segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Completamente ao arrepio das notícias e documentários históricos que estão na ordem do dia... 24 horas por dia!



A sessão de lançamento do livro “A Reforma Agrária é necessária”, que como atrás anunciei, teve lugar em Évora, foi mais uma ocasião para relembrar aquela que foi sem dúvida a mais bela conquista de Abril. Ali, numa grande e bela casa onde viveu Florbela Espanca, mais tarde comprada por algumas Cooperativas da Reforma Agrária e que agora seguirá o seu caminho na História da cidade como “Associação Povo Alentejano”, passámos um belo fim de tarde. Pela mão do José Casanova, do próprio autor do livro, do Abílio Fernandes e elementos da assistência, conversámos sobre a realidade que foi a Reforma Agrária e sobre o quanto ainda faz sentido num país com a agricultura quase moribunda, as mudanças radicais e para melhor que operou no Alentejo e Ribatejo e, inevitavelmente, sobre as causas que justificaram o profundo ódio que essa conquista atraiu sobre si, ódio a que Mário Soares e António Barreto deram forma, iniciando a ofensiva selvagem que cometeu sobre os trabalhadores e as suas Unidades Colectivas de Produção os crimes que são conhecidos, ao longo de vários governos, com os resultados catastróficos que se vêem.

O livro é, para além dos textos, uma excelente recolha de imagens, ora empolgantes e de festa, ora dramáticas, de que guardo ainda na memória até os sons...

António Gervásio, o autor, é um homem singular, nascido em 1927 (mas que ainda não perde uma ocasião para nos dizer que andamos um bocado devagar...), um alentejano Montemorense, trabalhador agrícola, comunista que nunca virou a cara à luta por melhores e mais justas condições de trabalho e de vida para o povo e que, por isso, viu por várias vezes a sua liberdade de movimentos (nunca a de convicções) encerrada em prisões do fascismo. A Revolução de Abril encontrou-o preso em Peniche, onde estava desde 1971, para cumprir uma pena de 14 anos...

No final da sessão, quando chegou a minha vez de ter a minha cópia do livro autografada, não se esquecendo do meu “estatuto de independente”, perguntou-me se não fazia mal escrever “ao camarada Samuel...”

Nem deve ter notado o quanto me honrou!

15 comentários:

gabriela disse...

Como gostaria de ter assistido!
Mas vou adquirir o livro.

Obrigado por o divulgares.
:))

Hilário disse...

Gostava de estar lá.

Quando o livro chegar ao Algarve irei fazer parte dos que o vão adquirir.

Um Abraço

do zambujal disse...

Ora aqui está uma notícia!
Sobre a memória que não se pode perder para que haja futuro. Diferente deste presente de indidvidualismo, egoísmo, compadrio, de casos que mais são diversão para esconder a sua razão de serem.
António Gervásio com livro apadrinhado por José Casanova e Abílio Fernandes, e notícia redigida por e em Samuel-Cantigueiro, o que não é mas que se hontra de o ser? Ora aí está!

Abraços

Isaflores disse...

Com todo o bloqueio notícioso é importante este contributo à verdade.

Maria disse...

Já só falta um bocadinho para dia 13. Só não sei ainda a hora, etc. etc. ...
E depois só falta outro bocadinho :)))

Abreijos

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes disse...

Das mais belas consequências do glorioso 25 de Abril destaco, para alem da liberdade, a REFORMA AGRÁRIA e as Nacionalizações de VASCO GONÇALVES. O que lhes fizeram os "iluminados"? Um beijo.

Zé Monsaraz disse...

O que tu fazes para não falar no muro! Deve ser porreiro: A gente lava a cabeça com sabão de Berlim e a memória deixa de registar o que não nos interessa.
Cobardia digo eu, coragem é enfrentar os factos, aprender com eles. Agora agarrar mais uma vez nos Alentejanos como arma de arremesso, neste caso contra um muro...
Enfim, continua com manobras de diversão que entrarás no céu... da terra.

Cid Simões disse...

Vivi a UCP do Escoural desde o primeiro dia. Que dor lá não ter estado!

samuel disse...

Gabriela:
É uma bela aquisição!

Hilário:
Vai chegar, certamente... e quem sabe se não será também com sessão de lançamento?

Do Zambujal:
Ah pois honra!... ☺

Isaflores:
Por vezes é a única maneira...

Maria:
Calma!... ☺ ☺

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes:
Fizeram aquilo que se pode ver...

Zé Monsaraz:
Primeiro, dado que a mãezinha não tem culpa absolutamente nenhuma, não respondo à letra a essa triste ideia de me chamar cobarde.
De qualquer maneira, mesmo sendo todo o comentário um chorrilho de tolices e um insulto directo, ainda assim respondo para chamar a atenção para o post de dia 10, às zero e um minuto, para veres que perdeste uma ocasião soberana para estares calado. Azar!

Cid Simões:
Então porque não apareces por aqui no próximo dia 13? É também com o Gervásio, o Zé Casanova... e sei lá quem aparecerá mais...



Saudações gerais!

Zé Monsaraz disse...

Samuel, estarás a referir-te provavelmente ao post das 00,01 do dia 10 que será amanhã. Pronto, nota-se que olhas para o futuro como se fosse presente, coisa que se nota de vez em quando.
Mas piadas à parte tenho que me retractar pela acusação de cobardia e pedir por ela desculpa. De facto, dizer hoje o mesmo que logo após o 25 de Abril, expôr-se a tal absuro, é mais um acto de coragem do que de cobardia. É naif certamente, cobarde não será.
E não só por isso, mas porque a polémica não precisa de chegar aí, sobretudo quando nem irritado se está.Deixa lá então as mãezinhas em paz.

Anónimo disse...

Cobardia é esconder o rosto por detrás das belas muralhas co castelo de Monsaraz.
DIAS TRANQUILOS.
António Pisa

samuel disse...

Zé Monsaráz:
Ok! Então... passar bem!

samuel disse...

António Pisa:
Havia um livro muito bonito em que se desenvolvia o tema "o amor é..."
A cobardia não merece a mesma atenção. :-)))

Abraço.

Antuã disse...

E a luta continua com Caravela e Casquinha ao nosso lado.

Fernando Samuel disse...

«A Reforma Agrária é Necessária»: diz - e demonstra - o António Gervásio.
Um abraço.

(aquele comentário de Zé Monsaraz, independentemente de ter errado o alvo, é bem elucidativo do tempo que vivemos em que, pelos vistos, os média dominantes - propriedade do grande capital - é que decidem sobre os temas que devemos abordar em cada dia...)