sexta-feira, 23 de setembro de 2011

José Niza – 1938/2011


José Niza com José Afonso e Adriano Correia de Oliveira

Morreu o José Niza. Amigo. Músico. Médico. Deputado. Militante do PS. Produtor de vários dos discos do Zeca. Compositor de uma bela mão cheia das melhores cantigas do Adriano Correia de Oliveira. Autor da primeira “senha” musical do 25 de Abril, “E depois do adeus”.
Em 1972, a pedido do Zeca, foi ouvir-me cantar e propôs-me a gravação do meu primeiro disco, “O cantigueiro”, de que foi o produtor. Um ano depois convidou-me para participar no grande disco “Fala do homem nascido”...
O resto é História. Cada um seguiu caminhos diferentes, mas nunca deixámos de partilhar aquilo que resiste a (quase) tudo: o apego às nossas cantigas... e a amizade pessoal.
Quando participei, há alguns meses, num espectáculo em sua homenagem, em Santarém, disse-me que tinha alguns originais a que gostaria que eu desse uma vista de olhos... não chegámos lá.
Zé, aqui fica a tua “Roseira brava”, que o Adriano cantava, e que eu levei a uma festa do 25 de Abril no Coliseu, acompanhado pela Maria (que já não quer andar nestas vidas...) e por aquela revoada de malta tão nova... sem os quais não haverá quem cante as tuas canções... ou as minhas... sem os quais não haveria sequer futuro...
Um abraço, Zé!
“Roseira brava” – Maria do Amparo/Samuel/Oficina do Canto
(António Ferreira Guedes/José Niza)



16 comentários:

Maria disse...

Que raio de notícia triste...

Dois abraços, para ti e Maria.

Cristina Carvalho disse...

Olá Samuel,

Sou Cristina Carvalho, filha de Rómulo de Carvalho/António Gedeão.
Apresento-me, Samuel, porque te conheço há muitos anos e tu não me conheces a mim.
Deixo aqui a minha tristeza por mais este Adeus. José Niza, como sabemos, musicou alguns poemas de meu pai.
Acho que tu cantaste o Poema da Pedra Lioz com música de J. Niza. Também o nosso Adriano cantou, pelo menos dois poemas dele.
Um dia voltaremos a encontra-nos todos no imponderável azul celeste.

Um beijo para ti

Cristina C.

trepadeira disse...

Alguns vão partindo,lembremos os que merecem.

Linda lembrança.

Um abraço,
mário

Orlando Gonçalves disse...

É bom recordar os que partem, para que as novas gerações saibam o que por elas fizeram. José Niza era de facto um homem das canções. Um Adeus e um até sempre.

Justine disse...

Mais um amigo que vai, alargando cada vez mais o nosso "cemitério interior"!
Abraço

samuel disse...

Olá Cristina,

Há muitos anos, logo após o 25 de Abril, tive um encontro com uma jovem no balcão da TAP, nos Restauradores, que depois de tecer alguns comentários simpáticos sobre o disco "Fala do homem nascido", editado em 1973, e sobre a minha participação nele, revelou ser filha do poeta :-) …

Nesse disco, em que todas as músicas são do Zé Niza, cantei "Fala do homem nascido", "Poema da malta das naus", "Poema da pedra lioz" e "Desencontro".
A "Fala do homem nascido" ainda abre muitas das minhas actuações.
Há poucos meses musiquei um "novo" poema do Gedeão, o "Vento no rosto", que gravarei num próximo disco.

Gostei da visita… ainda que por um tão triste motivo.

Um beijo,
Samuel

Anónimo disse...

Ele, o Adriano e o Zeca (e outros tantos) hão de estar numa boa conversa, a cantar aquelas músicas especiais...
Abraço

Luis Filipe Gomes disse...

Espero bem que possamos continuar a reviver o Niza e que te possibilitem dar uma vista de olhos nas músicas que ele tinha para te mostrar.
Oxalá venha rápido esse "Vento no rosto" acompanhado de outros poemas do Gedeão, teus, da música do Niza, da tua e de quem tu entendas.

Fernando Samuel disse...

JOSÉ NIZA.

Um abraço.

jrd disse...

Um Homem que foi e será uma referência, que "parte" porque fica...

Abraço

Anónimo disse...

Mais alguém que não estando em corpo continua e continuará as suas músicas
estão connosco.
Vicky

GR disse...

A Cultura está mais pobre.

Bjs,

GR

Swt disse...

Olá Samuel! Ainda que por este triste motivo, o seu texto de hoje é mais uma daquelas pérolas com que nos brinda e que levei para a página da Escola para memória passada, presente e futura. Passe por lá...

samuel disse...

Swt:

Passaria por lá... mas o link para o blog diz que este foi removido... e acho que nunca tive link para a página da Escola. :-)

Obrigado!

Abreijos.

DNV disse...

Seremos passageiros do vento
Ventos repletos d'ecos
ventos que sopra almas de gente.
Um dia chega de repente
A nau... E nas ondas um pássaro
Leva consigo uma parte
E fica na mente, outra parte
Dessa gente.
Eternos, são os que vão ficando e partindo, num ato simples de tinta permanente.

Abraço do vale. Mes condoleânces.

Graciete Rietsch disse...

Bela canção. Grande homenagem.
A lei da morte não atinge quem não a merece, porque a sua obra fica.

Um beijo.