto lia o livro.
Obrigado também por me teres revelado que é possível um comunista chorar.
Um abraço com alguma cataratas

Anónimo disse...

Emocionante, o escritor homem...
Aguardo o filme com espectativa.
Abraço

Fernando Samuel disse...

Impressionante!: as lágrimas, os beijos...

Obrigado por este momento maravilhoso.

Um abraço (com lágrimas e beijos)

Ad astra disse...

eu adoro o Saramago ponto final


( a proposito, e os amigos do tiosam que acharam que o filme era um insulto aos cegos???
que cegueira...)

MonteMaior disse...

E pronto! Lá fiquei com as lágrimas nos olhos.

Obrigado!

Isabel Faria disse...

Samuel, roubei-te o filme e até te roubei a ideia do titulo. Não resisi. Obrigado.

ZERO À ESQUERDA disse...

Ele há anónimos que não percebem nada disto. Mesmo nada! Um abraço, Samuel.