quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Jerónimo de Sousa e Martim Avillez



Martim de Oliveira de Avillez Figueiredo, Martim Avillez, para os telespectadores, aparece repetidamente na televisão, no papel de comentador político/económico. Para tentar enquadrar Martim Avillez, direi que é um dos promotores do “Compromisso Portugal” e que no decorrer da sua (curta) vida profissional, já foi jornalista no Independente, investigador pessoal do Prof. Freitas do Amaral, repórter na Grande Reportagem, Grande-repórter na revista Focus, Director Adjunto da Maxmen, subdirector da revista Sábado, Professor-convidado do mestrado de Teoria Política do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa (rendimento garantido e Estado Providência), Director do Diário Económico, quadro de topo da Sonae, membro da administração do Grupo Lena (proprietário, entre muitas coisas, do jornal “i”) e finalmente, Director desse mesmo jornal “i”.

Para quê a publicação desta lista tão extensa? Para poder escrever e vocês acreditarem logo à primeira, que a simpatia pelo PCP (e pelo comunismo) não é, seguramente, uma das características de Martim Avillez (MA).

No final do debate televisivo entre Jerónimo de Sousa e Paulo Portas, MA foi o comentador convidado para falar sobre a prestação dos candidatos. Depois de afirmar, como outros, de resto, que o debate tinha sido, talvez, o melhor até aí, fez o seu papel, comentando e criticando as propostas apresentadas tanto pelo PCP como pelo CDS. Subitamente, quando já me parecia que dali nada sairia que merecesse registo, ao falar sobre a credibilidade dos candidatos perante o eleitorado, produziu (mais palavra, menos palavra) uma frase que tão depressa não vou esquecer.

“Os eleitores que votarem PCP, sabem que têm um líder que vive dia a dia exactamente aquilo que apregoa.”

Saiu-lhe bem!...

18 comentários:

salvoconduto disse...

Ena cum carago, que rico currículo.

O homem nem deve ter dormido, por vezes a boca foge-nos para a verdade.

Abraço.

oasis dossonhos disse...

Dizer a verdade não fica mal a ninguém e enriquece o curriculum do senhor. Pelo menos merece respeito, já que mostra sensibilidade e (porque não dizê-lo?) inteligência.
LFM

Maria disse...

Haja um, ao menos, que reconheça a verdade... pode é custar-lhe algum tacho, mas paciência...

Abreijos

amigona avó e a neta princesa disse...

Pois é, setrá que já não é mais promovido?
Um abraço Samuel já te disse que me fazes bem à alma?!
Abreijos

Carlos Machado Acabado disse...

Pois, a questão é mesmo essa!
Trata-se aqui do confronto entre a realidade e todo um meticuloso trabalho de... "camuflagem [pseudo] analítica" ou "desfactualização secundária significada" do real, desde logo, político mas também económico, social, cultural, etc. que visa 'levar sistematicamente esse mesmo real' para sítios ("loca infecta", como diria o Sena, do pensamento, da ideologia...) onde ele 'nunca esteve' e onde, à primeira vista, seria, no mínimo, muito improvável que estivesse...
E sublinho "à primeira vista" porque, graças ao labor de uma "excelsa e independentíssima" 'plêiade' de "comendadores... comentadores" que por aí pululam do Marcelete Cere-rebelo em Repouso ao Asco Poluído da Mente, do Tavares Rouco (e Rico!) a todos os outros ao fim de um certo tempo e de uma cuidadosa insistência ("flecte-flecte-insiste-insiste"!) ela (como dizer?) "ganha calo naquele sítio", "habitua-se" e parece já de lá não querer sair.

Parece impossível convencê-la a de lá sair...

... E são "lapsus linguae" como este que, 'iluminando bruscamente a noite' da "análise" e da "crítica", estilhaçam de um só golpe, a ilusão de óptica (ou de ética?...) assim laboriosamente de/formada e (exactamente ao contrário daquilo que diz a canção...) mostram à evidência que, afinal, a Terra NÃO "gira [mesmo] ao contrário" nem "os rios nascem no mar"...

Quer dizer: "isto" da língua da gente é como com as crianças: por muito cuidado que se tenha, acaba sempre por nunca ser demais...

Daniel disse...

Haverá muita gente neste país que vota segundo a coerêcia e honestidade dos políticos?

CS disse...

E quando se apercebeu do que tinha dito nessa noite não conseguiu dormir.

Fernando Samuel disse...

Saiu-lhe bem: saiu-lhe certo!
Às vezes, acontece...

Um abraço.

vermelho disse...

Belo percurso... E o mais importante, o que permitiu esse dito percurso? Esse betinho não será filho da Maria João Avillez?
Abraço.

Irlando disse...

Só quero dar mais uma acha para a fogueira.Foi esse menino da mamã,que num debate da SIC,sobre os programas eleitorais dos partidos,para as próximas eleições,teve o descaramento de falar de todos menos do PCP.Isto perante a passividade do jornalista,(moderador)que não teve a coragem de ao menos perguntar.E sobre o PCP senhor,nada a dizer?

Justine disse...

Coitado do homem, o que ele não vai pagar por um momento de honestidade intelectual...ou foi apenas distracção?

Irlando disse...

Honestidade intelectual. E honestidade "democrática".Digo eu.

Carlos Machado Acabado disse...

Ainda a propósito do Jerónimo: quando o Álvaro Cunhal nos deixou, confesso que admiti que tivéssemos, no mínimo, chegado a uma daquelas "esquinas do Tempo e da História, a partir das quais (literalmente!) TUDO pode acontecer.
O contexto geopolítico era (também aqui para dizer o mínimo, preocupante), o trabalho do Álvaro para gerir internamente o impacto da implosão no exterior foi um verdadeiro tour-de-force fabuloso, único, de inteligência, de lucidez, de bela coragem democrática e de esclarecimento, enfim, de todas aquelas qualidades de coerência, elevação e idoneidade pessoal, cívica e intelectual que definiam e caracterizavam o Álvaro Cunhal.
Vi gente como a Judite de Sousa e os "especialistas" da SIC curvarem-se respeitosamente perante a estatura intelectual e a espantosa consistência política dele de modo que, desaparecido ele, temi, pois, volto com toda a frontalidade a confessar, o pior.
Pois, o Jerónimo surpreendeu-me.
E de que maneira!
Noutro registo talvez mais imediatamente próximo das pessoas em geral mas sempre com uma elevação, uma dignidade e, ao mesmo tempo, uma humildade intelectual, pessoal, política, etc.; com uma coerência e, de uma maneira geral, uma perspicácia e um esclarecimento que, se não fizeram (obviamente!) esquecer a grande Figura do Álvaro, nos devolveram (a mim, seguramente!) alguma da confiança no futuro que a morte do Álvaro tinha inevitavelmente abalado.
Ora, eu creio que aquilo que fulanos como este aqui citado fazem é instintiva e, em larga medida, inconscientemente reconhecer os atributos que atrás citei (quase) exactamente do mesmo que (e como) as Judites de Sousa e os entrevistadores em geral reconheciam (e, temendo-os, respeitavam) os do Cunhal assim como o próprio Cunhal.

E esse é, com certeza, o maior elogio que se lhe pode fazer.

...Que este Avillez Qualquer Coisa ou Qualquer Coisa Avillez acabou por ("malgré lui même"...) lhe fazer...

Chessplayer disse...

é caso para dizer: o homem (Avilez) é preso por ter cão e por não ter. Eu se fosse a ele arranjava uma cadela...

smvasconcelos disse...

Surpreende-me, mas foi certeiro. Jerónimo é com certeza o único líder coerente desta campanha.
beijos,
Sílvia

samuel disse...

Salvoconduto:
Saiu-lhe...

Oásis dos sonhos:
Inteligente é ele! Isso está fora de causa... ☺

Maria:
Só se for de algum patrão muito mal disposto. Não me parece que aconteça àquele.

Amigona:
Ainda será promovido muitas vezes... ☺

Carlos Machado Acabado:
Citando esse grande político, Paulo Portas, “cautelas e caldos de galinha...”

Daniel:
Alguma... mas em número ainda insuficiente.

CS:
Faz bem reflectir... ☺

Fernando Samuel:
Mas é tão raro!

Vermelho:
Tem idade (e nome) para isso... mas de facto não sei.

Irlando:
Foi certamente um “esquecimento”...

Justine:
Como já disse, saiu-lhe...

Carlos Machado Acabado:
Acontece muito a este tipo de pessoas. Ao primeiro descuido, mesmo quando quereriam desferir um ataque... sai-lhes um elogio.

Chessplayer:
Não por nada que eu tenha escrito, suponho...

Sílvia:
Jerónimo é um “produto” para que os nossos politólogos não estão lá muito bem preparados.


Abreijos colectivos!

Anónimo disse...

Não há azar porque o «piqueno» até veio da "Maxoman"

Chessplayer disse...

"Chessplayer:
Não por nada que eu tenha escrito, suponho..."

acho que não entendeu. permita-me que ponha aqui coisas bonitas:
1.
Agora que já floriu
A esperança na nossa terra
As portas que Abril abriu
NUNCA MAIS NINGUÉM AS CERRA.
2.
http://www.youtube.com/watch?v=kBEyC4UJYts