sábado, 28 de novembro de 2009

Detergentes




Num canal temático de televisão dedicado aos documentários de viagens e que vejo com alguma frequência, uma jovem simpática e comunicativa apresentava-me a grande cidade de Madrid. A coisa ia muito bem... até que a apresentadora decidiu dar uma pincelada de História sobre as imagens da bonita “Plaza Mayor”, contando-me que aquele ambiente moderno, cheio de juventude e esplanadas coloridas, nem sempre foi assim. Segundo ela, durante a Inquisição Espanhola, que durou quase 400 anos (uma bagatela, digo eu...), os cidadãos que não fossem bons católicos “arriscavam-se” a serem presos, acusados de bruxaria ou heresia, acabando por virem parar a esta praça... onde eram “humilhados” (???)

Não tenho dúvidas de que para qualquer “não-bom-católico”, ser atado a um poste, com uma fogueira por baixo, para ser queimado vivo e em público, devia ser uma situação, se não humilhante, pelo menos bastante “embaraçosa”.

E é assim, mesmo sem querer (ou não...), que se vão passando esponjas com detergentes branqueadores sobre este e outros passados incómodos, ao mesmo tempo que, nos mesmíssimos programas de entretenimento, em relação a outras realidades passadas (ou presentes), sobretudo quando isso “rende” e serve os objectivos da política dominante, se carrega tragicamente nas cores escuras, nos adjectivos e nos números.

15 comentários:

Anónimo disse...

A Inquisição é a maior vergonha da Igreja. Ou das Igrejas, porque os protestantes também as faziam. Quem é que não conhece, por exemplo, o caso das bruxas de Salem?
Mas a Inquisição é, na mesma medida, a maior vergonha da nobreza desses tempos, que a promovia para defender os seus interesses. O papa Clemente VII negou-a a D. João III, por temer os excessos do seu "zelo ", e Paulo III, que acabou por concedê-la, resistiu enquanto pôde à insistência do "Piedoso".
Raros eram os condenados queimados vivos. A média de crimes desses em Portugal foi de sete por ano. E era o Estado que assumia a responsabilidade de matar.
(Não pretendo atenuar culpas, entenda-se. Apenas esclarecer alguns pormenores que sei que são geralmente desconhecidos.)
Daniel

Maria disse...

Nesta e noutras matérias os canais televisivos servem, como seria de esperar, os seus patrões. Aqui e em Madrid. Lá e em Lisboa... e os patrões são os mesmos e sabemos-lhe o nome.

Abreijos

Fernando Samuel disse...

É para isso, e por isso, que o grande capital é proprietário da (quase) totalidade dos média...

Um abraço.

aferreira disse...

-Será mesmo desconhecimento?
-Talvez, falta de vergonha ou censura prévia com guião devidamente cuidado...para a menina deitar faladura.

Antuã disse...

Não há detergente que lave tal nódoa.

vovó disse...

... também já ouvi que a PIDE, afinal, nem era assim tão má, que os campos de cocentração nazis... e não só, foram e são coisas de pouca monta... santa paciência! não se tente branquear dp que se fala neste post, que é não deixar esuqecer a horrível inquisição!
ela existiu e por mais governos maus ou assim e assim, que cometessem tais atrocidades à pala da referida instituiçõa, bastou um desses crimes, para manchar igrejas que os cometiam em nome de Deus. "Pai, perdoai-lhes (?)... "

vovó Maria

do zambujal disse...

Ah! se a Plaza Mayor fosse uma Praça Vermelha e se os cidadãos-não-bons-católicos fosssem cidadãos-bons-católicos dispersos pela polícia por manifestação não autorizada que prejudicasse o trânsito...

O Puma disse...

Nos tempos "modernos" a igreja

católica apostólica e romana

carrega outras fogueiras.

Pedofilia?

Perguntem ao papa.

José Rodrigues disse...

Ontem os CD/SS cá do sítio até tentaram usar "detergente" na A.R. para lavar/apagar da História de Portugal,o 25 de Abril de 1974...Mas atenção, nos comentários de jornais,blogs etc. nota-se que anda por aí muita "ratazana" que fugiu de Alcoentre...

Camolas disse...

Mais do que nunca, é preciso saber ler nas entrelinhas.As notícias e as suas abordagens não são inocentes.

Anónimo disse...

Parece-me ver aqui alguns recados ao meu comentário. Se me engano, peço desculpa. Mas dudivo de que haja aqui amigos que já tenham escrito tanto contra a Inquisição como eu. Tenho um romance que é sobre o tema, e com um juízo muito duro.
Abraços.
Daniel

Justine disse...

A manipulação da verdade histórica, que tanto jeito faz a quem nós sabemos...
E vivá hipocrisia, a falta de rigor, a desonestidade!

ZERO À ESQUERDA disse...

A malta nova de hoje fica sempre com a ideia de que todos esses horrores não passam de ficção e que, o mais certo, é "as coisas não terem sido bem assim..." E depois, há a malta menos nova que, talvez pela idade, tenha perdido a memória... ou parte dela. Abraço e bom Domingo.

Anónimo disse...

O primeiro comentário Anonimo é muito justo e oportuno. A Inquisição também foi um instrumento da luta de classes da nobreza contra a burguesia e o povo em geral.

Nuno

samuel disse...

Regressado ao acesso à internet pelas vias normais em vez de “por interposto computador”, seria agora uma tarefa tão pesada quanto inútil, estar a responder a todos os comentários individualmente, dado o atraso que isto já leva...
Assim, agradeço colectivamente a todas e todos os leitores que passam diariamente por aqui, em especial aos que ainda se dão ao trabalho extra de deixar comentários.
Um grande abraço!