quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Orçamento e Cultura – De concessão em concessão...


Quando nasci ainda soavam no ar os ecos de uma frase que, a par com a célebre “O trabalho liberta”, escrita numa tabuleta à entrada de um campo de extermínio, é uma das grandes ideias-força do nazismo:
“Quando ouço falar em cultura, saco o revólver”
O monstro que inspirava estas frases não morreu. Anda pelo mundo, correndo em círculos desesperados, tentando encontrar brechas por onde se infiltrar nos cérebros, tentando tirar partido das contradições e dificuldades das sociedades.
Portugal não é excepção. O ridículo, vergonhoso e residual orçamento para a “cultura”, inscrito neste crime disfarçado de Orçamento Geral do Estado que o governo PSD/CDS pretende cometer contra os portugueses, é bem a prova disso.
Como se não bastasse o continuado desrespeito para com os criadores e produtores de cultura, agravado pela insolência de nem se saber ao certo qual é o montante que estará disponível para a SEC, vem agora o irrelevante Viegas defender que o Património Cultural é “desígnio nacional”... logo, como parece evidente naquelas cabeças, é a coisa mais adequada para concessionar à gestão de privados.
Gostaria de dizer, em primeiro lugar, que todos os partidos da oposição, independentemente de terem ou não reais perspectivas de chegar ao poder, deviam registar, como se fosse uma “pré-lei”, a garantia de que quaisquer entidades privadas que tiverem, entretanto, deitado as mãos a qualquer parcela do Património Nacional, serão corridas sem direito à mais pequena indeminização, logo que este governo de bandidos for apeado. Talvez arrefecesse os apetites.
Diria ainda que este deplorável declínio cultural e político, que leva estes calhordas a achar que o Património Cultural é passível de ser concessionado e transformado em mais um negócio para os amigos, deve-se a muitos factores, mas, também, ao facto de tantos de nós, durante tanto tempo, termos feito tantas “concessões”.
Já chega!

13 comentários:

Antuã disse...

A nossa cultura não pode ser alienada. Corramos com eles.

Maria disse...

Começo a ficar cansada destes gajos.
Não da Luta! Mas destes gajos... são uma verdadeira overdose.

Abreijos.

Provoca-me disse...

Termos feito tantas concessões? Como assim?

Graciete Rietsch disse...

A cultura é património nacional, a sua gestão não pode ser entregue a qualquer privado. Isso traria como consequência a baixa dos impostos para os que dela se apropiassem e ainda a sua glorificaçlão como Mecenas.

Um beijo.

trepadeira disse...

Não,não,direito à mais pequena indemnização?não,terão de pagar pelo uso abusivo e ganancioso do do património de todos em proveito próprio,e pelos prejuízos causados,sujeitando a criação às leis do dinheiro,fácil e rápido.

Um abraço,
mário

Luis Filipe Gomes disse...

Não podia estar mais de acordo com as ideiotas do amanuense secretário.

Ainda me lembro de umas Joias da Coroa que foram emprestadas para serem expostas num barraco qualquer na Holanda e por um efeito quântico bem conhecido passaram para outra dimensão. Nunca mais se soube nada delas.

Para evitar estas coisas, sendo nós um país que além de dar portugueses, deu novos mundos ao mundo poderíamos agora dar ao mundo o que acumulámos por cá incluindo os portugueses.

Tanta pedra que há aí por esses castelos afora. Se der para fazer hoteis de charme e glámur óquei!
Se não toca a vender prá Lemanha, prá Mérica, prá China, pró Brasil... sei lá! Museus comó melitar, do tiatro, do trajo... oferecíasse cambão a Óliude ou a Bóliude pra filmes dépoca e coisi tal... O qué preciso é empresariar.

samuel disse...

Provoca-me:

Lamento não me ter feito entender com o trocadilho das "concessões"!

Estava a falar de nós TODOS enquanto povo. Depois de vivermos a Revolução de Abril e até hoje… alguém colocou no poder os sucessivos governos do PS, PSD e CDS.

Não me lembro de os ter visto nascer de geração espontânea, ou caírem do céu.

Alguém lhes foi dando a "concessão" da gestão pública e dos destinos do país. Por ignorância, por medo, por interesse pessoal… haverá de tudo.

samuel disse...

Provoca-me:

Ia ficando para trás…

Como o post até era sobre a Cultura, infelizmente há muitos lugares onde a cultura é "parente pobre" … lugares onde seria de esperar melhor.

Anónimo disse...



pois é "provaca-me"! há "agulhas ferrugentas" em todo o lado...

vovómaria

Provoca-me disse...

O Samuel não tem culpa, eu para além de ser loiro, tenho dificuldade em entender algumas coisas. Mas enfim, num país que temos o privilégio de ter tido o Camões, o Eça, o Saramago, o Gil Vicente, apanhamos com estes nazis que não permitem que haja evolução no país, ao invés destróem-no, e pior que isso querem destruir a nossa identidade, a nossa cultura, e os nossos artistas, e cidadãos. Estamos muito mal estamos. Ainda para mais quando o povo não percebe o que eles andam a fazer mesmo.

samuel disse...

Provoca-me:

:-) :-) Abraço.

Olinda disse...

Aolongo dos anos,tem sido uma polîtica do vale-tudo.Nestas alternancias,hao-de privatizar pedra por pedra deste paîs.

Mario disse...

Os melhores monumentos do mundo têem gestão privada, a começar pelo museu do Vaticano. Devem estar todos errados... talvez por terem descoberto que é a melhor forma de garantir a sua sustentabilidade.