terça-feira, 14 de abril de 2009

Quando o trunfo não passa de "joker"




O poeta Manuel Alegre, mais uma vez, conseguiu em apenas meia dúzia de frases, fazer-me concordar com ele, para logo a segui discordar (aí já devia ser o deputado a falar...).

Eu explico. Concordei com o poeta, quando disse que era contra o envio de militares portugueses para o Afeganistão. Discordei, quando o deputado Alegre resolveu dizer que esses militares deviam antes ir para a Guiné.

Desenvolvendo, sou contra a ida de tropas portuguesas para o Afeganistão, ponto! Quanto à Guiné, embora pense que, infelizmente, se está a transformar num Estado falhado e que se os guineenses não fizerem alguma coisa rapidamente, alguém terá que fazer, isso só terá sentido se for feito com um amplo consenso na ONU, realizado por forças de paz internacionais com uma forte participação de militares africanos, operação apoiada numa fortíssima campanha de desenvolvimento e luta contra a miséria... e mesmo assim, apenas se o povo guineense o solicitar, por considerar ter esgotado os meios ao seu alcance, para se livrar da corja de bandidos que, aparentemente, tomou conta do país. Resumindo, Portugal assim, sem mais, enviar tropas para a Guiné, seria um verdadeiro desastre militar e diplomático. De qualquer modo, francamente, parece-me bem que nem seria exactamente essa a intenção do Alegre.

Por estranho que pareça, este post não é nem sobre Manuel Alegre, nem sobre a situação dramática da Guiné. O que me prendeu a atenção foi um “pormaior” da reacção do General Loureiro dos Santos (o nosso General que mais adora “dizer coisas”) às declarações do deputado.

Em relação à ida para a Guiné, disse o óbvio: é um disparate! Em relação ao Afeganistão, já não é! Mais, "devemos ir sim senhor!" Aqui é que eu abri a boca de espanto, com a grande justificação que Loureiro dos Santos dá para a nossa ida para aquele país, engrossar os contingentes militares de Barack Obama e seus lacaios. Ajudar a isto? Impedir aquilo? Defender a fé e a cristandade contra os mouros? Não! Devemos ir porque “isso dá-nos um trunfo importante junto da Aliança Atlântica que nos pode servir em situações em que precisemos do apoio dos Aliados.”

Pergunto: em que altura da sua vida é que um homem, mesmo tendo a excelente desculpa de ser General, se torna assim... cínico? Em que altura é que os valores, se os houve, se transformaram em simples cálculos de interesses?

9 comentários:

salvoconduto disse...

É esse cinismo que tem desencadeado guerras absurdas e mantém mais umas quantas. De uma coisa pode o sr. general ter a certeza o atoleiro do Afeganistão não se resolve por essa via. Continuarão por certo a enviar mais carne para canhão. Quantos terão perecido quando resolverem enveredar por outra via? Nem as guerras passadas fazem luz sobre estas alminhas.

Antuã disse...

Mas o que esperam do ordenança, loureiro dos santos?!...

Maria disse...

Sabes, Samuel, eu acho que os cínicos (e outras coisas) nunca chegam a generais. Nem depois de reformados...
E lá continuamos com a corja a defender que nos devemos baixar "até ao tutano" para a NATO passar por cima de nós...

Abreijos
(o dito líquido está assegurado :) )

Maria Faia disse...

Caro Amigo Samuel,

O que mais existe por aí é gente cínica. Este é só mais um...
Mas, deixe-me dizer-lhe que, no que toca à Guiné, salvo melhor opinião, o problema tem que ser rapidamente equacionado no âmbito da ONU.
Aproveito para lhe oferecer um (ou os que quiser) Ikebana que deixei no Querubim Peregrino para os meus amigos, porque a vida também é feita de beleza e harmonia.

Um abraço amigo, com votos de uma semana feliz,

Maria Faia

Justine disse...

Os valores não se transformaram, acho eu que essa gente já nasceu assim, sem valores...

Hilário disse...

Será que o nosso general está a prever uma nova revolução?

Quanto ao politico Manuel é um poço de contradições.

Um Abraço
Estamos em Abril, dá um pulinho ao continuar!

Lúcia disse...

Não me admirou vindo dali! Valores? lembras-te de cada uma...

beijos

Fernando Samuel disse...

Sócrates e o seu ministro disseram o mesmo (ou pior) por outras palavras: a segurança de Portugal defende-se no Afeganistão...
Mas antes de Sócrates e do seu ministro, já Obama dissera: a segurança dos EUA e da Europa defende-se no Afeganistão...
Ou seja: Obama disse e os Bo's abanam a cauda...

Um abraço.

Anónimo disse...

GeneralMente é assim.