segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Traficantes de vidas






Nesta época que nos impingem como sendo de grande progresso e modernidade, pode parecer estranho ou antiquado alguém continuar a defender que a esmagadora maioria das nossas actividades económicas, sejam as produtivas, sejam as puramente financeiras, sejam os serviços, não deveriam nunca cair nas garras daqueles que não mexem uma palha a não ser no seu próprio interesse. O sector da saúde está bem no alto da minha lista. Acho mesmo que a transformação da saúde pública num negócio milionário é uma das realidades que mais ofende o espírito libertador e solidário de Abril.

Como num pequeno texto de um blogue dificilmente teria tempo para explicar devidamente esta minha “mania antiga”, deixo duas pistas que podem ajudar a entender o que penso... e porquê. São duas notícias que nos chegam do Hospital de Braga, recentemente caído nas patas do Grupo Mello.

Na primeira notícia, os médicos são obrigados, tal como os doentes, a “concordar” com uma mudança de tratamento... mesmo que se dêem mal com essa mudança. Razão? A administração encontrou no mercado um medicamento mais barato, que acha (o que nem todos os especialistas acham) ser equivalente.

Na segunda notícia ficamos a saber que a partir de agora os novos doentes das especialidades de infecciologia, nefrologia, reumatologia e imunoalergologia, terão que rumar a outras paragens, pois ao que parece, o contrato de concessão do Governo, “esqueceu-se” destas especialidades e elas agora, segundo a administração, “não fazem parte do perfil assistencial do hospital”, um extraordinário eufemismo para definir tratamentos e doentes que não dão lucro aos investidores.

A reter, decididamente, fica a ideia de que em Braga, e se não nos pusermos a pau, um pouco por todo o lado, teremos que passar a escolher doenças que se enquadrem no perfil de negócio do Grupo Mello... ou de quaisquer outros abutres equivalentes a quem o desgoverno “socialista” vá oferecendo, um a um, os hospitais.

14 comentários:

Sopro leve disse...

Constroem-se hospitais privados, com o intuito de lucro, mas para ter-se lucro é preciso clientes. Enquanto houverem hospitais do Estado é difícil o privado ter mais clientes, por isso é preciso dar "cabo" dos hospitais públicos, para os doentes destes "passarem a ir" aos hospitais privados.
Mas como a iniciativa privada fala... fala... mas anda sempre a reboque do estado... atrás destes doentes vem o dinheiro de todos nós (ADSE, Segurança social, etc...) serviços esses que nos privados custas 4 e 5 vezes mais, do que custariam num hospital publico a funcionar com zelo, em consideração aos nossos impostos, e não com estas nomeações que andam por ai... sem competência, nem seriedade...

Ana Martins disse...

Só e apetece dizer asneiras...

cetautomatix disse...

Também não faz parte do nosso perfil assistencial tratar das ventas despedaçadas dos Mellos, quando isso acontecer, pois não? É só para saber como iremos usar o dinheiro público nessa altura de saúde para o povo.

Maria disse...

Quem é que disse um dia 'quem quer saúde paga-a'?
Se não eram estes eram os outros ou vice-versa... é a mesma política.

E eu tô farta!

Abreijos

salvoconduto disse...

Nem queira saber o que eu disse quando folheava o JN e dei de caras com essa notícia...

Abraço e boa semana, sem notícias como esta.

Daniel disse...

Houve um presidente e dono de um clube de futebol que se arrogava o direito de escolher a formação da equipa para cada jogo. Esse senhor, hoje, é primeiro-ministro da Itália. Talvez os donos desse hospital de Braga ainda cheguem cá a algo parecido.

Antuã disse...

o que interessa a saúde das pessoas? Quanto mais depressa morrerem menos reformas se pagam. Além disso a morte também é uma oportunidade de negócio.

amigona avó e a neta princesa disse...

Sim aonde irá isto parar?
Abreijos...

smvasconcelos disse...

Rentabilizar a saúde, ou melhor o sofrimento dos outros, é uma posição descarada que merece o maior repúdio.
beijos,

Graciete Rietsch disse...

Saúde,Instução, Habitação, três dos direitos inalienáveis do ser humano. Desejava-se, pelo menos, um esforço para que não fossem ultrapassados pelo lucro. O que faz este governo? Temos que exigir uma urgente ruptura de sistema político.
Beijos solidários.

Fernando Samuel disse...

A Saúde é um grande negócio, não é?...

Um abraço.

isabel disse...

isto é um nojo! é a saúde, é a educação, são os salários miseráveis, enfim...

Anónimo disse...

o que ninguém disse sobre o farmaco substituído...que na nossa vizinha espanha é o mais vendido...

façam uma pequena pesquisa e nao acreditem em tudo o que lêem...

abraço

samuel disse...

Sopro leve:
É esse o triste retrato...

Ana Martins:
Se apetece!...

Cetautomatix:
Por mim podem ir tratar-se com pachos de água morna...

Maria:
Há muito que são sempre os mesmos a cuidar do negócio.

Salvoconduto:
Mas calculo... ☺

Daniel:
Esperemos ter força para que não cheguemos a tanto...

Antuã:
E cada vez mais lucrativa!

Amigona:
O importante é quando...

Smvasconcelos:
Repúdio acompanhado de actos.

Graciete Rietsch:
É a única saída!

Fernando Samuel:
Enorme!

Isabel:
O capitalismo selvagem é um todo...

Anónimo:
1º É essa uma informação tão “delicada” que aconselha, por prudência, o anonimato?
2º O que é que o facto de o medicamento se vender muito na Espanha tem que ver com a notícia, com a imposição da mudança acompanhada de “consentimento” assinado e sobretudo, com o facto de haver doentes que depois de anos a tratarem-se com um medicamento reagem mal ao novo, por muito barato e vendido na Espanha que ele possa ser?



Saludos gerais?