quarta-feira, 1 de abril de 2009

Genericamente falando



Primeiro os factos.

Milhares de portugueses, sobretudo idosos pensionistas, condenados a medicações crónicas, não têm dinheiro suficiente para comprar a totalidade dos medicamentos que lhes são prescritos. Ficam assim expostos às consequências de tratamentos “coxos”, ineficazes, no limite, mortais.

Os medicamentos genéricos à disposição nas farmácias, são certificados, em termos de qualidade, exactamente pela mesma organização que certifica os medicamentos de marca, que é o Infarmed.

Os medicamentos genéricos são, de uma maneira geral, muito mais baratos, não sendo raro custarem metade do que custam os outros.

Ultimo facto, a resistência de uma grande parte dos médicos a prescrever medicamentos genéricos é notória.

Terminados, por agora, os factos, não sendo eu especialista na matéria e sim apenas um dos tais que todos os meses tem que comprar um saco de medicamentos, que tomarei “para sempre”, como me disse o cardiologista, não tenho grandes comentários a fazer, já que nem me passa pela cabeça imaginar as conversas que os jovens e “agressivos” vendedores das grandes marcas têm com alguns médicos, dentro dos seus gabinetes, nem o que diabo é que se discute naqueles exóticos "congressos" de medicina, que têm sempre lugar na Madeira, Seychelles, Tahiti, etc.

Mesmo sem grandes comentários, sempre vou dizendo que as justificações dadas pelos médicos (ouvi alguns durante a tarde) para se recusarem a adoptar os genéricos, se em alguns (poucos) casos merecem uma segunda leitura, na maioria são absolutamente fantásticos, criativos, hilariantes, vergonhosos... conforme o sentido de humor, capacidade financeira ou estado de saúde de quem os ouça.

As cores dos comprimidos são diferentes? O feitio? O aspecto da caixa? O doente vai acabar por tomar medicamentos em excesso?!

Valha-nos a santa! (Santa paciência, obviamente!)

12 comentários:

Joao Carlos disse...

"Fisco multa 120 mil reformados com 100 euros cada. As Finanças vão multar 120 mil contribuintes que o ano passado não entregaram a declaração de IRS referente a 2007. Em causa estão sobretudo pensionistas e reformados, que enfrentam uma multa de pelo menos 100 euros.
Apesar de, em muitos dos casos, estes contribuintes não terem IRS a pagar, por auferirem rendimentos baixos, a multa parece inevitável. É que, segundo a lei (artigo 58º do Código do IRS), os pensionistas estão obrigados a entregar a declaração de IRS sempre que obtenham um rendimento bruto superior a 6.100 euros por ano (para 2007)"

Ao tomar conhecimento desta novidade das Finanças Portuguesas, cumprindo a Lei, pois claro, pensei para comigo que seria um assunto interessante para partilhar no Cantigueiro.
Eis senão quando o post que encontro é sobre idosos pensionistas.

Sempre atento, né Samuel?

do Zambujal disse...

Este teu post é... pedagógico. Diz verdades como punhos. Vinha para casa, e fartei-me de genéricos nas bocas dos médicos. Como se eu, que andei pelas "propagandas médicas", não conhecese as pressões (perdão, isto é do outro post... do das panelas).
E achei muito curioso aquele conselho (médico?) dos ditos médicos para as farmácias, em vez de terem 30% (é o desconto para o comércio livreiro, perdão, para o comércio farmacêutico), terem 20% ou 10%. Não se metam nisso. Isso é de outras boticas!
Mas é curioso este governo: professores, enfermeiros, médicos, farmacêuticos, etc., e sobretudo trabalhadores em geral, indiscriminados, é tudo com ele... vai tudo raso!
São as reformas sem revolução!

Justine disse...

A indústria farmacêutica é uma das mais poderosas a nível mundial, portanto imagino a "guerra" das marcas e a pressão sobre os médicos

Antuã disse...

Este Pedro nada tem a ver com o nónio, ele preocupa-se mais com o comércio da medicina.

poesianopopular disse...

O jogo de interesses leva-os ao desvariu - perdem a noção do ridículo, fazendo figuras caricatas, como se alguém ainda acreditasse nas babozeiras que eles dizem, gentinha sem vergonha!

pintassilgo disse...

Confesso que quando ouvi o Pedro nunes, que não é o do Liceu, falar em baixar a percentagem de lucro das farmácias lembrei-me logo dos "médicos" que levam 90 euros por uma consulta de 5 minutos, marcam uns exames e levam mais 90 euros quando vamos mostrar os exames!... Viva a medicina pública: Se esta fosse uma realidade morreria muito menos pessoas antes do tempo.

Camolas disse...

A pobre indústria da doença.
Haja saúde!!!
Mil abraços

Fernando Samuel disse...

A saúde é um negócio...

Um abraço.

maria povo disse...

Ouvi numa reportagem na antena1,que os tratamentos oncológicos são adiados por falta de verbas que os hospitais têm para suportar esses custos!!Doentes oncológios com tratamentos adiados????? sendo o cancro uma luta contra o tempo????? que desumanidade!!!

já agora, e a talhe de foice (e martelo!!), há uns anos atrás Mandela mandou que o combate à sida se fizesse com genéricos, tal era a propagação da doença e o estado sul africano não podia suportar tal despesa! A industria farmaceutica ameaçou processar em tribunal... Mandela respondeu:"Então processessem!!!" e a industria farmaceutica não processou!!!

grandes males... grandes remédios!!!!

Lúcia disse...

É o corporativismo versus humanismo. Sim, porque isto é um caso de humanismo! Há idosos que nem conseguem tomar todos os medicamentos que lhes são receitados. Aquilo qté lhes faz mal! mas que interessa para certas gentes! idosos? Cada vez mais um classe média doente, em crise, sem dinheiro, etc...
Tristeza!

Beijos

Sérgio Ribeiro disse...

A saúde é um direito.
O negócio é a doença!

samuel disse...

Já não há saúde, mas para isto, principalmente!

Abreijos colectivos!