sábado, 5 de fevereiro de 2011

Luís Marques Mendes – Doutor em democracia, direitos humanos... e asneiras pela boca fora






O minúsculo Dr. Marques Mendes que, por sinal (e não tendo nada que ver com este assunto), fisicamente também não é lá muito alto, cometeu mais uma das suas habituais longas "palestras" com análise de atualidade e comentário, na TVI-24. Entre várias opiniões, quase sempre condizentes com a sua dimensão (sempre a interior!), decidiu repetir a lengalenga da redução de deputados na Assembleia da República, com os “argumentos” do costume: desde os mais populares nas tascas, como “Eles não estão lá a fazer nada!” e “Aquilo custa uma fortuna!”, até aos mais rebuscados, como “Os círculos uninominais aproximam os eleitores dos eleitos e tiram o poder às máquinas dos partidos!”, e por aí a diante... que a cassete é já bem conhecida. 
Mais uma vez, a espécie de jornalista que o acompanhava, “esqueceu-se” de lhe perguntar qual seria o efeito, a ser seguido o método de Hondt na eleição de deputados e a aprovar-se uma redução dos atuais 230 para os 180, 160, ou mesmo 150, de que tanto se fala... se isso não varreria do Parlamento os partidos menos numerosos, acabando a vida parlamentar reduzida a uma partilha de poder entre PS e PSD e, portanto, um ainda mais triste arremedo de democracia do que aquele em que já vivemos. Mas essa falta de “atenção” jornalística é já o costume!
Antes, porém, aquilo que me prendeu a atenção na dissertação de Marques Mendes, foi o seu aviso de que (cito de cor) «em relação aos egípcios e ao Egipto, é preciso alguma contenção e não alimentar falsas esperanças, pois aquilo é gente que, na sua maioria, aprova a pena de morte e castigos corporais, por exemplo em casos de desrespeito contra a religião, roubos, etc., gente que não respeita os direitos humanos!»... e rematou, decidido: «a democracia ainda não está ali à mão de semear!»
Deixando de lado o facto fascinante de o grande Marques Mendes achar que o povo egípcio não está preparado para decidir sobre o seu futuro, agora digo eu, se me permitem, que aquilo que é abominável na pena de morte e nos castigos corporais, não são as “alegadas razões” para a sua aplicação, mas sim a sua simples existência.
Aquela besta saberá (sabe, sabe!) qual a frequência da prática de tortura nas prisões e qual o nível de aprovação popular da pena de morte na “pátria da democracia e dos direitos humanos”, os seus bem amados EUA?

13 comentários:

do Zambujal disse...

Bem dada! Agora tens é que o encontrar. Estou a falar do interior...

Abraço e bom fim-de-semana

salvoconduto disse...

Essa gentinha sabe do que fala e acima de tudo para quem fala...

Abraço.

Maria disse...

Ainda bem que não tenho TVI24.
Mas ainda que tivesse, ele é tão pequenino que com a minha falta de visão dificilmente o veria...
:)))))))
Abreijos

Antuã disse...

Ele é tão pequenino intelectualmente.

Graciete Rietsch disse...

Ele também se esqueceu de Guantánamo e outras prisões equivalentes onde até a tortura do quase afogamento se pratica. E isto no país da Libardade.

Um beijo.

Fernando Samuel disse...

Dizes bem: «sabe, sabe»... ó se sabe!...

Um abraço.

maia disse...

Partindo sempre do princípio, para mim, de que a altura do ser humano se mede do pescoço para cima, eles vêm todos do "país dos pequeninos", o deles. E não coram quando falam de direitos humanos! Na democracia dos EUA, está, neste momento, a ser julgada uma criança de 11 anos, não é erro, onze anos, que matou a madrasta, em casa, com uma arma. Será julgada como um adulto, prevendo-se a prisão perpétua. Prisão perpétua? Uma criança de 11 anos? Como tem uma criança de 11 anos acesso a uma arma? E a responsabilidade dos adultos? E porque ninguém fala nisto? Isto não repugna?
Dou comigo a pensar: Se isto fosse em Cuba!!

Anónimo disse...

Será que o ranhoso pagará impostos sobre o que recebe por dar a sua opinião(ou será a dos donos da TVI)nas arrazoadas onde vomita asneiras na TVI24?
Ou será que não paga nada?
É que para falar, até de borla, existe neste país muito trabalhador que gostaria de falar mas, a esses, a TVI24 ou qualquer outro canal não deixa que falem.
Vitor sarilhos

relogio.de.corda disse...

Estava eu a ler este seu post e estava precisamente a pensar nos States... Acabou no final, por me tirar os pensamentos da mente.

Manuel Norberto Baptista Forte disse...

L. M. M., sempre ao ... seu nível.

CDU Belém disse...

Estes oradores, tipo Marques Mendes,especialmente nestas ocasiões, têm os seus destinatários para arregimentar as clientelas políticas que sustentam a mentalidade estreita e redutora da gentinha que vota neles.
É de lamentar o tempo de antena que a CS dá a estes trampolineiros...

Suq disse...

Há quem diga que a cachaça é água

cachaça não é água não!

a cachaça vem do alambique

e a água não lava a língua não!

Pode faltar tudo na vida

arroz feijão e pão


mas nunca irá faltar mais um parvalhão! Oléi.

Vítor disse...

Esta criatura ainda há poucas semanas esteve no mesmo sítio, todo moralista, a vituperar a Ilda Figueiredo e o PCP pelo que ela terá dito sobre o Sakharov entregue ao Fariñas. Dizia ele que, para o PCP, as ditaduras são boas se forem "daquele estilo". "Sem emenda, nem perdão", concluía, quase a espumar-se, para agora vir dizer que a democracia, onde não interessa que exista, "não está à mão de semear".

Alguém que lhe mostre estas imagens (http://www.foreignpolicy.com/articles/2011/02/04/signs_of_the_times?) para que o homem fique a saber alguma coisinha sobre quem são os Egípcios e lhe pergunte se ele (um bacoco do PSD de cultura humanística invisível) ainda se considera assim tão mais sofisticado do que "aquela gente".