quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Saramago go home!!! (diz ele...) *



Nesta estória do Caim, do Saramago, do alegado “manual de maus costumes” e das mais que previsíveis respostas iradas... não me meto. Nem quero ter nada que ver com religião nenhuma, nem interferir numa campanha publicitária que, pelo que se pode ver, está a correr às mil maravilhas.

Mesmo assim, esta brilhante iniciativa do ignoto eurodeputado português do PPD, Mário David, que na sua página na internet vem reclamar os seus quinze minutos de fama, pedindo a José Saramago para renunciar à cidadania portuguesa, porque, diz ele, se sente envergonhado de o ter como compatriota... chamou a minha atenção.

Eu não percebo nada de internet... mas se existe um local especial para fazer este tipo de pedidos, adoraria saber onde é, para poder pedir ao ilustre senhor eurodeputado, com todo o respeito, que vá bardamerda!

* Pronto... não sou eu que digo "Saramago go home!"... mas lendo o texto também daria para perceber.

25 comentários:

anamar disse...

Ora é assim mesmo ...
:)))
Abracinho

Anónimo disse...

pois eu é que estou envergonhado de o ter como compatriota. Refiro-me claro está ao ilustre eurodeputado. Metendo alguma água na fervura, dado as inúmeras acusações de "não fale do que não conhece...", etc., quer-me parecer que o Saramago leu de facto a bíblia ao contrário dos pseudo cristãos ofendidinhos aos quais nada se pode dizer por muito verdade que seja.

vermelho disse...

A Igreja continua obstinadamente a defender um Deus que, como ela, nada de humano tem. Assim sendo, como poderá servir-nos?
Abraço.

MFerrer disse...

O seu texto está perfeito. O título é que está torto:
Devia ser "Mário David, go home"!
A tendência que esta gente tem para a censura, para a asfixia anti-democrática!
MFerrer

aferreira disse...

-Ora nem mais.

Maria disse...

Só agora aqui cheguei e ainda não parei de rir à gargalhada!
Junto-me a ti para o mandar berdamerda. Penso que o Saramago é um problema mal resolvido dentro do psd, hehehehehehehehe

Abreijos

Maria disse...

corrijo: BARDAMERDA!

Antuã disse...

Foi a 1ª. vez que ouvi falar neste Mário david. O homem diz que não lê o livro o que é natural porque primeiro é preciso aprender a ler.

UdL disse...

Em primeiro lugar, ninguém se chama Mário David. Em segundo, talvez isto te dê algum jeito a para atingires o dito objectivo: enviar o indivíduo de volta para o buraco de onde saiu.

http://dactilografo.livejournal.com/344469.html

Continuação!

manuela galhofo disse...

O tipo que censurou o Saramago há uns anos também era do psd,não era?a igreja continua intocável,para certos senhores...
A lembrar o tempo em que tinhamos fascistas no poder e a igreja do seu lado...
Embora não possamos esquecer os católicos que souberam estar do lado certo da baricada...
Este david é uma besta. E concordo convosco:que vá bardamerda´.

smvasconcelos disse...

lolol
É isso mesmo Samuel, nada como dizê-lo explicitamente! E concordo com o MFerrer, o "go home" devia ser para o Mário David.
beijos,

do zambujal disse...

Pois... bardamerda e não se fala mais nisso. Leia-se o livro e pronto, comente-se o romance.
Aliás, alguém conhecia (além de uns "privilegiados") o senhor eurodeputado Mário David, um dos nossos 22 representantes no Parlamento Europeu? Vamos nós dar-lhe guita?
Nanja eu! Se quiser bolota, atrepe!

Anónimo disse...

duvido que o saramago venda num país de iletrados e analfabetos, num país de santinhos , santinhas e pagelas. Saramago não precisa dos leitores portugueses para nada . O outro precisa do dinheiro que ganha e que é nosso , em todo o caso , vá à MERDA! Ele , é claro !
Rui Marques

Anónimo disse...

Aquele deputado parece um tonto. (Posso dizê-lo, não posso?)
Não gostei do que o Saramago disse. (Posso dizê-lo, não posso?)
Eu acho que o "Ensaio sobre a cegueira" também é um manual de maus costumes. (Posso dizê-lo, não posso?)
Afinal, que é a liberdade de expressão? É falar e não permitir o direito de resposta de quem não concorda?...
Abraços.
Daniel de Sá

Catsone disse...

Mesmo com essa publicidade toda não tenciono ler o livro... mas até os cristãos vão comprá-lo nem que seja para queimar depois.

ecila disse...

Exacto! Mas mude o titulo, pois induz em erro

Carlos Machado Acabado disse...

Aquilo que o Saramago fez foi, afinal, (voltar a) meter um pauzinho no vespeiro que é (ainda hoje!) o catolicismo (cá, 'tolicismo'? E 'lá'?...) institucional romano.
O modo como um tal Carreira das Neves, por exemplo, veio a público manifestar o seu indecoroso incómodo pelo facto de um cidadão, um escritor, ter ousado exprimir um ponto de vista (que, ao que tudo indica, Carreira das Neves à data desconhecia qual fosse exactamente, mas enfim...) em matéria que apenas à igreja institucional "compete"; que esta veda, à boa maneira inquisitorial (agora, sobretudo, em... "espírito" que "o resto" já se foi, felizmente!) à análise, à crítica, à glosa, numa palavra, à opinião, assusta precisamente pelo registo intolerante e sectário---histericamente sectário---que pressupõe e revela!
Eu ainda não li o livro e, por isso, sobre ele especificamente não me pronuncio.
Pronuncio-me, sim, sobre este recrudescer cíclico de uma espécie de convulsiva atmosfera de desesperada e insidiosa pulsão repressional tópica que confirma, afinal, a necessidade de "abrir janelas" e "deixar entrar ar puro" num espaço mental e ideológico onde reinam aparentemente, há muito (desde Galileu, desde António José da Silva, no caso português, desde o Index, desde 'Fátima', desde Cerejeira ou João Paulo II e os "usos políticos" da manipulação dos medos e das consciências individuais e colectivas) apenas o bafio e a patologia.

Falemos mas é de coisas sérias: vou ler o livro e depois podemos, então, passar ao que realmente releva e interessa: o debate em torno de uma obra do espírito!...

Méon, disse...

Pois... mas eu também admiro a capacidade empresarial de Saramago e do... mago da ed. Caminho, o sr. Coelho. Sabem-na toda, aqueles ratões!

É como os editores das revistas: basta pôr palavras como "sexo", "dieta / saúde"( no início do Verão), ou "viagens de sonho"... nas capas!

Ter uma casa em Lançarote, com o preço a que estão as viagens, custa um dinheirão...

Luis Nogueira disse...

E você, Meon, acha que o Saramago anda à lebre? Olhe que ele vende mais num dia no estrangeiro do que o Antunes num ano, em Portugal e no Estrangeiro e em Marte. Não precisa de graveto, nem de trocar de carro. E a casa nas Canárias não é mais cara do que em Coimbra ou Lisboa. Verifique.
O Saramago é apenas um homem coerente com o que sempre pensou. A Igreja é - continua a ser - uma praga, uma parasitagem. Basta de 2000 anos de chulice.
Ah, a propósito: você já leu a Biblia ou fala só de ouvir dizer? Leia. E leia também o Mark Twain, faz-lhe bem ler um blasfemo dos autênticos. Ao pé dele o Saramago´não passa de um anjuinho.

Voltemos a Voltaire: "Écrasons L'Infame" (a infame é a Igreja, claro). E eu estou de acordo.
Abaixo o ópio do povo! (A Igreja e a TV)

Luis Nogueira

Juvenal disse...

Só quero subscrever a opinião de Carlos Machado Acabado, incluindo o último parágrafo.
Acrescento à sua lista: Garcia de Orta, Damião de Góis e padre António Vieira, para só falar de alguns cujo nome ficou na História.
E, mais perto de nós,o massacre de 14 de Outubro de 1964 em Lourosa...

Daniel disse...

A Igreja é uma inútil... Só a Propaganda Fide, um organismo do Vaticano, que não representa mais de 40% de toda a actividade católica no Mundo, tem a seu cargo 42 mil escolas, 1600 hospitais, mais de seis mil dispensários, 780 leprosários, etc. E, na Ásia, por exemplo, onde o número de católicos é residual, instituições católicas tratam de cerca de um quarto dos infectados com SIDA.
Daniel

Méon, disse...

Se já li a Bíblia?
Se eu lhe contasse a minha história ficaria elucidado...
Só lhe digo que frequentei o Seminário dos Olivais em 1967 e foi lá que comecei a abrir os olhos para as realidades sociais.
Considero um erro falar da ICAR como um todo, ao estilo de Voltaire ou de Afonso Costa. É contraproducente.
A ICAR na América Latina não é a mesma de de Roma.

Quanto a Saramago, pelo que já li do livro e das declarações dele, denota uma forma muito limitada de abordar a questão, o que só pode ter consequeências nefastas para o seu (dele Saramago, e meu!) ponto de vista crítico. A Bíblia é um conjunto muito heterogéneo de textos, escritos em épocas e lugares diferentes. A ICAR já há muito que admite o carácter mitológico do Genesis. Fazer uma leitura literal daquele texto é mesmo pôr-se a jeito de levar bordoada dos profissionais da fé...
Daí eu dizer que aquilo mais parece um grande marketing. Porque me parece que, a não ser isso, mais parece uma caturrice de velho ché-ché. E custa-me ligar pensar isso de um homem como Saramago...
É uma opinião, apenas mais uma. Não me julgo ninguém...

Luis Nogueira disse...

Caro amigo Meon. Mais uma vez e desculpe. Eu também leio a Biblia. E o Popol Vuh, e o Corão e os Upanishads. Conheço bastante bem os mitos fundacionais da América do Norte e da América Latina de que gosto bastante mais do que da Bíblia. Alguns desses mitos estão muito bem transcritos na "Memoria del Fuego" do Eduardo Gareano, sobretudo no Livro I, "Los nacimentos". A noção de um deus implacável, cruel, invejoso e castigador, é descxonhecida nesses mitos. Chegou à América a bordo das naus dos "descobridores". Traziam-na os padres. Vinha na Bíblia. Essa que Saramago e você e eu sabemos que é usada como manual de vileza racista. Os palestinianos sabem-no melhor do que nós. No corpo. E "nel'anima", como dizia Dante.

Um abraço

Luis Nogueira

Miguel Botelho disse...

O blog de Mário David tem um espaço que diz "contactos". Nesse espaço podemos escrever qualquer mensagem sobre este caso.
Esta manhã já lhe escrevi a dizer que a fotografia do eurodeputado no blog nada tem a ver com a mentalidade vincada no texto escrito acerca de José Saramago.
Portanto, aquilo que posso dizer é aquilo que escrevi ao Mário David. A fotografia do blog é uma falsificação.

samuel disse...

Per tutti:
Há-de haver um dis em que eu (mais uma vez) caia na asneira de atacar as religiões, ou cometer a originalidade de criticar uma entidade em cuja existência não acredito... mas não hoje.
Hoje a minha atenção foi toda para o débil que fes de acusador e juiz, condenando um cidadão a "pedir" para deixar de o ser e ficar-se por aí, já que estamos, felizmente, bastante longe das fogueiras da "santa" inquisição.
Foi só isso.

Abreijos colectivos!