quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

CIMPOR - Brasil, Angola... e confissões





Nesta estória da OPA de uma multinacional brasileira sobre a “nossa” CIMPOR, devo confessar que preferiria a permanência da grande cimenteira nacional em mãos portuguesas... mas claro que sou suspeito, pois devo confessar igualmente, que o que preferiria mesmo, independentemente das “mãos” privadas, brasileiras ou não, que venham a apoderar-se de mais uma empresa de importância estratégica para o país, seria ver a CIMPOR nas mãos do Estado, a servir realmente os interesses da nossa economia e essa economia de facto ao serviço de todos os portugueses.

Não podendo ser (pelo menos para já), devo confessar (para acabar as confissões) que antes assim! Afinal é menos uma empresa que vai parar ao pecúlio da inexplicável Isabel dos Santos, filha do Presidente de Angola, cujos fundos de milhares de milhões para comprar meio mundo parecem inesgotáveis.

Aliás, depois de um trabalho jornalístico que li há uns dias, sobre os novos ricos e novas ricas de Angola, as suas taras consumistas, as suas jóias personalizadas, as suas vindas a Lisboa em aviões fretados, expressamente para fazer compras ou ir ao cabeleireiro, as dezenas de festas e casamentos de funcionários secundários do Estado angolano, com centenas e centenas de convidados, muitos dos quais vestidos por estilistas portugueses que lá se deslocam propositadamente para que tudo corra bem e garantir que (t’arrenego!!!) nenhum vestido se repita (um deles, por exemplo, gabava-se de só numa dessas festanças, ter mais de trinta vestidos a muitos milhares de euros cada)... depois de ler esse trabalho jornalístico, como dizia, e vendo o abismo obsceno que em Angola, um país atascado em riquezas naturais, mas que mesmo assim “precisa” da solidariedade internacional para cuidar do seu povo, separa o nível de vida desse povo e o desta classe emergente de verdadeiros “criminosos sociais”, lembro-me de um trocadilho carregado de humor negro, já com muitos anos, mas que serve aqui como uma luva:

“Quanto mais o dólar sobe, mais o Bangladesh!”

É só trocar os nomes... estraga o trocadilho, mas não muda a realidade.

13 comentários:

Daniel disse...

Samuel, o pior é que isso não é uma "estória", mas uma história. Com demasiados mexilhões para tão poucas ondas.

Maria disse...

Não conhecia o trocadilho...
O petróleo dá muito milhão, pelo que vemos. E como qualquer filho da mãe a menina governa-se enquanto a deixam...

Abreijos

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes disse...

Ai Agostinho Neto o que fizeram dos teus ideais? Quem estará a apoiar estes crimes?
Beijos.

Anónimo disse...

Verdade tanto lutou Agostinho Neto e mais um punhado de homens sérios, para Angola dar no que "está a dar para esta gente"

E se Amilcar Cabral imaginasse que a Guiné se transformaria num entreposto de droga, MORRIA mais cedo?

Triste!

Boas festa para todos

Lagartinha de Alhos Vedros

Fernando Samuel disse...

Também li esse trabalho jornalístico - e gostaria de ler um idêntico trabalho a contar como são as coisas por cá... estou em crer que, salvo em algumas minudências, não seria muito diferente...

Um abraço.

Talina disse...

Olá Samoel

Como que mágoa ler e saber destas noticias, enfim chega-se á governação e lá como cá é este fartar vilanagem.

Que o Natal seja mais um momento
em que as pessoas acreditem
que vale a pena viver um Ano Novo.


Feliz Natal e Próspero Ano Novo.


Abraço

Talina

São disse...

Entre Angola e Espanha, ainda sobra alguma coisa para o Brasil?!
Somos maiores do que aquilo que sabia...

Felizes Festas.

JMJ disse...

Não era melhor vender aos brasileiros?

daqui por uns anos eram naturalizados, jogavam pela selecção e ficavamos todos amigos como dantes...

Já estou a imaginar a Cimpor a jogar ao lado do ronaldo com as quinas ao peito.

fj disse...

a menina governa-se pq assim o "povo" seguidor ...o quis(continua a querer)

...é lindo de ver na TV como aqueles srs estão tão gordos.
(já parecem o António Bosta)

Não fosse Portugal um País da europa estariamos no mesmo barco.


Um abraço

Fernando Santos (Chana) disse...

Belo post...Espectacular....
Votos de BOAS FESTAS....
Um abraço

LAM disse...

Samuel, interpretei mal (o que, volta e meia lá calha), ou sugeres que a Zon está ligada ao estado?
É que não está.

Abraço e uma boa bacalhauzada extensível a todos como se quer.

samuel disse...

Daniel:
Até ao dia em que os mexilhões aprenderem a esquiva-se... para os verem a eles estatelarem-se nas rochas.

Maria:
Esta é mais filha-do-pai.

Graciete:
Penso nisso muitas vezes.

Lagartinha:
Eram homens com uma outra “luz”...

Fernando Samuel:
A ideia é essa, companheiro. Em alguns casos, estes trabalhos jornalísticos sobre Angola, explorando a justa indignação política de alguns e o ressabiado passado racista e colonial de muitos, servem exactamente para “adoçar” o que se passa por cá.

Talina:
Infelizmente, mesmo que um ou outro “acredite”... em Janeiro passsa imediatamente... ☺

São:
Ainda há três ou quatro coisitas...

JMJ:
Enquanto formos escravos do mercado globalizado... será assim.

FJ:
Acho que no que respeita aos “esquemas”... já estamos.

Fernando Santos:
Boas Festa também para aí...

LAM:
Não, não sugiro. São negócios diferentes...
Obrigado pela bacalhauzada!


Saludos gerais!

Manuel Norberto Baptista Forte disse...

Uma teia de interesses capitalistas, que em nada irão beneficiar os respectivos Povos.